Uma tentativa de saque em espécie no valor de R$ 1 milhão feita por um membro da família da influenciadora e advogada Deolane Bezerra foi impedida pelo Itaú, aponta relatório final de investigação policial obtido pela redação.
De acordo com o documento, controles internos do banco identificaram sinais considerados compatíveis com operações de lavagem de dinheiro no momento da solicitação ao caixa, o que motivou o bloqueio da transação e a orientação para o encerramento das relações bancárias da família enquanto persistiam dúvidas sobre a origem dos recursos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, feita com base no relatório policial e em entrevistas com representantes da defesa, há diferenças relevantes entre a descrição oficial do procedimento e as versões públicas divulgadas pela defesa da influenciadora.
O que diz o relatório
Trechos do relatório a que tivemos acesso detalham que o impedimento ocorreu no momento do saque, quando os controles de prevenção a ilícitos financeiros sinalizaram inconsistências na origem ou na destinação informada dos valores. Fontes ligadas ao processo relatam que, após a detecção das inconsistências, o banco adotou medidas de mitigação, incluindo orientação para que a família encerrasse contas e relações bancárias até que a situação fosse esclarecida.
O documento também ressalta que a comunicação aos órgãos competentes e às unidades de inteligência financeira é uma prática prevista em rotinas de compliance, especialmente em operações envolvendo altas quantias em espécie. Ainda segundo o relatório, o encaminhamento do caso para eventuais medidas penais dependerá da comprovação de origem ilícita dos valores por meio de provas adicionais.
Posição da defesa e da família
A defesa de Deolane divulgou nota em que afirma a inocência da influenciadora e diz que não houve contato formal com o banco sobre o caso. “Não houve qualquer procedimento irregular por parte da família”, disse um representante em entrevista à nossa redação, acrescentando que eventual bloqueio ou restrição bancária não constitui, por si só, prova de crime.
Fontes da defesa também informaram que as movimentações financeiras da família observam a legalidade e que estarão à disposição para prestar os esclarecimentos necessários às autoridades, caso requisitados.
Diferenças de versões
Em análise comparativa do material, o Noticioso360 identifica diferença de ênfase: o relatório policial detalha sinais que motivaram medidas administrativas e comunicacionais por parte do banco, enquanto a defesa foca na ausência de comprovação de irregularidade e na inexistência de contato direto entre a família e a instituição.
Procedimentos bancários e compliance
Bancos brasileiros mantêm sistemas de monitoramento para operações em espécie, especialmente em valores elevados. Quando há suspeita de natureza irregular, as instituições podem bloquear transações, solicitar documentação complementar ou, em casos extremos, orientar o encerramento de relacionamento com clientes até elucidação.
Especialistas em compliance consultados pela reportagem destacam que o bloqueio administrativo é uma medida preventiva. “Trata‑se de uma resposta operacional para mitigar risco enquanto se apura a origem dos recursos”, explica um ex-superintendente de controle financeiro. Ele acrescenta que só a investigação aprofundada pode confirmar eventual crime financeiro.
Situação judicial e investigativa
Até o momento, não há registro público de prisão, indiciamento formal ou denúncia oferecida pelo Ministério Público com base apenas no bloqueio do saque. Fontes policiais consultadas pelo Noticioso360 afirmam que a continuidade das apurações dependerá da obtenção de provas adicionais que comprovem origem ilícita dos valores.
O relatório final serve como base técnica para possíveis encaminhamentos, mas não equivale a uma sentença ou à instauração automática de procedimento penal sem elementos probatórios complementares.
Posicionamento do Itaú
A redação procurou o Itaú para esclarecimentos sobre os pontos descritos no relatório e sobre eventuais comunicações formais feitas à família. Até a publicação, não houve retorno formal da instituição. Em notas públicas anteriores, o banco costuma enfatizar que suas medidas visam o cumprimento de normas legais e regulamentares e que não comenta casos envolvendo clientes por sigilo bancário.
O que muda para clientes e mercado
O episódio reforça práticas já conhecidas do setor: operações em espécie de alto valor são alvo de atenção redobrada e podem gerar controles adicionais, pedidos de documentação e até bloqueios preventivos. Para clientes, a recomendação de especialistas é manter documentação que comprove a origem dos recursos e registrar operações relevantes de forma documental.
Por outro lado, autoridades e entidades de defesa do consumidor alertam para a necessidade de equilíbrio entre medidas de compliance e garantias de acesso a serviços financeiros, evitando decisões precipitadas que prejudiquem consumidores sem base probatória.
Transparência e próximos passos
A apuração do Noticioso360 confirma que houve impedimento ao saque e que, por conta disso, o banco orientou o encerramento de relações com a família enquanto persistiam dúvidas. No entanto, a reportagem apurou que indícios descritos no relatório não equivalem a prova de crime por si só.
As investigações dependem de diligências complementares e da apresentação de elementos que comprovem a origem ilícita dos recursos, caso exista. A redação mantém contato com representantes da defesa e seguirá cobrando um posicionamento oficial do Itaú.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
- Polícia Civil — 2026-01-10
- Defesa de Deolane Bezerra — 2026-05-15
- Itaú Unibanco — 2026-05-16
- Noticioso360 — 2026-05-23
Analistas apontam que o movimento pode influenciar práticas de compliance bancário nos próximos meses.
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