Um levantamento da consultoria OnStrategy sobre a “Marca Brasil 2026” aponta que questões ligadas ao governo, à liderança institucional e à segurança pública são os principais pontos que puxam para baixo a imagem do país, tanto no exterior quanto internamente.
O estudo reúne percepções de brasileiros e estrangeiros e destaca que, embora atributos como cultura, recursos naturais e potencial de mercado preservem avaliações positivas em alguns recortes, eles não neutralizam as preocupações relativas à governança e à segurança quando o objetivo é atrair investimentos de maior risco ou recuperar confiança diplomática.
Diagnóstico central e diferenças de leitura
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base no relatório da OnStrategy e em coberturas jornalísticas nacionais e internacionais, há consenso sobre a centralidade das fragilidades institucionais e de segurança. No entanto, a ênfase e o enquadramento variam entre veículos e públicos.
Para parte da imprensa internacional, os resultados se traduzem em uma lente de risco macroeconômico: investidores e observadores de relações exteriores veem na percepção negativa sobre governança um fator que afeta previsibilidade e custo de entrada no mercado brasileiro.
Por outro lado, reportagens e entrevistas no Brasil tendem a ligar a avaliação negativa a experiências cotidianas com políticas públicas e insegurança nas ruas, transformando o problema em demanda por soluções operacionais e políticas públicas mais eficazes.
Quem avalia o quê?
A apuração do Noticioso360 cruzou os dados do relatório com declarações de diplomatas, analistas e empresários, identificando que diferentes públicos priorizam indicadores distintos.
- Diplomatas e investidores estrangeiros focam em estabilidade política e previsibilidade institucional.
- Turistas e visitantes internacionais citam, com frequência, preocupações com segurança física e percepção de ordem pública.
- Empresários e analistas de comércio ressaltam a necessidade de regras claras, capacidade regulatória e governança.
Metodologia, transparência e limites do levantamento
O documento da OnStrategy descreve um método misto de pesquisa, com amostragem em diferentes países e questionários adaptados por público-alvo. A consultoria apresenta recortes por nacionalidade, faixa etária e perfil profissional.
A redação do Noticioso360 observou que a clareza sobre alcance geográfico e representatividade é essencial para interpretar as conclusões. Reportagens consultadas trouxeram o mesmo conjunto de dados — o relatório da OnStrategy — sem acrescentar novas bases estatísticas independentes.
Também foi notado, na cobertura pública, um risco de interpretação exagerada: alguns comentários de analistas atribuíram causas únicas à piora da imagem, sem evidência direta no levantamento. O Noticioso360 distingue resultado (o que foi medido) de interpretação (o que analistas supõem).
Áreas de força e limitações para mitigação
Apesar das fragilidades, o estudo revela pontos positivos que amenizam, em parte, a avaliação negativa: cultura, biodiversidade, recursos naturais e o tamanho do mercado aparecem como fatores que mantêm uma visão mais favorável em determinados públicos.
Porém, segundo a OnStrategy, esses atributos não são suficientes para neutralizar a percepção de risco em decisões que envolvem maior exposição financeira ou confiança diplomática. Em outras palavras, atributos de marca país ajudam, mas não substituem instituições e segurança percebida.
Implicações práticas
Para o setor público, o diagnóstico sugere que medidas concretas de fortalecimento institucional, transparência e políticas públicas de segurança podem alterar gradualmente a percepção externa e interna. Para o setor privado, políticas consistentes de comunicação e governança corporativa ajudam a reduzir o prêmio de risco.
Especialistas consultados nas coberturas afirmam que mudanças de percepção tendem a ser lentas e dependem de sinais claros de previsibilidade — decisões regulatórias coerentes, estabilidade de contratos e redução de índices de violência em áreas estratégicas.
Cobertura jornalística: divergências de ênfase
Ao comparar versões do mesmo relatório, a curadoria do Noticioso360 identificou diferenças de abordagem: matérias brasileiras explicaram mais a ligação entre percepção e políticas domésticas; veículos internacionais frequentemente enquadraram o tema como risco para investidores e relações externas.
Essa diferença de foco altera a leitura do levantamento: para públicos internos, o problema é político e operacional; para externos, é questão de confiança macro e previsibilidade institucional.
O que não foi encontrado
Não foram localizadas bases públicas que contradigam o diagnóstico central do relatório — a identificação de governo e segurança como pontos fracos. Tampouco a apuração encontrou dados que confirmassem interpretações que imputam a responsabilidade exclusiva a um único governo ou evento específico.
Conclusão e projeção
O retrato traçado pela OnStrategy para 2026 mostra um Brasil com marcas positivas relevantes, mas fragilidades institucionais e de segurança que afetam sua reputação externa e interna. Mitigar essas percepções exige ações coordenadas e sinais de previsibilidade.
Se o país adotar medidas claras de governança e segurança, combinadas com uma estratégia de diplomacia pública e comunicação consistente, é possível reduzir a distância entre imagem e potencial real. Caso contrário, a percepção negativa pode tornar-se um fator de custo adicional para investimentos e parcerias internacionais.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
- OnStrategy — 2026-04-15
- Noticioso360 — 2026-04-16
- Reuters — 2026-04-16
- BBC — 2026-04-17
- Agência Brasil — 2026-04-16
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