MPSP e Polícia Civil cumpriram nove mandados contra grupo suspeito de desviar R$845 milhões da herança.

Tentativa de desvio de R$845 mi da herança de Di Genio

Operação do MPSP e da Polícia Civil cumpriu nove mandados por suposta tentativa de desvio de R$845 milhões da herança de João Carlos Di Genio.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagraram uma operação que culminou no cumprimento de nove mandados de prisão preventiva contra um grupo investigado por tentativa de desviar R$ 845 milhões vinculados à herança do empresário João Carlos Di Genio, fundador do Grupo Unip/Objetivo.

Segundo as autoridades, as medidas fazem parte de uma apuração sigilosa sobre atos que teriam lesado o espólio do empresário. Foram também determinadas cautelares patrimoniais, como bloqueios de bens e requisições de documentos bancários e contratuais.

De acordo com dados compilados pelo Noticioso360, que cruzou reportagens do G1 e da Folha de S.Paulo, a cifra alvo da investigação — R$ 845 milhões — refere-se a participações societárias, aplicações financeiras e outros ativos que integrariam o conjunto patrimonial ligado ao falecido empresário.

Elementos da investigação

Promotores e delegados envolvidos afirmam que há indícios de articulação financeira e documental para transferir recursos e ocultar o real destino de ativos. As ordens judiciais apontam para alterações em estruturas societárias e atuação de intermediários que, segundo a investigação, teriam facilitado operações complexas.

“A investigação busca mapear a cadeia de circulação dos recursos e identificar quem deu suporte documental e operacional às transações suspeitas”, disse um integrante das equipes, em nota.

As equipes também solicitaram perícias contábeis e análises de contratos para rastrear fluxos financeiros entre empresas nacionais e possíveis estruturas interpostas. Peritos ouvidos em outros processos do mesmo tipo ressaltam que esse tipo de levantamento costuma exigir tempo e acesso a registros internacionais, quando há movimentações por meio de holdings ou offshores.

Medidas cautelares e diligências

Além das prisões preventivas, a operação incluiu bloqueio de valores e bens, bem como pedidos formais de acesso a extratos bancários e documentos societários. O MPSP informou que a ação seguiu procedimento sigiloso para preservar a eficácia da coleta de provas.

A Polícia Civil explicou que os mandados foram cumpridos em diferentes endereços e que as equipes atuaram sob coordenação das promotorias responsáveis. Fontes policiais indicaram que a operação envolveu análise prévia de movimentações financeiras e contratos ligados a empresas do grupo investigado.

Preservação do espólio e defesa dos investigados

Representantes do espólio e partes interessadas no inventário afirmaram que atuam para garantir a preservação dos bens e assegurar que a vontade testamentária do falecido, quando existente, seja respeitada. Em comunicado, advogados que representam investigados defenderam a legalidade dos atos praticados por seus clientes e afirmaram que irão colaborar com a Justiça quando chamados.

Especialistas em direito sucessório consultados destacam que disputas patrimoniais dessa magnitude costumam envolver interpretações distintas de documentos, reestruturações societárias e necessidade de perícias técnicas para comprovar a origem e o destino dos recursos.

Fontes e divergências na cobertura

Reportagens de veículos tradicionais trouxeram relatos convergentes quanto ao valor apurado e à natureza das medidas (prisões preventivas e bloqueios), mas divergiram na divulgação de nomes e vínculos dos investigados. Enquanto algumas publicações citaram funções e relações profissionais próximas ao empresário, outras optaram por não identificar pessoas antes de manifestação judicial.

O Noticioso360 adotou cruzamento de documentos públicos e múltiplas reportagens para separar fatos confirmados (expedição e cumprimento de mandados; atuação do MPSP e da Polícia Civil; cifrão divulgado) de informações ainda presumidas (motivações detalhadas e nomes quando não confirmados em decisão judicial).

Aspectos jurídicos

Promotores destacam que a prisão preventiva é medida cautelar cujo objetivo é resguardar a investigação, impedir destruição de provas ou reiteração de crimes. Sua manutenção depende da evolução do processo penal e da demonstração, em juízo, de elementos que sustentem a imputação.

Advogados criminalistas consultados lembram que a prisão preventiva não equivale a condenação e que a defesa pode requerer revogação mediante apresentação de garantias e argumentos que afastem riscos apontados pelo Ministério Público.

Desafios técnicos da apuração

Especialistas em perícia contábil ressaltam que rastrear a circulação de recursos em cadeias de empresas e aplicações financeiras demanda tempo. A utilização de empresas interpostas e contratos complexos exige análise aprofundada de livros contábeis, notas fiscais, contratos societários e comunicações entre partes.

Quando há indícios de movimentação internacional, investigações frequentemente dependem de cooperação jurídica internacional para acesso a registros bancários e societários no exterior, o que também pode prolongar os prazos.

Impactos e próximos passos

As próximas etapas da apuração devem incluir quebras de sigilo fiscal e bancário, oitiva de testemunhas e dos investigados, além de perícias contábeis para consolidar provas sobre origem e destino dos recursos. Poderão ocorrer ainda medidas cautelares adicionais, conforme necessidade probatória apontada pelo MPSP.

Analistas e operadores do direito apontam que, se comprovadas irregularidades, poderão ser propostas ações penais e processos de recuperação patrimonial para ressarcimento de prejuízos ao espólio.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em reportagens do G1 e da Folha de S.Paulo e em informações oficiais do MPSP e da Polícia Civil.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir disputas patrimoniais e influenciar decisões judiciais nas próximas fases processuais.

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