Polícia incluiu imagens públicas de deputadas em álbum de identificação
A Polícia Civil de Pernambuco apresentou, em sessão de reconhecimento no âmbito de uma investigação sobre roubo de celular em Recife, um álbum com diversas fotografias entre as quais estavam imagens públicas das deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Érika Hilton (PSOL-SP).
Segundo relatos de testemunhas e notas publicadas por veículos locais, as fotos foram mostradas como parte do procedimento para tentar identificar suspeitos após o crime ocorrido em área central da cidade.
Curadoria e verificação da redação
De acordo com análise da redação do Noticioso360, que cruzou informações do G1 e da Folha de S.Paulo, há confirmação de que as imagens constaram no álbum apresentado, embora existam divergências entre versões sobre o objetivo e o fluxo exato da exibição.
O que a polícia diz
A Polícia Civil afirmou, em nota divulgada à imprensa, que a inclusão de fotografias públicas em álbuns de reconhecimento é uma prática adotada quando não há suspeitos reconhecíveis no momento e quando se busca ampliar opções visuais para testemunhas. Fontes policiais ouvidas por veículos locais acrescentaram que imagens de redes sociais e de eventos públicos podem constar em procedimentos investigativos para auxiliar a elucidação.
Em boletim preliminar, a corporação descreveu que testemunhas participaram de sessão de identificação em que foram apresentadas diversas imagens. A polícia ressaltou que o uso de fotos públicas visa apenas a checagem visual e que não há, até o momento, indícios públicos de que as parlamentares sejam investigadas pelo crime objeto das apurações.
Posição das deputadas e de suas defesas
Representantes das deputadas e os advogados de Duda Salabert e Érika Hilton classificaram a inclusão das fotos como indevida. Em notas e entrevistas, defenderam que as imagens retratam figuras públicas e que sua utilização em álbuns de reconhecimento, sem justificativa clara e sem comunicação prévia, pode constituir constrangimento e eventual uso indevido de imagem.
As defesas também apontaram caráter potencialmente discriminatório do procedimento, citando o histórico de vulnerabilidade enfrentado por parlamentares que atuam em pautas de minorias. Em comunicado, solicitaram esclarecimentos formais sobre os critérios adotados e pediram acesso a registros do procedimento de identificação.
Especialistas e critérios legais
Juristas e especialistas em direitos fundamentais consultados por veículos internacionais e brasileiros ouvidos na apuração destacaram que o uso de imagens de figuras públicas em procedimentos investigativos não é, por si só, ilegal. Contudo, sublinham que há necessidade de critérios e protocolos claros para evitar violações de privacidade, abuso de poder e constrangimento indevido.
Protocolos de reconhecimento humano, explicam especialistas, costumam prever que imagens de terceiros sejam utilizadas apenas em situações excepcionais, com justificativa documentada e registro formal do procedimento — especialmente quando envolvem pessoas públicas ou potencialmente vulneráveis.
Discrepâncias nas narrativas
A apuração do Noticioso360 indica que há diferenças entre as versões divulgadas pela corporação e as declarações das assessorias das deputadas. Enquanto a polícia sustenta ter agido dentro de sua rotina investigativa, representantes parlamentares afirmam que não houve comunicação prévia e que a exposição das fotos foi desnecessária.
Jornais locais publicaram trechos de boletins e notas oficiais, e grandes veículos nacionais deram destaque à repercussão política e às críticas. A redação cruzou datas, locais e comunicados para verificar consistência entre relatos e não encontrou, até o momento, evidência pública de instauração de procedimento disciplinar interno especificamente sobre o uso dessas imagens.
Possíveis implicações e direitos envolvidos
O episódio coloca em tensão a prerrogativa policial de coletar elementos para elucidação de crimes e a proteção de direitos individuais, inclusive de figuras públicas. Advogados consultados lembram que o direito à imagem e à honra deve ser ponderado com a necessidade investigativa, e que procedimentos atípicos exigem registro detalhado e, quando cabível, comunicação às partes afetadas.
Se comprovada utilização indevida, há caminhos civis e administrativos que podem ser acionados pelas deputadas, incluindo pedidos de retratação, indenizações ou a abertura de apuração interna na própria corporação.
O que falta esclarecer
Entre os pontos ainda sem resposta estão: os critérios exatos usados pela equipe investigativa para selecionar as imagens; se houve documento formalizando a decisão; se testemunhas reconheceram alguma das fotos; e se a corporação abriu procedimento interno para avaliar a adequação do método empregado.
O Noticioso360 não localizou, nas fontes públicas consultadas até a publicação desta matéria, registro de investigação interna amplamente divulgado sobre o uso específico das imagens. Também não há prova pública de que as deputadas sejam alvos formais da investigação sobre o roubo de celular.
Próximos passos e repercussão
As deputadas anunciaram pedidos formais de esclarecimento às autoridades policiais e não descartaram medidas judiciais caso as respostas não sejam satisfatórias. A Polícia Civil, por sua vez, poderá divulgar documentos do procedimento ou abrir apuração interna caso surjam indícios de irregularidade.
Além disso, especialistas e formuladores de políticas poderão usar o episódio como argumento para revisar protocolos de reconhecimento humano e estabelecer regras mais claras para o uso de imagens de pessoas públicas em investigações.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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