Economista diz ser aceitável mitigar volatilidade do diesel, mas rejeita interferência na política de preços da estatal.

Zeina Latif: proposta não pode definir preços da Petrobras

Zeina Latif diz que medidas para reduzir volatilidade do diesel são válidas, mas a proposta não pode fixar preços da Petrobras; governo e mercado divergem.

A economista Zeina Latif, sócia-diretora da Gibraltar Consulting, afirmou que qualquer mecanismo para reduzir a volatilidade do preço do diesel deve preservar a liberdade da Petrobras para definir sua política de preços.

Latif comentou, em entrevista, que instrumentos de proteção contra choques externos são legítimos, mas ressaltou que incluir orientações ou tabelas de preços para a estatal é inaceitável e pode gerar riscos operacionais e de abastecimento.

De acordo com a curadoria da redação do Noticioso360, que cruzou reportagens e documentos públicos, existem propostas em discussão que buscam amortecer o impacto da cotação internacional do petróleo e da oscilação do câmbio sobre os preços domésticos do diesel.

O que disse Zeina Latif

“É possível desenhar instrumentos — como fundos de estabilização ou ajustes temporários na tributação — sem, contudo, determinar preços administrativamente”, afirmou Latif. Para a economista, a distinção entre mecanismos públicos de hedge e intervenções que remunerem ou orientem a formação de preços de uma empresa de capital misto é central.

Latif também chamou atenção para o risco de efeitos colaterais: “Se o mercado entender que há interferência frequente, investidores e agentes econômicos podem reagir reduzindo oferta, o que tenderia a elevar o risco de desabastecimento.”

Mecanismos em debate

Segundo apuração do Noticioso360, entre os pontos em discussão estão a criação de um fundo de equalização, compensações temporárias a segmentos vulneráveis da economia e ajustes na tributação incidente sobre combustíveis. Essas alternativas visam mitigar choques internacionais e amortecer oscilações do câmbio.

Fontes consultadas descrevem que alguns esboços regulatórios analisados em instâncias governamentais e no Congresso ainda não chegaram a formato finalizado. Em razão disso, não foi localizada proposta legal consolidada que imponha preços à Petrobras; tratam-se, até o momento, de projetos e estudos em caráter técnico.

Fundos, subsídios e impactos fiscais

Analistas ouvidos por veículos nacionais apontam preocupação com o custo fiscal de medidas que impliquem subsídios permanentes ao preço do diesel. A principal crítica é que instrumentos mal desenhados podem pressionar as contas públicas e gerar distorções de mercado.

Em relatórios e entrevistas, especialistas destacam a necessidade de regras claras de governança para qualquer fundo público, com critérios de acionamento, transparência e prazos bem definidos, a fim de evitar uso político e garantir previsibilidade para agentes econômicos.

Reação do setor e do governo

Executivos do setor apontam que mecanismos previsíveis e transparentes são preferíveis a intervenções pontuais. Para representantes das empresas, sinais consistentes de política ajudam a preservar investimentos na cadeia logística, incluindo manutenção de estoques e abastecimento.

Por outro lado, interlocutores do governo defendem que é preciso proteger a economia doméstica de choques que chegam pela variação das cotações internacionais, mas sustentam que a intenção é criar instrumentos que não interfiram diretamente na autonomia operacional de empresas como a Petrobras.

Risco de desabastecimento

Uma das preocupações centrais apontadas por Latif e por operadores do mercado é que condicionamentos sobre a formação de preços podem reduzir os incentivos da companhia a manter oferta em mercados considerados menos rentáveis, com impacto na logística de entrega de combustíveis.

“Interferências recorrentes acabam por distorcer o sinal de preços que orienta investimentos e contratos logísticos”, explicou uma fonte do setor consultada pela redação, que pediu anonimato ao comentar o tema em caráter exploratório.

Equilíbrio entre proteção social e sinalização de mercado

Economistas sugem que a solução técnica ideal combina instrumentos de proteção contra choques externos com preservação da autonomia operacional da Petrobras. Na prática, isso significa mecanismos temporários e bem definidos, voltados a grupos vulneráveis, sem substituir o preço como sinal de escassez e de alocação eficiente de recursos.

Essa visão procura conciliar duas metas: mitigar o impacto imediato sobre a inflação de combustíveis que afeta preços no varejo e manter incentivos para investimentos e abastecimento no médio prazo.

Transparência e governança

O desenho proposto por especialistas envolve cláusulas de transparência, auditoria independente e limites temporais para intervenção. Tais elementos são considerados essenciais para reduzir o risco de desvios fiscais e garantir que a medida tenha caráter conjuntural, e não permanente.

Além disso, a literatura econômica e casos internacionais sugerem que fundos de estabilização funcionam melhor quando acoplados a regras claras de financiamento e de desembolso, minimizando incertezas para o mercado.

O que vem a seguir

Até o momento, a apuração do Noticioso360 não encontrou um texto finalizado que imponha preços à Petrobras. O debate segue em instâncias governamentais e no Congresso, e analistas afirmam que a definição dependerá da disposição política em aceitar custos fiscais de curto prazo em troca de amortecimento dos preços.

Nos próximos dias, espera-se a apresentação de versões consolidadas dos esboços técnicos e possíveis audiências públicas que detalhem gatilhos, fontes de financiamento e governança dos instrumentos propostos. A redação acompanhará e atualizará a matéria quando houver documentos oficiais ou posicionamento formal da Petrobras.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político e econômico nos próximos meses.

Fontes

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