Governadores alertam para perda de receita e eficácia limitada da proposta sobre diesel importado.

Sul, Sudeste e Centro-Oeste resistem a zerar ICMS

Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste sinalizam resistência ao fim do ICMS sobre diesel importado; divergências fiscais e técnicas devem levar a renegociação.

A maior parte dos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste mostrou resistência à proposta do governo federal de zerar o ICMS incidente sobre a importação de diesel. Em reuniões técnicas e políticas realizadas nas últimas semanas, secretarias estaduais e governadores destacaram riscos fiscais e dúvidas sobre o efeito direto da medida no preço final cobrado nas bombas.

Segundo análise da redação do Noticioso360, cruzando notas oficiais e relatos de participantes, a objeção principal é dupla: perda imediata de arrecadação e incerteza sobre a transmissão do benefício ao consumidor.

Por que os estados resistem

Gestores das secretarias de Fazenda afirmam que o ICMS compõe parcela relevante da receita própria dos estados. Essa receita financia serviços essenciais, como saúde, educação e segurança pública, e uma redução abrupta sem fonte compensatória poderia comprometer investimentos e despesas correntes.

“Não é uma questão ideológica, é orçamentária”, disse um secretário de Fazenda estadual, que pediu anonimato. “Temos limites fiscais, metas e vencimentos de contratos que dependem dessa arrecadação.”

Além disso, técnicos consultados apontam que a formação do preço do diesel envolve tributos federais (como PIS/Cofins), margens de importadores e distribuidoras, custos logísticos e variação cambial. Por isso, argumentam, isentar apenas o ICMS sobre o diesel importado pode ter impacto limitado sobre o preço nas bombas.

Diferenças regionais e posicionamentos

Enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste demonstraram maior reticência, fontes ligadas a governos estaduais do Nordeste relataram maior abertura à proposta. Governadores nordestinos teriam apontado que a redução do custo do diesel beneficiaria o transporte público, cadeias produtivas locais e setores sensíveis como o agronegócio.

Em estados do Norte e Nordeste, houve menção a experiências anteriores em que a União ofereceu mecanismos de compensação ou programas específicos para mitigar perdas fiscais. Esses precedentes alimentam a expectativa de que um acordo político seja possível, desde que inclua garantias financeiras.

Variação nas propostas

Nas conversas com o Executivo federal, secretarias estaduais sugeriram alternativas ao corte amplo: compensações federais automáticas em caso de queda de arrecadação; partilha temporária de recursos; ou limitações do benefício a usos prioritários do diesel, como transporte de alimentos e passageiros.

Alguns estados defendem uma isenção ampla, alegando impacto social imediato, enquanto outros propõem medidas mais direcionadas para reduzir riscos de fraudes e distorções de mercado.

Aspectos jurídicos e técnicos

Fontes oficiais ressaltam que qualquer mudança precisa passar por análise jurídica sobre competência tributária e a vigência de convênios entre estados. Há ainda o risco de decisões divergentes entre unidades da federação criarem distorções regionais: se apenas parcela dos estados adotar medidas semelhantes, isso pode alterar rotas de distribuição e margens dos operadores logísticos.

Técnicos lembram que o ICMS é um imposto estadual com regras de incidência e base de cálculo distintas, e que o tratamento do imposto sobre importações pode exigir ajuste de convênios ou atos normativos estaduais. Por isso, medidas unilaterais poderiam enfrentar contestação judicial ou operacional.

Impacto orçamentário e serviços públicos

Secretarias de Fazenda consultadas enfatizam que a compensação imediata das perdas se tornaria um item-orçamentário imprescindível. Sem fonte alternativa, alertam, serviços públicos poderiam sofrer cortes ou adiamentos de investimentos já planejados.

“Precisamos de clareza sobre a duração da medida e sobre os mecanismos de recomposição”, afirmou um subsecretário de finanças. “Uma isenção temporária com compensação automática é mais palatável do que uma perda permanente de receita.”

Risco político

Há também dimensão política no cálculo: governadores que dependem fortemente do ICMS enfrentam pressão interna para preservar receitas, enquanto gestores com menor participação do imposto no orçamento vêem ganhos políticos possíveis na redução do preço do combustível.

Em encontro privado, interlocutores do Planalto teriam indicado disposição para ajustar a proposta. Segundo relatos, o governo federal avalia mecanismos de transição e monitoramento dos efeitos da medida sobre preços e arrecadação.

Possíveis caminhos para acordo

Especialistas e técnicos de estados propuseram soluções intermediárias. Entre elas: isenção temporária condicionada a compensações federais; partilha de recursos para estados mais afetados; e redução parcial do tributo em vez da eliminação total.

Analistas financeiros lembram que instrumentos de compensação precisam ser automáticos e previsíveis para não gerar novos gargalos fiscais. Alternativas como fundos de estabilização ou transferências condicionadas foram mencionadas em reuniões.

Transmissão do benefício ao consumidor

Mesmo entre defensores da isenção, há ceticismo sobre a velocidade e a amplitude da queda de preços. Operadores logísticos e distribuidoras podem ajustar margens e rotas, reduzindo a passagem integral do benefício para o consumidor final.

“A cadeia de valor é complexa. Uma redução pontual no ICMS de importação pode ser diluída por custos internos”, disse um economista que acompanha o setor.

Conclusão e próximos passos

A tendência, conforme apuração do Noticioso360, é que a proposta inicial enfrente resistência suficiente para obrigar o governo federal a renegociar regras, limites temporais e mecanismos de compensação. O resultado mais provável é um formato condicionado: isenção temporária acompanhada de recomposição de receitas ou redução parcial do tributo.

Nos próximos dias, a negociação deve avançar em mesas técnicas entre a União e as secretarias estaduais. Prazos, critérios de elegibilidade e mecanismos de monitoramento estarão no centro das discussões.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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