Evidências genéticas indicam maior contribuição masculina neandertal no DNA de humanos modernos, mas há incertezas.

Uniões entre neandertais e humanos foram majoritariamente assimétricas

Análises de cromossomos e mitocôndria apontam para cruzamentos entre homens neandertais e mulheres Homo sapiens, embora hipóteses alternativas persistam.

Genomas antigos e estudos de populações atuais reforçam a ideia de que a maior parte da mistura entre neandertais e humanos modernos ocorreu de forma assimétrica: com predomínio de contribuições de homens neandertais para o legado genético de Homo sapiens fora da África.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters e da BBC Brasil, a conclusão se baseia em três sinais genéticos complementares: a redução de fragmentos neandertais no cromossomo X, a ausência de mitocôndria neandertal em humanos modernos e a presença de 1% a 2% de DNA nuclear neandertal em europeus e asiáticos.

Quais são as evidências principais?

O primeiro padrão observado é a menor frequência de sequências de origem neandertal no cromossomo X de populações não africanas quando comparado aos autosomos. Como o X tem comportamento distinto entre sexos — homens têm apenas uma cópia — ele é mais exposto à seleção em diferentes combinações de herança. Pesquisadores interpretam a escassez de DNA neandertal no X como possível sinal de que cruzamentos entre machos modernos e fêmeas neandertais produziram menos descendência duradoura, ou foram menos frequentes, do que a via inversa.

Além disso, o DNA mitocondrial, transmitido exclusivamente pela mãe, não apresentou sequências identificáveis como neandertais em humanos vivos até agora. Essa ausência reforça a hipótese de que poucas mulheres neandertais deixaram linhagens maternas que persistiram nas populações humanas atuais.

Por fim, o DNA nuclear — elementos do genoma que combinam contribuições de ambos os progenitores — mostra um legado neandertal medido em torno de 1% a 2% no genoma de europeus e asiáticos. Esse aporte confirma episódios de miscigenação, mas não por si só determina a direção predominante das uniões; por isso a análise combinada com X e mitocôndria é crucial.

Explicações demográficas e seletivas

Há duas linhas de interpretação para o padrão observado. A explicação demográfica simples aponta que diferenças nas proporções entre homens e mulheres neandertais e sapiens nas regiões de contato poderiam ter elevado as chances de uniões homens-neandertais com mulheres sapiens. Populações reduzidas, movimentos migratórios e assimetrias locais de sexo influenciam fortemente quem encontra quem em contextos pré-históricos.

Outra possibilidade é a seleção pós-híbrida: variantes genéticas herdadas de neandertais, especialmente no cromossomo X, podem ter reduzido a aptidão de híbridos resultantes de certas combinações sexuais. Se descendentes de cruzamentos entre machos modernos e fêmeas neandertais tivessem menor sobrevivência reprodutiva ao longo de gerações, seus sinais genéticos tenderiam a desaparecer das populações atuais.

Limitações das amostras e interpretações

Pesquisadores e jornalistas destacam que a leitura desses sinais não é unívoca. As amostras de DNA antigo são escassas e geograficamente concentradas em partes da Eurásia, o que cria lacunas temporais e territoriais nas inferências.

Além disso, práticas sociais pré-históricas, como patrilocalidade — em que mulheres mudam de comunidade ao casar — podem gerar padrões genéticos que imitam uma assimetria sexual na miscigenação. Diferenças demográficas entre grupos, episódios locais de mistura em momentos distintos e processos de seleção ambiental também complicam a narrativa direta.

O que a arqueologia acrescenta

Os vestígios arqueológicos confirmam contatos entre neandertais e Homo sapiens em diversos pontos da Eurásia no fim do Pleistoceno. Ferramentas, sítios e sobreposição temporal mostram oportunidades de encontro, mas não registram diretamente a direção social desses contatos.

Por isso, combinar dados arqueológicos com modelos demográficos e genética de populações é essencial para distinguir entre explicações demográficas e seletivas. Estudos recentes têm usado simulações para testar se a redução no X pode ser reproduzida por diferenças na densidade populacional ou por seleção contra variantes híbridas, com resultados que variam conforme parâmetros assumidos.

O que isso significa para populações modernas, inclusive no Brasil

Para leitores brasileiros, a mensagem é explicativa: parte do DNA neandertal presente em brasileiros com ancestralidade não africana deriva desses eventos antigos de miscigenação na Eurásia. A contribuição neandertal não é universal entre todas as linhagens humanas, variando conforme história regional e mistura subsequente.

É importante ressaltar que a presença de 1% a 2% de DNA neandertal não torna indivíduos ‘‘meia neandertal’’ ou similares — trata-se de fragmentos biológicos que podem ter efeitos fenotípicos específicos, positivos ou negativos, ou nenhum efeito mensurável na maioria dos casos.

Próximos passos na pesquisa

O avanço depende da ampliação do número e da distribuição geográfica de genomas antigos, especialmente de regiões atualmente sub-representadas. Métodos mais refinados para detectar seleção pós-híbrida e modelos demográficos que incorporem práticas sociais pré-históricas também são prioridades.

Estudos futuros poderão ajustar estimativas de frequência e direção das uniões e esclarecer se o padrão observado foi generalizado ou dependente de contextos locais e temporais. Novas amostras e técnicas de sequenciamento têm potencial para transformar nossa compreensão em poucos anos.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que a continuidade das pesquisas pode redefinir estimativas e interpretar melhor o papel de fatores sociais e seletivos nas uniões pré-históricas.

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