Decisão judicial impede negociação de papéis do BRB atribuídos a investigados na Operação Compliance Zero.

Justiça bloqueia ações do BRB ligadas a Master e Reag

Medida cautelar determinou indisponibilidade e arresto de ações do BRB em posse de investigados ligados aos grupos Master e Reag; apuração aponta aquisição via terceiros.

A Justiça determinou o bloqueio e o arresto de ações do Banco de Brasília (BRB) que estão em posse de investigados na chamada Operação Compliance Zero. A medida, requerida pela própria instituição financeira, alcança papéis atribuídos a pessoas físicas e jurídicas vinculadas aos grupos Master e Reag.

Segundo a decisão judicial, as ações foram apontadas nos autos como objeto de operações nas quais houve uso de procurações e contratos que, em tese, teriam ocultado os beneficiários finais das transações. A ordem inclui a indisponibilidade dos títulos e a proibição de negociações até esclarecimentos sobre a origem e a regularidade das aquisições.

De acordo com análise da redação do Noticioso360, que cruzou documentos públicos e reportagens de veículos nacionais, a apuração indica que cerca de 25% do capital do BRB pode ter passado a controlar indiretamente por meio de estruturas intermediárias relacionadas ao Master/Reag.

O que diz a decisão

Nos autos, o BRB argumentou que o bloqueio é necessário para resguardar o patrimônio da instituição enquanto se apura se as aquisições respeitaram a legislação societária e as normas de compliance. A peça anexada ao processo aponta indícios de procurações e contratos que teriam mascarado o verdadeiro controlador econômico.

Juristas consultados afirmam que medidas de indisponibilidade e arresto têm caráter cautelar e visam preservar o resultado de eventual demanda judicial ou administrativa. “Essas ordens não são condenatórias; funcionam como mecanismo para evitar dissipação de bens enquanto se investiga a origem dos recursos”, explicou um especialista em direito societário ouvido pela reportagem.

Alvos e alcance do bloqueio

A decisão atinge pessoas e empresas associadas aos grupos Master e Reag. Entre os nomes citados nas reportagens e em petições iniciais aparece o empresário identificado como Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. Representantes do grupo, contudo, negam irregularidades.

Documentos públicos e manifestações juntadas ao processo informam que, além de ações diretamente registradas, foram identificadas transferências envolvendo empresas interpostas que podem ter sido usadas para camuflar a origem dos investimentos.

Quantificação da participação

Levantamento feito pela redação do Noticioso360 com base em fontes abertas e cruzamento de dados indica que cerca de 25% do capital do BRB estaria, em maior ou menor grau, sob influência de agentes vinculados aos grupos investigados. A cifra, segundo apuração, resulta de somas de lotes de ações adquiridos por meio de terceiros e empresas de compra.

Defesa e contestações

Representantes do grupo Master e demais investigados apresentaram defesas em peças processuais, sustentando regularidade nas aquisições e ausência de dolo. Em trechos de manifestações, a defesa argumenta que procurações e contratos observaram requisitos formais e que as operações seguiram a legislação societária vigente.

Por outro lado, o Ministério Público e outras peças juntadas ao processo apontam para a utilização de laranjas e estruturas societárias complexas que, segundo os investigadores, teriam permitido a ocultação do controlador econômico. A investigação busca mapear a cadeia de beneficiários finais e rastrear a origem dos recursos.

Efeitos práticos e mercado

Com o bloqueio, as ações atingidas ficam impedidas de serem negociadas enquanto a decisão estiver em vigor. Isso pode provocar efeitos imediatos na liquidez dos papéis e criar incerteza entre investidores, dependendo do montante de ações indisponibilizadas e da participação nos principais blocos do capital.

Fontes do mercado consultadas pela redação avaliam que, caso uma parcela relevante do free float esteja amarrada por determinações judiciais, pode haver impacto temporário na formação de preço e maior volatilidade até que a questão seja resolvida em instâncias superiores.

Trâmite processual e próximos passos

O bloqueio tem caráter cautelar e pode ser objeto de recursos por parte dos investigados ou mesmo de pedidos de manutenção pela parte autora. Espera-se, nos próximos atos processuais, pedidos de liberação ou contestação do bloqueio em tribunais superiores, além do aprofundamento de perícias para identificar a origem dos recursos.

Se forem confirmadas irregularidades dolosas, os desdobramentos podem incluir medidas penais e administrativas, além de sanções por parte de órgãos reguladores do sistema financeiro. O BRB informou ter adotado medidas internas de compliance e mantido acompanhamento jurídico das ações judiciais.

Contexto investigativo

A Operação Compliance Zero, enquadramento investigativo citado nos autos, concentra apurações sobre a possível aquisição de participações societárias por meio de interpostas pessoas e estruturas que ocultariam controladores finais. Investigações desse tipo costumam envolver perícias contábeis e requisitar cooperação de plataformas de custódia e registros societários.

Segundo fontes jurídicas, a complexidade de estruturas societárias e o uso de contratos bem formalizados podem dificultar a demonstração imediata de fraude, o que torna perícias e diligências essenciais para a apuração dos fatos.

Transparência e checagem

A apuração que resultou nesta reportagem combinou consulta a documentos judiciais públicos, análise de manifestações das partes e cruzamento de notícias veiculadas por meios nacionais. Quando informações não constavam de autos públicos foram indicadas com restrição, preservando nomes que ainda correm sob sigilo e evitando extrapolações sem confirmação documental.

Em contato formal, o BRB afirmou que busca preservar os interesses do banco e de seus clientes, enquanto os investigados mantêm a versão de que as operações foram lícitas e documentadas.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir partes do cenário acionário do BRB e provocar debates sobre governança e compliance no setor financeiro nos próximos meses.

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