Índice de operações vencidas há mais de 90 dias atinge 5,5% em janeiro, pressionado por juros elevados e recuo no crédito.

Inadimplência sobe a 5,5% em janeiro, maior desde 2017

Inadimplência do crédito ao consumidor chega a 5,5% em janeiro, maior patamar desde 2017; alta ocorre com Selic em 15% e menor oferta de empréstimos.

O índice de inadimplência do crédito ao consumidor no Brasil avançou para 5,5% em janeiro, o maior nível desde 2017, segundo os dados oficiais compilados nas estatísticas de crédito. O aumento foi de 0,1 ponto percentual em relação a dezembro e de 1,1 ponto percentual na comparação anual, em um contexto marcado por taxas de juros elevadas e retração nas concessões bancárias.

A apuração do Noticioso360, que cruzou informações do Banco Central e reportagens da Agência Brasil, confirma os números e traz contexto sobre os fatores que explicam a deterioração dos indicadores de crédito.

O que os números mostram

O indicador considerado — operações vencidas há mais de 90 dias — subiu em janeiro e sinaliza pressão sobre a capacidade de pagamento das famílias. A série histórica revela que, além do custo do crédito mais alto, as instituições financeiras registraram redução nas concessões e avanço do spread bancário.

Segundo os dados publicados pelo Banco Central, a maior parte do aumento na inadimplência concentra-se em modalidades com juros mais altos, como cartão de crédito e empréstimos pessoais. Fontes do setor apontam que segmentos de menor renda foram os mais afetados, refletindo maior vulnerabilidade ao aperto das condições financeiras.

Impacto das taxas de juros e do spread

Com a taxa Selic em 15% ao ano no período analisado, o custo do crédito permanece elevado. Isso pressiona o orçamento das famílias que têm dívidas com juros variáveis ou contratos de alto custo, reduzindo o poder de pagamento e elevando o risco de atraso.

Além disso, o aumento do spread bancário — a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes — comprimiu a rotação das carteiras. Em termos práticos, bancos tendem a adotar critérios mais restritivos de concessão, o que reduz o fluxo de novos empréstimos e pode frear a recuperação do consumo.

Leitura das fontes: BC e Agência Brasil

O Banco Central divulga as séries brutas de inadimplência e das operações de crédito, com detalhamento mês a mês das operações vencidas há mais de 90 dias. Os dados técnicos do BC atribuem a evolução a um conjunto de fatores macroeconômicos e ao comportamento das carteiras de crédito.

Já a cobertura jornalística da Agência Brasil contextualiza os números com declarações de analistas e entrevistas que ressaltam o efeito direto do aperto monetário sobre a capacidade das famílias de honrar compromissos. As matérias destacam o impacto mais agudo em famílias de menor renda e em modalidades com juros elevados.

Convergências e divergências

Em termos de números, não foram identificadas divergências entre as séries divulgadas pelo Banco Central e as reportagens da Agência Brasil. Divergências existem, porém, na ênfase: relatórios técnicos do BC tendem a oferecer uma leitura mais estrutural, enquanto a imprensa dá maior destaque a relatos de mercado e efeitos imediatos do aumento da Selic.

De acordo com analistas consultados pela nossa redação, ambas as leituras são compatíveis, mas é preciso separar causa imediata e contexto estrutural. O aperto monetário eleva o custo do crédito no curto prazo; já fatores como composição das carteiras e concentração de risco em segmentos específicos explicam por que a pressão persiste.

Consequências práticas para bancos e consumidores

Para as instituições financeiras, a alta da inadimplência tende a elevar provisões para perdas com crédito, o que pode afetar resultados e reduzir a disposição para liberar novos empréstimos. No curto prazo, espera-se manutenção de políticas de crédito mais conservadoras.

Para os consumidores, especialmente os de menor renda, o cenário pode resultar em maior dificuldade de acesso ao crédito e em custos mais altos para operações rotativas, como cartões. A combinação de juros elevados e renda real pressionada aumenta a probabilidade de atrasos e renegociações.

Sinais por modalidade

As séries indicam que cartões e empréstimos pessoais contribuíram de forma mais expressiva para a alta da inadimplência. Em contraste, operações com garantia ou prazos longos tendem a apresentar desempenho relativamente melhor, ainda que com tendência de piora se a taxa Selic permanecer elevada.

O que acompanhar

O Noticioso360 recomenda seguir as próximas divulgações do Banco Central e comunicados de instituições financeiras sobre provisões e políticas de crédito. Também é necessário observar indicadores de emprego e massa salarial, que influenciam diretamente a capacidade de pagamento das famílias.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Projeção

No médio prazo, se a taxa básica de juros mantiver-se em patamares elevados, a tendência é de persistência da pressão sobre a inadimplência. Bancos podem intensificar critérios de concessão e elevar provisões, resultando em menor oferta de crédito e impacto sobre o consumo.

Por outro lado, uma combinação de melhora no mercado de trabalho e estabilização das taxas poderá reduzir o ritmo de deterioração, especialmente se houver renegociações e programas direcionados a consumidores mais vulneráveis.

Analistas ressaltam que o caminho das políticas monetária e fiscal nos próximos meses será determinante para definir se a atual escalada da inadimplência será temporária ou sinal de endurecimento de uma tendência mais longa.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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