Queda nas despesas de prevenção coincide com onda de temporais em Minas
O governo de Minas Gerais registrou uma redução abrupta na execução de despesas destinadas à prevenção e mitigação dos impactos das chuvas: aproximadamente R$ 135 milhões em 2023 contra cerca de R$ 6 milhões em 2025.
Os números constam no Portal da Transparência do estado e referem-se a despesas efetivamente pagas e lançadas no sistema de execução orçamentária, não apenas às dotações iniciais. A diferença equivale a uma queda próxima a 96% entre os dois anos analisados.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou registros públicos e reportagens locais, a retração na execução dessas verbas ocorreu no mesmo período em que cidades mineiras sofreram temporais com impactos humanos e materiais significativos.
O que mostram os números
Dados públicos apresentados no Portal da Transparência indicam que, em 2023, os gastos classificados em rubricas relacionadas a obras de contenção, drenagem e manutenção de infraestrutura hídrica totalizaram cerca de R$ 135 milhões em pagamentos. Em 2025, a somatória das despesas efetivamente realizadas nessa categoria caiu para pouco mais de R$ 6 milhões.
Essa diferença não decorre apenas de redução de empenhos: a apuração do Noticioso360 verificou que a execução — isto é, o pagamento das despesas — também apresentou retração, o que pode sinalizar menor entrega de obras ou serviços contratados nesses anos.
Impacto dos temporais
O período coincide com uma intensificação de temporais que afetaram várias cidades mineiras. Relatos de imprensa e levantamentos locais apontam para danos significativos em municípios como Juiz de Fora e Ubá.
Segundo reportagens compiladas pela nossa redação, as enchentes e desabamentos causados pelas chuvas deixaram ao menos 30 mortos nessas duas cidades, além de famílias desalojadas e prejuízos em infraestrutura urbana, como pontes, vias e sistemas de drenagem.
Relação entre gastos e vulnerabilidade
Especialistas consultados por veículos locais afirmam que obras preventivas e manutenção de sistemas de drenagem reduzem o risco em áreas urbanas suscetíveis a enchentes. A redução substancial da execução orçamentária pode ter comprometido a manutenção preventiva de locais de risco.
Por outro lado, autoridades estaduais e municipais costumam apontar que eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes, também amplificam os danos e desafiam a capacidade de resposta do poder público.
O que a apuração verificou
A investigação do Noticioso360 confrontou registros do Portal da Transparência com reportagens e notas oficiais. O cruzamento sugere que houve redução efetiva de pagamentos em rubricas associadas à prevenção entre 2023 e 2025.
Entretanto, a análise aponta limitações metodológicas. Reclassificações orçamentárias, transferência de programas entre secretarias e convênios com prefeituras podem alterar a visibilidade das despesas numa rubrica específica. Por isso, a apuração evita afirmações categóricas sem documentos complementares.
Reações e falta de respostas detalhadas
Procuramos, quando disponível, notas do Executivo estadual explicando a evolução das despesas e as ações emergenciais adotadas após os temporais. Até a data desta apuração, não foram localizados registros públicos que justifiquem de forma única e exclusiva a retração dos pagamentos na rubrica de prevenção consultada.
Algumas prefeituras afetadas divulgaram comunicados sobre ações emergenciais e pedidos de apoio, mas não houve, de forma consolidada, uma explicação detalhada do governo do estado sobre a redução observada na execução dessas verbas específicas.
Limitações e próximos passos da investigação
Para estabelecer relações de causa e efeito entre a queda das despesas e a amplificação dos danos, é necessário aprofundar a análise. Passos recomendados incluem solicitar empenhos e notas de empenho, examinar a execução por projeto e convênio, e pedir esclarecimentos formais às secretarias responsáveis por obras e pela defesa civil.
Também é importante acompanhar auditorias do Tribunal de Contas do Estado e pedidos de informação (LAI) que detalhem destinações de recursos e justificativas para eventuais reclassificações orçamentárias.
Contexto político e administrativo
A variação na execução de despesas pode decorrer de decisões administrativas, atrasos em contratos, suspensão de obras por questões técnicas, ou redistribuição de prioridades orçamentárias. Em períodos de crise, o remanejamento de recursos para ações emergenciais pode alterar a execução inicialmente prevista.
Analistas que acompanham finanças públicas alertam, no entanto, que a ausência de manutenção preventiva tende a aumentar o custo social e econômico de desastres naturais quando eles ocorrem.
Fechamento e projeção
A apuração preliminar do Noticioso360 indica uma queda substancial na execução de despesas voltadas à prevenção contra chuvas entre 2023 e 2025 em Minas Gerais, período que coincidiu com temporais graves e mortes em cidades como Juiz de Fora e Ubá.
Sem documentos complementares e explicações oficiais detalhadas, não se pode afirmar, de forma definitiva, que a redução das verbas foi a causa direta dos impactos humanos e materiais. Mas o cruzamento de números e relatos aponta para uma fragilidade na capacidade de manutenção e prevenção que merece investigação aprofundada por órgãos de controle e pela própria administração pública.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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