Auditoria da Receita aponta aumento de 73 vezes no patrimônio declarado de João Carlos Mansur.

Receita aponta irregularidade no salto patrimonial de Mansur

Relatório da Receita aponta aumento de 73 vezes no patrimônio de João Carlos Mansur entre 2019 e 2023; defesa alega origem legal dos recursos.

Receita identifica salto patrimonial

A Receita Federal detectou um aumento extraordinário no patrimônio declarado por João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, entre 2019 e 2023. Segundo o relatório fiscal citado por autoridades, o montante informado em 2023 é cerca de 73 vezes superior ao declarado em 2019.

O caso chamou a atenção da fiscalização por ausência de fontes de renda compatíveis que justifiquem o crescimento em tão curto espaço de tempo. A análise preliminar levou a pedidos de esclarecimento e à abertura de procedimentos administrativos para apurar eventuais omissões ou subdeclarações.

Apuração e curadoria

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em relatórios da Receita e documentos societários públicos, os aumentos concentraram-se em 2023 e envolveram movimentações que não apareceram como renda tributável nas declarações examinadas.

A apuração do Noticioso360 cruzou informações de relatórios fiscais, registros societários e entrevistas com advogados e especialistas tributários. Fontes oficiais consultadas afirmam que o ritmo de valorização patrimonial é incomum e carece de registros de ganhos que o justifiquem.

Dados centrais do relatório

O documento da Receita aponta que o patrimônio declarado por Mansur em 2023 é aproximadamente 73 vezes maior do que o informado em 2019. A auditoria técnica envolveu revisão de declarações do imposto de renda, extratos bancários e cruzamento de dados cadastrais, além de análise de contratos e operações entre empresas ligadas ao ex-executivo.

Movimentações societárias e financeiras

De acordo com a investigação, parte dos recursos transitou por pessoas jurídicas vinculadas à antiga gestora Reag e por empresas coligadas. A Receita passou a analisar operações entre partes relacionadas para verificar se houve tentativa de ocultação de patrimônio ou subdeclaração de renda.

Fontes levantadas pela reportagem indicam que houve aumento de participações societárias, repasses entre veículos corporativos e reavaliações contábeis de ativos em 2023. Nem todas essas operações, porém, aparecem como evento tributável no período analisado, o que motivou a abertura de procedimento fiscal.

O papel das reavaliações de ativos

Representantes ligados a Mansur sustentam que parte do aumento decorre de reavaliações de ativos, retorno de investimentos e repasses societários que seriam lícitos. Advogados ouvidos pelos policiais administrativos afirmam que ganhos puramente contábeis não implicam, automaticamente, em renda tributável.

No entanto, especialistas independentes consultados pelo Noticioso360 lembram que, mesmo quando há reavaliação patrimonial, operações que resultam em movimentação de caixa exigem documentação que comprove a origem dos recursos. A ausência desses registros pode gerar autuações fiscais e multas.

Defesa e versões

A defesa de Mansur afirma que as operações são legais e que as variações patrimoniais obedecem a eventos econômicos legítimos, como venda de participações, laudos de avaliação e contratos de investimento com cláusulas de performance.

Em declarações públicas atribuídas a Mansur, o ex-executivo disse que o crescimento do patrimônio tem explicação em rendimentos de investimentos e operações comerciais. Até o fechamento desta reportagem, no entanto, a defesa não havia apresentado documentação completa que permita verificar todas as transações apontadas pela fiscalização.

Consequências fiscais e jurídicas

Se confirmadas irregularidades, as consequências para Mansur podem incluir autuações por omissão de renda, cobrança de impostos devidos com acréscimos e multas administrativas. Em casos extremos, se houver indícios de simulação ou ocultação dolosa de patrimônio, pode haver desdobramentos penais por crimes contra a ordem tributária.

A Receita tem à disposição dados bancários e informes de instituições financeiras que embasam a investigação administrativa. O processo segue com medidas cautelares enquanto a defesa apresenta documentos e esclarecimentos no âmbito administrativo.

Impacto no mercado e na governança

Para o mercado e investidores, o caso ressalta a importância de transparência societária e controles internos robustos em gestoras de recursos. Especialistas apontam que falhas de compliance e lacunas em controles podem amplificar riscos reputacionais e regulatórios.

Próximos passos da apuração

A Receita deve concluir a instrução do processo administrativo e, caso permaneçam dúvidas, lavrar autos de infração. A defesa poderá apresentar recursos e produzir prova pericial, como laudos de avaliação patrimonial e extratos bancários que justifiquem as movimentações.

Ao mesmo tempo, o Noticioso360 pediu acesso aos autos administrativos sempre que permitido por lei e busca entrevistas com representantes da Receita e da defesa para atualizar a apuração conforme surjam novos documentos ou decisões.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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