Dirigentes do PL e do União Brasil admitiram, em reunião privada com empresários em São Paulo, que vão buscar articular para que a proposta que extingue a chamada “escala 6×1” não chegue a voto no Plenário da Câmara antes das eleições.
Segundo relatos de participantes do encontro, a estratégia passa por manter a tramitação do texto em comissões ou postergar a inclusão do tema na ordem do dia — táticas que podem adiar uma decisão formal e reduzir exposição política no período pré-eleitoral.
Curadoria: De acordo com levantamento e cruzamento de informações realizados pela redação do Noticioso360, a movimentação foi descrita em diferentes tons por pessoas presentes, que variaram entre planejamento cauteloso e avaliação de risco de derrota.
O que está em discussão
A expressão “escala 6×1” refere-se a um regime de jornada no qual o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de descanso. Vários projetos que tramitam no Congresso propõem alterações a regimes setoriais de jornada; cada proposta tem alcance e dispositivos próprios — por isso é necessário consultar o texto em tramitação para verificar setores afetados.
Como os líderes planejam a obstrução
No Legislativo, o avanço de proposições ao Plenário depende de decisões de comissões, acordos de líderes e da presidência da Casa. Fontes ouvidas afirmam que a estratégia conjuga duas frentes:
- Manter o projeto em comissões, adiando a apresentação de relatório ou votações decisivas;
- Negociar com a presidência da Câmara e com líderes de bancada a não inclusão imediata do item na ordem do dia do Plenário.
Essas manobras não são inéditas e costumam ser usadas quando há cálculo eleitoral ou receio de derrota pública. “Seria avassaladora”, disse trecho citado por participantes sobre a avaliação de um possível resultado no Plenário — frase que circulou entre relatos, mas cuja gravação não foi encontrada pela apuração até o momento.
Por que eles temem levar a voto
Dirigentes consultados no evento demonstraram preocupação com o impacto político de uma derrota pública: além de repercussão negativa junto a setores específicos, uma derrota poderia ser usada por adversários eleitorais para narrativas de fragilidade do bloco governista.
Fontes internas e dirigentes relataram que o objetivo é reduzir a exposição do tema no período pré-eleitoral e preservar acordos com aliados, minimizando riscos que consideram desnecessários na retórica de campanha.
Protagonistas e o papel das bancadas
Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, e Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, foram citados como protagonistas da articulação durante o encontro em São Paulo. Participantes relataram a ambos preocupação com o potencial efeito político de uma votação desfavorável.
Além das lideranças partidárias, as bancadas setoriais e representantes de categorias que seriam afetadas pela mudança na jornada também desempenham papel central na negociação. Grupos empresariais que participaram do encontro teriam ouvido explicações sobre o cálculo político e as possíveis consequências econômicas da mudança.
Divergências e limites da apuração
Há diferenças relevantes nas versões obtidas: alguns presentes descrevem as falas como estratégicas e cautelosas, enquanto outros relatam previsões mais contundentes de derrota caso o assunto fosse levado ao Plenário.
Até o fechamento desta checagem não foram encontradas notas oficiais das presidências do PL e do União Brasil confirmando a estratégia específica de obstrução. Também não foi possível localizar transcrições públicas ou gravações integrais do evento citado. A apuração do Noticioso360 se baseou em relatos verificados e em cruzamento com práticas parlamentares conhecidas.
Implicações para trabalhadores e para o calendário político
Se a pauta for adiada, pode haver impacto prático para trabalhadores de setores afetados: incerteza sobre horários, regras de compensação e planejamento de jornadas. Por outro lado, o adiamento protege lideranças partidárias de um confronto legislativo durante o período em que a opinião pública está mais sensível por conta das eleições.
Politicamente, a movimentação pode preservar acordos e reduzir exposição de riscos; institucionalmente, no entanto, o adiamento por razões eleitorais tende a ser questionado por atores que defendem rapidez na tramitação de direitos e regras laborais.
O que verificar agora
Para confirmar integralmente a narrativa, o Noticioso360 recomenda checar três fontes principais:
- O texto do projeto em tramitação no site da Câmara dos Deputados para confirmar alcance e setores impactados;
- Comunicados e notas oficiais das presidências do PL e do União Brasil sobre a estratégia de votação;
- Registros do evento em São Paulo, incluindo listas de presença e possíveis gravações feitas por participantes.
Fechamento e projeção
Se os líderes partidários conseguirem postergar a votação, a matéria pode permanecer fora da agenda do Plenário pelo menos até o período eleitoral, alterando prazos e prioridades legislativas. Por outro lado, um adiamento prolongado corre o risco de gerar reclamação pública e mobilização das categorias afetadas, o que pode reacender o tema após as convenções e no início do próximo ciclo legislativo.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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