Medellín anunciou um projeto para a construção da que a Prefeitura define como a primeira “megaprisão” da Colômbia: um complexo penitenciário com capacidade declarada superior a 1.300 detentos e regime de controle rígido. O comunicado municipal, divulgado em 20 de fevereiro de 2026, aponta que a obra pretende responder ao crescimento da população carcerária e aos índices de criminalidade local.
Segundo análise da redação do Noticioso360, a proposta combina aumento de vagas prisionais com protocolos de isolamento e centralização do controle de internos, conceitos alinhados a práticas observadas em países da América Central. A comparação com o chamado “modelo Bukele” foi citada explicitamente pela Prefeitura como referência.
O projeto anunciado
De acordo com o comunicado oficial, o complexo terá setores com controle de visitas, circuitos reforçados de vigilância e operação integrada com forças policiais. A administração municipal argumenta que a estrutura permitirá separar pessoas presas por grau de periculosidade, reduzindo a atuação de organizações criminosas dentro das unidades.
As declarações enfatizam a necessidade de ampliar a capacidade física do sistema penitenciário e melhorar a logística de transferência e custódia. No entanto, o documento traz poucas informações técnicas: não especifica cronograma detalhado, custo total, empresas contratadas ou mecanismos de financiamento vinculados à obra.
Referência ao modelo de El Salvador
A menção ao “modelo Bukele” refere-se a medidas implementadas em El Salvador para contenção de gangues e encarceramento em larga escala. Reportagens internacionais e estudos de caso apontam que a estratégia salvadorenha produziu, em curto prazo, resultados no enfraquecimento das facções e na redução de ataques criminais.
Por outro lado, análises de organismos de direitos humanos e especialistas internacionais criticam práticas associadas ao modelo, como confinamento estrito, restrições amplas a visitas e limitações ao acompanhamento judicial. Esses elementos geram preocupação sobre potenciais violações de garantias processuais e de condições dignas de detenção.
O que o Noticioso360 verificou
Na checagem cruzada entre o comunicado municipal e coberturas internacionais, a redação do Noticioso360 identificou lacunas factuais relevantes: ausência de dados precisos sobre orçamento, prazos, seleção de empresas e critérios para transferência de detentos.
Também não foram tornados públicos estudos de impacto social ou ambiental vinculados à obra, nem cláusulas contratuais que garantam auditoria independente. Essas omissões dificultam a avaliação do alcance real das medidas e dos mecanismos de controle externo sobre a administração do complexo.
Críticas e riscos apontados por especialistas
Organizações de direitos humanos consultadas em reportagens internacionais alertam para o risco de que a expansão da capacidade prisional, sem políticas paralelas de reinserção social, transforme a ampliação em endurecimento das condições de detenção.
Especialistas recomendam que qualquer obra dessa natureza venha acompanhada de programas sólidos de assistência jurídica, educação, trabalho e saúde mental, além de sistemas independentes de fiscalização e canais para denúncias. Sem esses componentes, dizem, há risco de agravamento de violações e de reincidência penal.
Resposta da Prefeitura
A administração municipal afirma que o projeto seguirá normas nacionais e protocolos de direitos humanos e que haverá supervisão administrativa. Em nota, representantes destacaram que a obra é necessária para proteger a população e garantir a segurança pública.
Enquanto a Prefeitura ressaltou a intenção de separar presos por grau de periculosidade e melhorar a logística penitenciária, não apresentou detalhes sobre mecanismos de transparência, cláusulas contratuais para auditoria independente ou parcerias com organismos de direitos humanos.
Lacunas e perguntas sem resposta
Entre as principais questões ainda em aberto estão: qual será o custo final e a origem do financiamento; qual o cronograma preciso de obras; quais empresas disputarão as licitações; e que critérios serão usados para transferir internos para o novo complexo.
Além disso, não há, até o momento, divulgação pública de análises de impacto social ou ambiental — instrumentos essenciais para avaliar riscos a comunidades vizinhas e a eficácia das medidas propostas.
Próximos passos esperados
A reportagem do Noticioso360 solicitou esclarecimentos formais à Prefeitura sobre financiamento, cronograma e garantias de direitos e aguarda resposta. Espera-se abertura de processos de licitação, publicação de contratos e eventual participação de organismos independentes para monitoramento.
ONGs especializadas e instâncias internacionais poderão conduzir análises de impacto de direitos humanos e, se necessárias, acionar o Ministério Público ou o Judiciário para averiguação de irregularidades. A mobilização da sociedade civil também deve exigir maior transparência.
Conclusão e projeção
O anúncio de Medellín coloca em debate a tensão entre demandas por segurança pública e a proteção de garantias fundamentais. A proposta de uma megaprisão, inspirada em experiências de outros países, abre caminho para um choque de prioridades que exigirá monitoramento atento.
Nos próximos meses, a evolução do projeto — da publicação de editais à composição das equipes gestoras — será determinante para entender se a iniciativa resultará em redução efetiva da criminalidade sem comprometimento de direitos. A falta de dados públicos, até aqui, é o principal ponto a ser acompanhado.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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