Estudos associam consumo moderado (2–4 xícaras/dia) a menor risco de demência, mas não provam causalidade.

Quanto café ou chá reduz o risco de demência?

Apuração mostra associação entre 2–4 xícaras de café/chá ao dia e menor risco de demência; evidência é observacional e exige cautela.

Pesquisas observacionais de grande escala têm sugerido que quem bebe café ou chá com moderação apresenta um risco menor de desenvolver demência ao longo das décadas. A associação aparece em vários estudos populacionais, muitas vezes descrita como uma curva em U: consumo moderado — nem pouco nem excessivo — parece corresponder ao menor risco observado.

Segundo análise da redação do Noticioso360, que compilou e avaliou desenhos, populações e resultados de reportagens e artigos científicos sobre o tema, a mensagem central é de prudência: há sinais consistentes de associação, mas as observações não constituem prova de relação causal.

O que mostram os estudos

Vários levantamentos e coortes acompanhando idosos por anos identificaram uma redução relativa no risco de demência entre consumidores regulares de café e/ou chá. Em muitas séries, o intervalo associado ao melhor resultado situa-se entre cerca de 2 e 4 xícaras por dia.

Algumas diferenças culturais e metodológicas aparecem entre os estudos. Pesquisas em populações asiáticas, por exemplo, destacam efeitos do chá — especialmente chá verde e chá preto — enquanto estudos europeus e norte-americanos frequentemente identificam associações com café filtrado. Bebidas adoçadas ou acompanhadas de creme e açúcar tendem a apresentar efeitos mais imprevisíveis.

Possíveis mecanismos biológicos

Pesquisadores apontam compostos bioativos do café e do chá que podem explicar efeitos protetores em teoria: a cafeína, polifenóis e flavonoides têm propriedades anti‑inflamatórias e antioxidantes. Eles também podem influir na vigilância cognitiva, no metabolismo e em vias vasculares relacionadas ao risco de doença neurodegenerativa.

Limitações e vieses

Especialistas consultados nas reportagens lembram problemas clássicos das análises observacionais. Pessoas que bebem café moderadamente podem ter estilos de vida mais saudáveis, maior escolaridade, melhor acesso a serviços de saúde e padrões de atividade física diferentes daqueles que consomem pouco ou nada — fatores que por si só reduzem o risco de demência.

Além disso, a chamada inversão de causalidade é uma preocupação real: sinais iniciais de declínio cognitivo (alterações no olfato, sono ou apetite) podem levar a uma diminuição do consumo de café ou chá antes do diagnóstico formal, o que gera uma associação espúria.

Há também heterogeneça metodológica: definições distintas de “xícara” (volume), variações no preparo (expresso, filtrado, instantâneo, chá forte ou fraco), duração do seguimento e critérios diagnósticos para demência. Essas diferenças complicam a identificação de uma “dose ideal”.

O que dizem as análises causais

Para superar vieses, pesquisadores recorrem a métodos como randomização mendeliana e ensaios clínicos quando possível. Estudos baseados em genética ainda são limitados e trazem resultados variados, sem consenso robusto que confirme efeito causal claro do café ou do chá na prevenção da demência.

Em suma, a evidência causal permanece incerta: associações são observadas com frequência, mas não há prova definitiva de que aumentar o consumo reduza o risco.

Implicações práticas para leitores e clínicos

Da perspectiva clínica, a interpretação é pragmática. Não há base sólida para recomendar que pessoas aumentem o consumo de café ou chá exclusivamente para reduzir risco de demência. Por outro lado, integrar consumo moderado dessas bebidas em um estilo de vida saudável — controle da pressão arterial, tratamento de diabetes, prática regular de atividade física, dieta equilibrada e estímulo cognitivo — é compatível com a literatura atual.

Vale ressaltar riscos do consumo excessivo de cafeína: insônia, ansiedade, desconforto gastrointestinal e arritmias em indivíduos suscetíveis. Pacientes com condições cardiológicas ou sensibilidade à cafeína devem seguir orientação médica individualizada.

Diferenças por tipo de bebida

Alguns estudos sugerem que o chá verde, amplamente consumido em países asiáticos, oferece benefícios consistentes provavelmente relacionados a polifenóis específicos. Já no caso do café, a forma de preparo (filtrado versus não filtrado) e os acréscimos (açúcar, cremes) modificam o perfil de risco.

O que a redação recomenda

Com base nas evidências disponíveis e na avaliação do desenho dos estudos, a redação do Noticioso360 recomenda cautela: adotar consumo moderado (em torno de 2–4 xícaras/dia, considerando o tamanho da xícara e a concentração) pode fazer parte de um padrão alimentar saudável, mas não deve ser visto como intervenção isolada para prevenção de demência.

Profissionais de saúde devem priorizar intervenções com evidência mais robusta para redução do risco: controle da pressão arterial, manejo do diabetes, cessação do tabagismo, promoção de atividade física e estímulos cognitivos ao longo da vida.

Projeção futura

Pesquisadores destacam a necessidade de estudos longitudinais bem desenhados, com padronização de medidas de consumo, especificação dos tipos de bebida e duração adequada de seguimento. Ensaios de intervenção e análises genéticas em larga escala podem clarificar se a relação observada é realmente causal.

Se investigações futuras confirmarem efeito protetor real, recomendações de saúde pública poderão incorporar orientações mais precisas sobre quantidade e tipo de bebida. Por ora, a combinação de moderado consumo de café ou chá com outras medidas de prevenção oferece o caminho mais sensato.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Especialistas indicam que novas evidências podem alterar recomendações de prevenção nas próximas décadas.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima