Pesquisadora afirma que cortes na UFRJ levaram à perda de pedido internacional sobre polilaminina.

Polilaminina: pesquisadora diz perder pedido de patente

Noticioso360 não encontrou registro público do número internacional até 21/02/2026; apuração segue aberta.

Uma pesquisadora identificada apenas como Tatiana afirmou, em entrevista ao programa Conversas com Hildgard Angel (TV 247) em 24 de janeiro de 2026, que um pedido internacional de patente ligado a um compósito chamado “polilaminina” deixou de vigorar após cortes orçamentários na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo a pesquisadora, o pedido nacional foi protocolado e, dentro dos prazos legais, teria sido submetido à via internacional. Ainda de acordo com sua versão, a interrupção de recursos na instituição teria impedido o pagamento de etapas subsequentes — traduções, taxas ou entradas em fases nacionais — que mantêm a proteção em vigor.

Em checagem inicial do material da entrevista, encontrou-se o trecho em que Tatiana relata a sequência de protocolos e a alegada consequência administrativa. De acordo com levantamento da redação do Noticioso360, contudo, não foi possível identificar, até 21 de fevereiro de 2026, um registro público vinculado de forma inequívoca ao termo “polilaminina” ou ao nome divulgado que confirme a perda do pedido internacional.

O que a apuração verificou

A equipe do Noticioso360 conduziu a apuração em três frentes: revisão direta do trecho da entrevista; busca em bases oficiais de propriedade intelectual; e verificação do contexto de cortes orçamentários que têm afetado universidades federais.

Revisão da declaração

O trecho exibido no programa (24/01/2026) foi localizado e transcrito para garantir fidelidade à fala. Tatiana afirma que houve pedido nacional e que, posteriormente, foi apresentado pedido internacional dentro do prazo previsto pelo Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes (PCT).

Consulta a bases oficiais

Foram consultadas a plataforma PATENTSCOPE da WIPO (Organização Mundial da Propriedade Intelectual) e os registros públicos do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Até a data de 21/02/2026, as buscas realizadas a partir do nome público citado na entrevista e do termo técnico “polilaminina” não apontaram um número PCT ou uma sequência de fase nacional que permita confirmar, de modo público e inequívoco, a existência e o posterior arquivamento do pedido internacional.

É importante ressaltar que pedidos via PCT exigem passos administrativos após a publicação internacional: entrada em fase nacional, tradução quando exigida e pagamento de taxas. A ausência de um número de protocolo público ou de identificação formal do depositante dificulta a rastreabilidade do processo.

Contexto dos cortes orçamentários

Há documentação pública e ampla cobertura jornalística demonstrando que cortes no orçamento federal impactaram universidades, incluindo a UFRJ, nos últimos anos. Matérias, comunicados institucionais e notas oficiais apontam efeitos sobre projetos, manutenção de laboratórios e bolsas de pesquisa.

Por outro lado, estabelecer relação direta entre um corte específico e o arquivamento de um pedido de patente exige documentos que comprovem: ausência de pagamento por indisponibilidade de recursos, comunicação formal do INPI ou da WIPO informando o arquivamento por não cumprimento de prazos, ou troca de correspondência que confirme o impedimento administrativo.

Divergências e lacunas

A versão apresentada por Tatiana descreve uma sequência plausível: pedido nacional, protocolo internacional e interrupção administrativa por falta de recursos. No entanto, até a data de verificação, as bases oficiais não apresentam registro público que confirme essa versão.

Isso gera uma divergência entre a declaração pessoal — que pode ser verdadeira em termos factuais internos ao grupo de pesquisa — e a documentação pública acessível que permita a confirmação independente do estado do pedido internacional.

Recomendações para avançar na apuração

  • Solicitar formalmente à pesquisadora o número do pedido nacional e internacional (caso exista) e eventuais comprovantes de protocolo.
  • Pedir posição oficial ao INPI e à WIPO sobre a existência de pedido relacionado ao termo “polilaminina” ou ao nome da pesquisadora, incluindo eventuais arquivamentos por falta de pagamento ou não entrada em fases nacionais.
  • Requerer à UFRJ esclarecimentos públicos sobre impedimentos financeiros que possam ter afetado pagamentos relacionados à proteção intelectual, bem como solicitações internas e comunicações com o escritório de patentes.
  • Buscar contratos, recibos ou correspondência que demonstrem perda de prazos ou comprovem a impossibilidade de arcar com taxas.

O que isso significa para pesquisa e inovação

Se confirmada, a perda de um pedido internacional por falta de pagamento revelaria um ponto crítico: a fragilidade da proteção intelectual diante de restrições orçamentárias em instituições públicas. Isso pode desencorajar parcerias, investimentos e o fortalecimento de cadeias de inovação ligadas a centros acadêmicos.

Mesmo sem confirmação documental, a narrativa ecoa um problema recorrente no país: a tensão entre políticas públicas de fomento à pesquisa e restrições orçamentárias que afetam resultados tangíveis, como a manutenção de pedidos de patente.

Próximos passos na cobertura

A apuração segue aberta. O Noticioso360 já solicitou esclarecimentos formais ao INPI, à WIPO e à UFRJ, além de pedir à pesquisadora a apresentação dos números de protocolo e de qualquer documento que comprove a perda do pedido internacional.

Quando obtidas, as respostas serão adicionadas a esta reportagem para oferecer confirmação documental ao leitor.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas e bases oficiais consultadas.

Analistas apontam que o caso pode reduzir o apetite por projetos de alto custo administrativo nas universidades e influenciar debates sobre financiamento à inovação nas próximas temporadas.

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