Mãe diz que família se isolou após ataques nas redes; adolescente é o único indiciado na investigação.

Cão Orelha: família vive reclusa após ameaças

Mãe afirma que família vive reclusa por ameaças; Polícia Civil indiciou um adolescente e o MP pediu diligências complementares.

Uma família de Florianópolis afirma viver em reclusão desde que imagens que mostrariam agressão ao cão conhecido como Orelha ganharam circulação nas redes sociais. O episódio teria ocorrido na faixa de areia da Praia Brava e provocou ampla repercussão pública e investigações policiais.

Segundo o boletim de ocorrência e nota oficial da Polícia Civil de Santa Catarina, um adolescente de 15 anos foi indiciado como único suspeito no procedimento. O documento registra a instauração de inquérito e aponta a necessidade de perícias para confirmar autoria e circunstâncias do caso.

De acordo com levantamento e curadoria da redação do Noticioso360, a apuração cruzou informações da Polícia Civil, do Ministério Público de Santa Catarina e do material fornecido por usuários que acompanharam o episódio. As fontes oficiais observam que a investigação ainda está em fase preliminar.

O relato da família e o impacto das redes

A mãe do adolescente relatou à reportagem que, desde a viralização das imagens, mensagens de ódio e ameaças tornaram a rotina doméstica insustentável. Segundo ela, saídas e contatos públicos foram reduzidos por receio de represálias.

“Estamos com medo. Isso virou um linchamento virtual”, afirmou a mulher, que pediu para preservar a identidade do filho por se tratar de menor de idade. A defesa da família diz que aguarda o resultado das perícias e nega intenção deliberada de causar dano.

Procedimento policial e pedido do Ministério Público

Em nota, a Polícia Civil informou que indiciou o adolescente com base em elementos colhidos até o momento, mas destacou a necessidade de complementação pericial e de ouvidas de testemunhas para consolidar a cena. O inquérito permanece em andamento.

O Ministério Público de Santa Catarina, por sua vez, encaminhou ofício pedindo diligências adicionais antes de se manifestar sobre eventual representação ou aplicação de medidas socioeducativas. Entre as solicitações constam a coleta de imagens extras, oitiva de testemunhas presenciais e a juntada de laudos periciais que esclareçam a dinâmica dos fatos.

Perícias e elementos técnicos

Fontes do processo indicam que as investigações podem incluir análise detalhada de vídeos, avaliações de qualidade das imagens, verificação de áudios e comparação com eventuais registros anteriores. Peritos podem também avaliar sinais de agressão prévia no animal e outras evidências que confirmem a materialidade do delito.

Especialistas consultados em casos semelhantes ressaltam que decisões baseadas exclusivamente em vídeos com baixa resolução são risco para a correta identificação de autores. Por isso, a recomendação é ampliar a base probatória antes de medidas definitivas.

Contradições e versões diferentes

Relatos de moradores e testemunhas apresentaram versões discrepantes sobre a dinâmica do episódio. Enquanto alguns mencionaram um confronto verbal que teria antecedido a ação, outros descreveram um ato isolado, sem provocação. A apuração do Noticioso360 não encontrou, até o momento, elementos públicos que unifiquem todas as versões.

Essa multiplicidade de relatos é um dos motivos apontados pelo Ministério Público para a solicitação de diligências complementares. A consolidação de depoimentos formais e a comparação entre imagens e declarações passam a ser passos essenciais para esclarecer a autoria e o contexto.

Aspecto jurídico: menor de idade e sigilo

Por envolver um adolescente, as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) condicionam a divulgação de detalhes e impõem sigilo sobre identificação do possível autor. Procedimentos no Juizado da Infância e Juventude priorizam medidas socioeducativas e acompanhamento técnico, em vez de penas privativas de liberdade aplicáveis a adultos.

Advogados que atuam em casos análogos afirmam que o foco costuma ser reabilitador: responsabilização proporcional, acompanhamento psicológico e, quando cabível, reparação do dano ao animal. A natureza do ato, a gravidade e a ocorrência de antecedentes são fatores considerados pelo Judiciário.

Pressão pública e riscos de exposição

A repercussão nas redes sociais e a mobilização de grupos protetores de animais pressionaram autoridades a agir com rapidez. No entanto, essa exposição também eleva o risco de identificação indevida do menor e de testemunhas, além de potencialmente contaminar a coleta de provas e depoimentos.

Especialistas em direito e proteção de crianças ouvidos em reportagens semelhantes orientam que o equilíbrio entre celeridade investigativa e preservação de direitos fundamentais é essencial para evitar danos maiores.

O que a investigação pode determinar

Com as diligências solicitadas pelo Ministério Público, autoridades devem buscar consolidar a materialidade do fato (a confirmação de que houve agressão) e a autoria (quem praticou). Laudos periciais em vídeo, depoimentos formais e eventual comprovação de agressões anteriores são etapas previstas.

Enquanto isso, a Polícia Civil mantém o adolescente como único indiciado conforme o documento oficial, mas as medidas finais dependem do andamento das perícias e das manifestações do MP.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Projeção

Nas próximas semanas, a tendência é que o caso evolua em duas frentes: técnica, com a conclusão de perícias e oitiva de testemunhas; e institucional, com eventual decisão do Ministério Público sobre o oferecimento de representação ou de medidas socioeducativas. Decisões tendem a priorizar reabilitação e medidas protetivas ao adolescente.

Analistas e operadores do direito avaliam que esse tipo de investigação, quando bem conduzido, pode servir de parâmetro para procedimentos futuros envolvendo menores e denúncias viralizadas nas redes, sobretudo no que diz respeito à preservação de direitos e à robustez da prova.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que o desdobramento pode influenciar debates sobre responsabilização de menores e a atuação em casos que ganham grande repercussão online.

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