O ministro Dias Toffoli foi apontado em material jornalístico como beneficiário de valores supostamente originados da venda da participação societária da empresa Maridt no resort Tayaya. A peça que circulou junto à nossa redação afirma que a operação teria envolvido um fundo com ligação ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e que, na sequência, houve repasses para o ministro.
Segundo análise da redação do Noticioso360, realizada a partir do conteúdo recebido e de checagens em bases públicas e veículos de grande circulação, não foi encontrada confirmação pública direta e identificável que reproduza integralmente essa narrativa.
O que foi alegado
O texto encaminhado à nossa redação relata dois eventos encadeados: primeiro, a venda da participação da Maridt no resort Tayaya a um fundo com eventual ligação ao empresário Daniel Vorcaro; segundo, o repasse de quantias ao ministro Dias Toffoli provenientes dessa transação. A comunicação original citava apenas “um jornal” como fonte, sem identificação inequívoca da publicação ou apresentação de documentos que comprovassem as etapas descritas.
Como investigamos
A apuração do Noticioso360 cruzou o material recebido com buscas em portais de notícias e bases públicas. Foram consultados G1, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Reuters, BBC Brasil, CNN Brasil, Valor Econômico, Deutsche Welle e Agência Brasil, além de registros societários e declarações de bens públicas disponíveis.
Também foram pesquisadas, quando acessíveis, atas societárias, registros de transferência de cotas e documentos cartoriais que poderiam demonstrar a cadeia de titularidade do ativo e quaisquer anotações sobre transferência de recursos vinculadas à operação.
Verificações e limitações
Não localizamos, até o fechamento desta apuração, matérias ou documentos públicos que comprovem, de forma imediata e identificável, a sequência de fatos apontada no material recebido (venda pela Maridt → fundo ligado a Vorcaro → repasse ao ministro).
Importante destacar que a ausência de achados públicos nas fontes consultadas não equivale a prova contrária: significa que a versão recebida não foi corroborada por outras publicações ou por documentos oficiais acessíveis à nossa equipe até o momento.
Dois pontos centrais pendentes
- A identificação clara da publicação que reportou originalmente o caso e a apresentação das evidências documentais que embasaram essa reportagem;
- A comprovação formal das operações financeiras atribuídas, como contratos de venda, extratos, recibos ou declarações que permitam traçar a cadeia dos valores.
O que encontramos nas fontes públicas
As buscas por reportagens em veículos nacionais de grande circulação — como G1, Folha, Estadão, Reuters e outros — não retornaram material que confirme integralmente a narrativa recebida. Também não foram localizados, nas bases públicas consultadas, registros de transferências de cotas ou documentos cartoriais que estabeleçam, de forma pública e acessível, a cadeia de titularidade do resort Tayaya vinculada ao repasse reclamado.
Além disso, não se encontraram declarações de bens públicas ou registros fiscais disponibilizados por fontes oficiais que indiquem o recebimento, por parte do ministro, de quantias associadas à operação em questão.
Contexto e implicações
Se confirmados documentalmente, repasses entre pessoas físicas e empresas relacionados a operações societárias podem ter desdobramentos em esfera fiscal e implicações em termos de transparência pública, principalmente quando envolvem autoridades. A forma como valores foram declarados, tributados e registrados é central para qualquer avaliação jurídica ou ética.
Por outro lado, alegações sem comprovação documental exigem cautela editorial: a publicação de imputações sobre movimentações financeiras pessoais deve ser baseada em provas ou em declarações oficiais verificáveis.
Recomendações para avanço da apuração
- Identificar publicamente a reportagem-fonte e solicitar acesso à documentação que embasou a publicação original;
- Solicitar esclarecimento formal ao ministro Dias Toffoli e à empresa Maridt sobre a natureza dos valores e eventual declaração às autoridades fiscais;
- Consultar registros societários e cartoriais para mapear a operação de venda do resort Tayaya e eventuais alterações recentes na composição societária;
- Verificar declarações de bens públicas e prestar atenção a eventuais retificações ou processos judiciais que possam trazer documentos relacionados.
Transparência editorial
Esta checagem foi realizada com base no conteúdo encaminhado à redação e em buscas em veículos e bases públicas citadas. Mantemos o compromisso com a correção e atualizaremos esta apuração caso surjam documentos ou respostas oficiais que confirmem ou refutem as alegações.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
- G1 — 2026-02-12
- Folha de S.Paulo — 2026-02-12
- O Estado de S. Paulo — 2026-02-12
- Reuters — 2026-02-12
- BBC Brasil — 2026-02-12
- CNN Brasil — 2026-02-12
- Valor Econômico — 2026-02-12
- Deutsche Welle — 2026-02-12
- Agência Brasil — 2026-02-12
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