Idoso perde R$ 150 mil após promessas de cura espiritual
Um homem idoso foi vítima de um golpe que resultou na perda de aproximadamente R$ 150 mil, segundo investigação do 7º Distrito Policial de Santos (SP). A suspeita, que atuava com o nome falso de “Lúcia”, se apresentava como espírita e cobrava por leituras de cartas e búzios, além de supostos rituais de proteção.
As transferências e pagamentos ocorreram ao longo de meses, conforme boletim de ocorrência e depoimentos colhidos pela polícia. As quantias teriam sido solicitadas em diferentes momentos com justificativas diversas — compra de “produtos espirituais”, despesas com rituais e pagamento a terceiros envolvidos nos procedimentos.
De acordo com levantamento da redação do Noticioso360, que cruzou informações publicadas pelo G1 e pela CNN Brasil, a investigação identificou os principais pontos de contato entre a vítima e a investigada e confirmou a ação policial nos endereços vinculados a ela.
Como o esquema funcionava
Segundo a apuração, as primeiras consultas tinham caráter aparentemente inofensivo e visavam criar vínculo de confiança com a vítima. Em seguida, surgiam pedidos de valores crescentes, sempre sob a justificativa de garantir cura, proteção ou retirar “influências negativas”.
Fontes policiais ouvidas indicam que a vítima, fragilizada pela idade e pela promessa de solução para problemas de saúde e pessoais, passou a autorizar transferências bancárias e pagamentos em dinheiro. Somadas, essas operações chegaram ao montante informado no inquérito policial.
Indiciamento por estelionato qualificado
O 7º Distrito Policial de Santos concluiu o inquérito e indiciou a suspeita por estelionato qualificado. O indiciamento, segundo a autoridade policial, significa que há elementos suficientes para formalizar suspeita, mas não equivale a condenação.
Especialistas em direito consultados para contextualizar o caso lembram que, na tipificação por estelionato qualificado, é preciso demonstrar que o acusado usou artifícios ou falsas promessas para obter vantagem ilícita. O inquérito segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá se oferece denúncia à Justiça.
Buscas e apreensões
Durante as diligências, realizadas em imóveis ligados à investigada, as equipes policiais apreenderam materiais associados a rituais e também animais — entre eles uma galinha e um pombo. Os itens foram registrados em laudos e integraram as provas do inquérito.
A apreensão teve duplo objetivo: retirar elementos que poderiam servir à continuidade do suposto esquema e subsidiar tecnicamente a investigação. Documentos e registros de movimentações financeiras foram igualmente solicitados pelas autoridades para traçar o fluxo de recursos.
Versões e cautela na consolidação do valor
Veículos locais relataram o total de R$ 150 mil com base no boletim inicial da polícia. No entanto, entrevistas com familiares e testemunhas em reportagens apontaram que as quantias foram acumuladas em diferentes datas e transações, o que pode gerar pequenas variações no montante final.
A redação do Noticioso360 adotou cautela ao consolidar o valor, cruzando boletins, depoimentos e reportagens publicadas. A prática busca refletir com precisão o que consta em documentos oficiais e em relatos de envolvidos, sem antecipar conclusões.
Posicionamentos e ausência de defesa
Ao longo da apuração, foram solicitados esclarecimentos à Polícia Civil sobre o andamento processual e à defesa da investigada. Até o fechamento desta matéria não havia manifestação pública formal da representação legal da suspeita que justificasse os recebimentos como legítimos ou apresentasse documentação de origem dos recursos.
Autoridades reforçam que o indiciamento representa etapa processual e que o direito de defesa será assegurado no curso do procedimento penal. Caso a denúncia seja aceita pelo Ministério Público, o caso terá sequência na esfera judicial.
Impacto sobre vítimas idosas
O episódio chama atenção para a vulnerabilidade financeira de pessoas idosas diante de práticas de exploração emocional. Familiares ouvidos em reportagens destacaram mudanças no padrão de gastos e transferências repetidas que, em alguns casos, só foram notadas tardiamente.
Profissionais que atuam na proteção ao idoso recomendam monitoramento de contas, diálogo frequente entre parentes e exigência de documentação sempre que houver solicitações de valores elevados vinculadas a serviços religiosos ou espirituais.
Medidas de prevenção
Especialistas consultados sugerem medidas práticas: estabelecer limites para transações, checar referências de pessoas que oferecem tratamentos e desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro. Além disso, registrar boletim de ocorrência ao primeiro indício de golpe e procurar delegacias especializadas pode acelerar a investigação.
Organizações de defesa do consumidor e centros de referência do idoso frequentemente orientam a denunciar ao Ministério Público e aos órgãos de proteção social quando há sinais de exploração financeira.
O que esperar da apuração
Com o indiciamento, o inquérito segue para o Ministério Público, que pode oferecer denúncia ou pedir diligências complementares. Em paralelo, a polícia poderá identificar outras vítimas e aprofundar a análise de movimentações financeiras para rastrear possíveis repasses a terceiros.
O processo deve observar prazos e garantias legais, e novas fases da investigação podem gerar buscas adicionais, perícias financeiras e convocações de testemunhas.
Conclusão e recomendações
Em síntese, a apuração aponta que uma mulher que usava o nome falso de “Lúcia” foi indiciada por estelionato qualificado depois de investigação que relacionou transferências e pagamentos somando, conforme documentos e reportagens, cerca de R$ 150 mil.
O caso ilustra a importância de atenção por parte de familiares, instituições e órgãos públicos para evitar que pessoas idosas sejam exploradas financeiramente sob justificativas religiosas ou espirituais. Denúncias rápidas e acompanhamento financeiro familiar costumam ser medidas eficazes para interromper esquemas semelhantes.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Especialistas afirmam que o episódio pode reforçar a demanda por maior proteção a idosos nos próximos meses.
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