Uma nova avaliação dos dados globais indica que a maior parte dos cânceres considerados evitáveis está associada a hábitos comportamentais concentrados, sobretudo o tabagismo e o consumo de álcool. Em 2022, foram registrados quase 19 milhões de novos casos de câncer no mundo, e uma parcela relevante desses casos pode ser atribuída a fatores de risco modificáveis, segundo os dados consolidados por agências internacionais.
Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou informações do GLOBOCAN/IARC e reportagens internacionais, tabagismo e álcool aparecem como os dois hábitos mais vinculados aos casos evitáveis, enquanto obesidade, dieta inadequada e exposições ambientais compõem uma segunda camada de risco. A curadoria buscou também verificar definições e metodologias para distinguir o que se classifica como “evitável” ou “modificável”.
Principais fatores de risco
O levantamento global aponta que políticas públicas voltadas ao controle do tabaco e à redução do consumo de bebidas alcoólicas podem reduzir milhões de casos ao longo do tempo. O tabagismo é o principal fator associado a cânceres de pulmão e das vias aéreas superiores. O álcool, por sua vez, tem contribuição significativa em tumores do fígado, cavidade oral e mama.
Tabagismo
O tabaco continua sendo responsável por uma elevada parcela de cânceres evitáveis. Além do câncer de pulmão, o consumo de tabaco aumenta o risco para diversos outros tipos tumorais. Medidas efetivas incluem taxação, restrição à propaganda, ambientes livres de fumo e programas de cessação apoiados por serviços de saúde.
Álcool
O álcool contribui de forma substancial para a carga de doença por câncer, com efeitos que variam conforme a quantidade e a intensidade do consumo. Políticas que limitam a disponibilidade, aumentam preços e regulam a publicidade têm mostrado impacto na redução do consumo e, potencialmente, na incidência de casos relacionados.
Outros fatores: obesidade, dieta e ambiente
Em uma segunda camada de risco aparecem obesidade, dieta desequilibrada e exposições ambientais, como poluição do ar e agentes químicos ocupacionais. Essas causas tendem a ter impacto crescente em países com transição epidemiológica e urbanização acelerada.
Programas de promoção de alimentação saudável, controle do índice de massa corporal (IMC) e ações de controle ambiental — como políticas de qualidade do ar — complementam as intervenções comportamentais para reduzir o risco global.
Impacto específico no Brasil
No contexto brasileiro, a interação entre determinantes sociais, acesso aos serviços de saúde e padrões de consumo altera o perfil de risco em comparação com a média global. Estudos e reportagens consultados mostram que, embora o tabagismo venha caindo nas últimas décadas no Brasil, o consumo de álcool e o aumento de obesidade elevam preocupações sobre tendências futuras.
A prevalência de fatores de risco varia por região e por grupo socioeconômico, o que exige que políticas públicas sejam adaptadas ao contexto local. Programas de rastreamento e ampliação da vacinação — por exemplo, contra HPV e hepatite B — são citados como medidas que podem reduzir mortalidade e incidência de certos tumores em prazos mais curtos.
O que as evidências indicam sobre intervenções
Diversas intervenções têm demonstrado eficácia em reduzir o risco atribuível a causas modificáveis. Controle do tabaco e políticas de álcool são medidas de grande alcance. A vacinação contra HPV e hepatite B amplia a prevenção primária para tumores específicos. O rastreamento oportuno, com cobertura adequada, reduz mortalidade ao detectar tumores em estágios iniciais.
- Regulação e taxação do tabaco e do álcool;
- Programas de cessação e tratamento para dependência;
- Vacinação contra HPV e hepatite B;
- Promoção de alimentação saudável e políticas para redução de obesidade;
- Medidas de controle ambiental e segurança ocupacional.
Horizontes de efeito e prioridades
Nem todos os ganhos ocorrem no mesmo horizonte temporal. A redução do tabagismo costuma produzir efeitos pronunciados ao longo de décadas, pela latência entre exposição e aparecimento de tumores. Em contraste, a ampliação do rastreamento e melhorias no acesso ao tratamento podem reduzir mortalidade em períodos mais curtos.
Especialistas consultados nas matérias que serviram de base à apuração destacam que a combinação de medidas — políticas populacionais e intervenções clínicas — é a estratégia mais eficiente para diminuir a carga de câncer evitável. O peso relativo de cada medida varia por região, tipo de câncer e padrão de exposição.
Desafios e divergências nas estimativas
Ao confrontar diferentes fontes, há concordância sobre a importância do tabaco e do álcool, mas divergências na quantificação exata da parcela evitável. Algumas análises destacam maior contribuição de fatores ambientais e ocupacionais, enquanto outras priorizam determinantes comportamentais e metabólicos.
Na verificação da curadoria foram checados números brutos e metodologias; o Noticioso360 optou por apresentar os enquadramentos complementares e sinalizar onde metodologias e estimativas divergem.
Conclusão e projeção futura
Os dados consolidados até 2022 confirmam que mudanças comportamentais e políticas públicas combinadas oferecem o maior potencial para reduzir a carga de câncer evitável. Nos próximos anos, atualizações regionais das bases de dados e pesquisas sobre intervenções no contexto brasileiro devem orientar prioridades de saúde pública.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que a adoção de medidas integradas pode reduzir substancialmente a carga de câncer nas próximas décadas.



