Redes presenciais encolhem com digitalização; bancos elevam gastos em tecnologia, provisões e compliance.

Bancos fecham 2,3 mil agências em 2025; despesas sobem

Apuração do Noticioso360: 2,3 mil agências fechadas em 2025; investimentos e provisões pressionam despesas, dizem balanços.

Em 2025, bancos privados no Brasil fecharam cerca de 2,3 mil agências, numa redução que reflete a migração acelerada de clientes para canais digitais e a busca por eficiência operacional.

O movimento, que afeta particularmente áreas com menor acesso à internet e atendimento presencial, tem impacto direto no mapa de atendimento das instituições e nas rotinas de trabalho de milhares de funcionários.

Segundo análise da redação do Noticioso360, cruzando comunicados oficiais, balanços e relatórios setoriais, a estratégia de enxugamento de rede convive, paradoxalmente, com aumento nas despesas operacionais reportadas pelos bancos.

Economia de pontos, aumento de custos

A justificativa das instituições é direta: com a maioria das transações rotineiras migrando para aplicativos, manter grandes redes físicas tornou-se dispendioso. A concorrência de fintechs e instituições digitais intensificou a pressão por redução de custos fixos.

No entanto, a conta não fecha de imediato. Entre as rubricas que cresceram em 2025 estão gastos com tecnologia e segurança cibernética, custos de compliance e regulamentação, provisões para crédito e despesas com reestruturação, incluindo indenizações e custos jurídicos relacionados ao fechamento de unidades.

Investimentos que elevam a despesa…

Ao fechar agências, os bancos têm desembolsos iniciais relevantes: migração de sistemas, integração de canais, contratação de serviços terceirizados e treinamento de equipes para atendimento híbrido. Esses gastos, embora vistos como investimentos para redução de custos no médio prazo, aumentam a despesa imediata registrada nos balanços.

Executivos ouvidos em comunicados afirmam que esses investimentos são necessários para garantir a continuidade do atendimento e reduzir riscos operacionais. Para analistas, a questão é medir o retorno desses aportes ao longo de trimestres subsequentes.

…e provisões que pesam

Outra pressão veio de provisões para calotes em carteiras de crédito. Mudanças em modelos de risco, atualização de cenários macroeconômicos e maior escrutínio regulatório levaram bancos a reconhecer provisões maiores em 2025, elevando as despesas mesmo sem aumento proporcional do volume de inadimplência.

Especialistas em crédito destacam que ajustes contábeis e regulatórios podem antecipar impactos que, na prática, não refletem piora imediata da qualidade de ativos, mas aumentam a volatilidade das linhas de despesa.

O efeito sobre clientes e empregos

O fechamento de agências tem impacto direto no atendimento presencial. Em cidades menores e bairros com menor penetração digital, clientes passaram a enfrentar distâncias maiores para serviços que exigem presença física, como abertura de contas especiais, consultas detalhadas e alguns atendimentos comerciais.

Por outro lado, clientes com perfil digital costumam receber serviços mais integrados, com soluções de autoatendimento e atendimento remoto aprimorado. Bancos destacam que parte da clientela ganha em velocidade e em opções de serviços digitais.

No mercado de trabalho, a reestruturação tem dupla face: demissões ocorrem em função do fechamento de unidades, mas há também aumento de vagas em áreas de tecnologia, compliance e atendimento digital. A transição exige programas de requalificação profissional, segundo comunicados e relatórios setoriais analisados.

Impacto regional e inclusão financeira

Analistas e pesquisadores em inclusão financeira alertam que o fechamento em regiões menos digitalizadas pode ampliar lacunas de acesso a serviços bancários. A presença física ainda é essencial para parcelas da população que dependem de atendimento assistido.

Políticas públicas e parcerias com correspondentes bancários e cooperativas passaram a ter papel mais relevante na mitigação desses efeitos.

Curadoria e contrapontos

A apuração do Noticioso360 privilegiou comparações entre balanços oficiais, comunicados das instituições e reportagens de veículos especializados. Em muitos casos, as informações institucionais ressaltam o caráter estratégico da reestruturação e a expectativa de redução do “custo de servir” ao longo do tempo.

Contudo, fontes independentes e alguns analistas apontam que a medição de eficiência exige incluir investimentos em tecnologia e maiores despesas de crédito para avaliar se o setor, de fato, está se tornando mais eficiente em termos brutos e líquidos.

Fatores de curto e médio prazo

  • Ritmo de digitalização da base de clientes — quanto mais rápido, maior a chance de economia real na manutenção de rede;
  • Evolução das provisões para crédito — impacto direto sobre despesas reportadas;
  • Desdobramentos regulatórios — possíveis mudanças contábeis podem alterar reconhecimento de custos;
  • Custos de reestruturação — despesas únicas podem ser significativas no ano de transição.

O que esperar

Na visão de gestores e consultores, o efeito líquido sobre despesas dependerá da capacidade dos bancos de transformar investimentos em plataformas eficientes que reduzam custos operacionais e de controlar provisões sem sacrificar a qualidade do crédito.

Se a migração digital avançar de forma consistente entre clientes de menor renda e em regiões interioranas, a economia em manutenção de rede pode se materializar nos próximos anos. Caso contrário, bancos podem conviver com redes menores e custos operacionais ainda altos.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário econômico nos próximos meses.

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