Mães e alunas relatam toques impróprios; monitor foi desligado quase dois anos depois.

Assédio de PMs em escolas cívico-militares do Paraná

Denúncias apontam toques impróprios de monitor militar em estudantes; investigação corre sob sigilo e há questionamentos sobre a demora no desligamento.

Famílias de alunas de escolas cívico-militares do Paraná denunciaram que um monitor ligado ao programa tocou partes do corpo de estudantes de 11 a 13 anos. As reclamações foram inicialmente informais e, depois, formalizadas por escrito, segundo relatos colhidos por mães e alunas.

As denúncias ganharam desdobramentos administrativos e judiciais: o Ministério Público do Estado confirmou trechos de comunicação reproduzidos pela imprensa de que as investigações correm sob segredo de Justiça. A existência do sigilo restringiu o acesso a provas e depoimentos, limitando a pesquisa documental da reportagem.

Segundo análise da redação do Noticioso360, cruzando informações publicadas pela BBC News Brasil e pelo G1, há divergência entre relatos de familiares e notas oficiais sobre prazos, procedimentos e a cronologia dos atos. Enquanto mães e alunas relatam lentidão e falta de transparência, órgãos oficiais mencionam a instauração de procedimentos internos e cooperação institucional.

O relato das vítimas

Duas alunas ouvidas pela reportagem descrevem episódios semelhantes de toques considerados impróprios pelo próprio relato das jovens. As jovens têm entre 11 e 13 anos; por isso, a identidade foi preservada. Mães afirmam que os episódios foram comunicados inicialmente à direção da escola de forma verbal.

“Eu levei a menina na coordenadoria, relatei o que aconteceu e pedi que tomassem providências. Disseram que iriam investigar, mas a resposta foi lenta”, diz uma mãe, que preferiu não se identificar. Outra responsável afirma que, ao formalizar a queixa por escrito, foi desencorajada a levar o caso adiante — versão negada em notas da corporação consultadas pela imprensa.

Procedimentos administrativos e ritmo das apurações

Familiares relatam que o monitor permaneceu vinculado ao programa por semanas ou meses após a primeira queixa. A partir do material obtido e de entrevistas, a reportagem confirmou que o desligamento efetivo do servidor ocorreu quase dois anos depois da primeira reclamação registrada pelas famílias.

Por outro lado, documentos oficiais citados em reportagens — e comunicados enviados pela Polícia Militar e pela Secretaria de Educação às redações — mencionam a abertura de sindicância e cooperação com o Ministério Público, sem detalhar prazos ou fornecer uma cronologia completa das ações.

Variedade de procedimentos

Fontes ouvidas afirmam que houve variação no tipo de procedimento adotado: protocolos internos da corporação, sindicâncias administrativas e procedimentos escolares. A multiplicidade de instâncias pode explicar parte da demora, mas especialistas consultados dizem que a coordenação entre órgãos deveria ser mais rápida quando há suspeita de abuso contra menores.

Sigilo e limites à transparência

O segredo de Justiça alegado pelo Ministério Público tem a função de proteger vítimas e preservar a instrução processual. No entanto, mães e advogados afirmam que o sigilo também impede o acompanhamento público de medidas administrativas e tende a obscurecer prazos e justificativas para decisões.

Em documentos e em reportagens da BBC News Brasil e do G1, há referências à existência do sigilo, o que resultou na impossibilidade de obter registros integrais das investigações para esta apuração. Ainda assim, a reportagem conseguiu confirmar datas aproximadas das queixas iniciais e do desligamento do monitor.

Responsabilidade institucional

Há três pontos centrais na discussão institucional: a responsabilidade do monitor (que pode responder administrativa e criminalmente); a comunicação entre escola, família e órgãos de proteção à criança; e a transparência dos processos disciplinares quando envolvem agentes públicos.

Especialistas em direito e proteção infantil consultados pela reportagem afirmam que, além de apurar eventuais infrações penais, é imprescindível que redes escolares e órgãos de segurança adotem canais claros e acessíveis para registro de denúncias, registro de atendimento psicológico e acompanhamento das vítimas.

O papel do Ministério Público e órgãos de fiscalização

Familiares procuraram órgãos de defesa dos direitos da criança e acionaram o Ministério Público. O MP tem competência para investigar possíveis crimes e fiscalizar atos administrativos. Fontes jurídicas ouvidas indicam que, nas próximas semanas, é plausível esperar novas diligências, possível oferecimento de denúncia ou conclusão de sindicâncias que detalhem responsabilizações administrativas.

Contrapontos e notas oficiais

A reportagem consultou notas oficiais veiculadas pela Secretaria de Educação e pela Polícia Militar. As corporações ressaltam a instauração de procedimentos internos e a cooperação com o Ministério Público. Em comunicado, a Polícia Militar afirmou que “adotou medidas administrativas” e encaminhou as apurações à corregedoria, sem especificar datas.

As versões divergem na ênfase: reportagens locais que privilegiam relatos de vítimas destacam o sigilo do processo e a demora no desligamento; coberturas que reproduzem notas oficiais ressaltam a atuação institucional. A apuração do Noticioso360 buscou documentos que comprovassem prazos e ofícios, mas parte do material esteve inacessível por causa do segredo de Justiça.

Impacto nas vítimas e recomendações

Mães relatam efeitos emocionais nas filhas e preocupação com o ambiente escolar. Psicólogos e organizações de proteção à infância consultados recomendam acompanhamento psicológico continuado, canais independentes para denúncias e medidas que priorizem o cuidado às vítimas.

Organizações de defesa dos direitos da criança apontam também para a necessidade de auditorias externas em programas que envolvem agentes públicos em ambiente escolar, para garantir protocolos claros de seleção, monitoramento e resposta a denúncias.

Fechamento e projeção

Com investigações em curso sob sigilo, a tendência é que novas diligências e decisões administrativas sejam anunciadas nas próximas semanas. Dependendo dos desdobramentos do inquérito, o Ministério Público poderá oferecer denúncia ou as sindicâncias poderão apontar responsabilizações internas na corporação.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o caso pode reacender debates sobre a gestão de programas cívico-militares em escolas e a necessidade de mecanismos independentes de apuração.

Veja mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima