Em outubro de 2016, o empresário norte-americano Jeffrey Epstein — então alvo de investigações por crimes sexuais nos Estados Unidos — demonstrou interesse em adquirir a operação brasileira da agência Ford Models, segundo registros e reportagens consultadas nesta apuração.
Segundo análise da redação do Noticioso360, a iniciativa foi registrada em comunicações entre representantes de Epstein e executivos da agência, além de menções em cobertura internacional que relacionou o empresário a estruturas profissionais ligadas ao mercado de moda e entretenimento.
O que dizem os registros
Fontes jornalísticas consultadas à época, como reportagens do O Globo e da BBC Brasil, apontam para sondagens e tentativas de negociação que visavam à aquisição da operação local da Ford Models. Executivos da agência e representantes no Brasil negaram que qualquer transação tenha sido concluída.
Em declarações registradas por veículos brasileiros, um executivo ligado à direção da Ford Models chegou a afirmar, ao ser informado sobre a investida de Epstein: “Fico enojado, eu nunca venderia”. A posição pública da agência foi de rejeição e ausência de acordo efetivado.
Motivações e contextos
Investigadores e reportagens internacionais descrevem um padrão nas ações de Epstein: a busca por proximidade com ambientes profissionais onde havia jovens mulheres. Isso incluía, segundo apurações, desde agências de modelos até residências e eventos de alto padrão usados para recrutamento e hospedagem.
Para especialistas em investigação de redes criminosas, processos de aquisição ou tentativas formais de investimento podem oferecer acesso institucional e legitimação a indivíduos que buscam aumentar seu poder de influência. No caso brasileiro, não há prova pública de que qualquer contrato de compra tenha sido assinado ou que a propriedade da Ford Models Brasil tenha sido transferida.
Negativas e lacunas
Fontes ligadas ao mercado de agenciamento consultadas na época reiteraram que não houve venda. O CEO da Ford Models internacional e integrantes da direção no Brasil afirmaram que a operação não foi repassada e classificaram a proposta como não consumada.
Documentos públicos e reportagens analisadas pela redação não exibem um contrato de compra e venda com transferência de propriedade. Assim, a apuração distingue claramente entre intenção — ou sondagem — e efetivação comercial.
Comparação entre coberturas
Veículos brasileiros deram maior destaque à tentativa e à reação dos executivos da agência, enfatizando o incômodo e a rejeição às investidas. Já a cobertura internacional contextualizou a tentativa dentro de um padrão de comportamento atribuído a Epstein e seus colaboradores, que buscavam vínculos com agentes e facilitadores no mercado de luxo e do entretenimento.
Essa diferença de foco evidencia a necessidade de cruzamento de fontes: enquanto a imprensa local sublinhou a resposta imediata da Ford Models, análises externas trouxeram o cenário mais amplo das redes e das práticas de influência que envolviam o empresário.
Implicações investigativas
A apuração do Noticioso360 identificou três pontos centrais: primeiro, houve interesse e sondagens sobre a compra de operações de agenciamento no Brasil por parte de Epstein ou de interlocutores próximos.
Segundo, a Ford Models Brasil não foi vendida a Epstein e porta-vozes da agência negaram qualquer acordo. Terceiro, a relevância investigativa reside no arranjo de poder e acesso que transações desse tipo poderiam propiciar, algo que se encaixa em padrões documentados em outras jurisdições.
Responsabilização e limites das provas
Qualquer vínculo eventual com práticas ilícitas exige provas documentais ou depoimentos formais para caracterizar responsabilidade penal. Até o momento desta reportagem, não existe registro público de processo criminal no Brasil relacionado a essa suposta tentativa de compra.
Nos Estados Unidos, Epstein enfrentou múltiplas acusações e processos que ajudam a entender o seu comportamento e redes de contatos, mas a transposição direta desses casos para fatos comerciais no Brasil não está demonstrada em documentos acessíveis ao público.
O que faltou provar
A ausência de contratos assinados, registros de transferência patrimonial ou processos judiciais no Brasil cria lacunas importantes. Documentos internos, e-mails ou gravações adicionais, além de possíveis quebras de sigilo bancário e societário, seriam necessários para confirmar qualquer tentativa de concretização da operação.
Por ora, os elementos públicos confirmam intenção e sondagens, mas não comprovam uma compra consumada.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
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