Polícia ouve adolescente e mantém investigação técnica
A Polícia Civil de Santa Catarina ouviu mais um adolescente ligado ao caso do cão conhecido como “Orelha” e afirmou não ter, até o momento, provas de que maus-tratos e a morte do animal tenham sido motivados por um suposto desafio viral nas redes sociais.
O depoimento integra um conjunto de diligências conduzidas pela Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei, em Florianópolis, que concentra a apuração dos fatos e a coleta de elementos técnicos necessários para esclarecer as circunstâncias do crime.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em notas oficiais e reportagens locais, a investigação privilegia laudos periciais, imagens e o confronto de versões entre os adolescentes ouvidos.
Investigação e depoimentos
A delegacia responsável informou, em nota, que os delegados envolvem esforços para reunir provas materiais e testemunhais. “A prioridade é a perícia e a verificação das imagens que possam estabelecer a sequência dos fatos”, diz comunicado da Polícia Civil.
Fontes policiais ouvidas por veículos locais relataram que o adolescente recentemente ouvido prestou declaração sobre a presença no local e as circunstâncias que envolveram o caso. As autoridades, no entanto, mantêm sigilo sobre detalhes que possam comprometer as medidas socioeducativas e a própria investigação.
Perícia e confrontação de versões
De acordo com os peritos, os laudos iniciais não apontaram a existência de uma dinâmica coletiva típica de desafios virais — como orientações padronizadas, roteiros em vídeo ou ciclos repetidos de ação. A ausência desses elementos faz com que a hipótese de instigação por um desafio online perca força, por ora.
“A apuração técnica até agora não detectou prova de que houve incitação coletiva por meio de um formato padronizado de desafio nas redes”, disse uma fonte ligada às investigações, em condição de anonimato.
Por que a tese do desafio surgiu
A hipótese de que um “desafio” teria motivado os maus-tratos ganhou tração nas redes sociais e em relatos de vizinhos, na sequência da divulgação das primeiras notícias sobre o caso. Publicações imediatas em aplicativos e redes podem produzir narrativas rápidas que nem sempre são confirmadas por documentos oficiais.
Para o Ministério Público, segundo interlocutores envolvidos no caso, é necessário distinguir entre menções em redes sociais e evidências que possam ser usadas em juízo. A cautela evita imputações precipitadas e preserva o direito à ampla defesa dos envolvidos.
Outras linhas de apuração
Investigadores não descartam outras frentes. Entre as hipóteses avaliadas estão conflitos pessoais entre os envolvidos, histórico de maus-tratos anteriores e circunstâncias locais que precisam ser verificadas por contraprova técnica.
Essas linhas alternativas motivam buscas por registros locais, depoimentos de vizinhos e a análise de antecedentes que possam ajudar a contextualizar eventuais motivos e responsabilizações.
Medidas socioeducativas e o processo legal
Por se tratar de adolescentes, as medidas adotadas seguem o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A Delegacia Especializada do Adolescente afirmou que as ações serão tomadas em conformidade com as orientações do Ministério Público e da legislação vigente, sem detalhar punições antes do término das investigações.
Fontes jurídicas explicam que procedimentos envolvendo adolescentes priorizam apuração técnica e medidas socioeducativas, que podem incluir acompanhamento psicossocial, liberdade assistida e, se cabível, internação em unidade socioeducativa. A decisão depende de elementos que demonstrem autoria, materialidade e circunstâncias do ato infracional.
Repercussão pública e cautela jornalística
A cobertura regional trouxe relatos de vizinhos, postagens e vídeos que alimentaram dúvidas sobre a motivação do crime. Essa diferença de tom entre redes e autoridades é recorrente: enquanto testemunhas e usuários priorizam informação imediata, órgãos policiais privilegiam evidências verificadas.
A redação do Noticioso360 cruzou documentos oficiais e matérias de veículos tradicionais para evitar conclusões baseadas apenas em rumores digitais. O cruzamento indica que, no estágio atual, a versão predominante das autoridades é a de ausência de indícios claros de instigação online.
Próximos passos na investigação
Como próximos passos, a Polícia Civil seguirá com análises periciais, buscas por vídeos ou registros que possam ajudar a estabelecer sequência dos fatos e novos depoimentos que confirmem ou afastem linhas específicas de apuração.
Ministério Público e Defensoria poderão ser acionados conforme o andamento do caso, para garantir o cumprimento do ECA e a legalidade das medidas adotadas.
Impacto e recomendações de especialistas
Especialistas em comportamento digital ouvidos por meios de comunicação recomendam cautela antes de rotular episódios de violência como consequência direta de desafios virtuais. Eles ressaltam que é preciso demonstrar vínculo causal entre incitação online e atos concretos para que a tese seja validada em juízo.
Essa perspectiva aponta para a necessidade de laudos técnicos precisos e da checagem rigorosa de materiais digitais antes de vincular atos individuais a tendências coletivas na internet.
Fechamento: o que esperar
Até que laudos e diligências complementares sejam concluídos, a conclusão oficial permanece baseada em evidências em trânsito: a Polícia Civil de Santa Catarina ouviu envolvidos e, por enquanto, não vinculou o crime a um desafio nas redes. A investigação segue aberta e novas informações poderão alterar o quadro.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que, no ambiente digital atual, decisões e narrativas públicas podem evoluir rapidamente conforme surgem novas provas; por isso, a apuração técnica deverá orientar a responsabilização nos próximos meses.



