Homens que usaram esteroides anabolizantes relatam mudanças físicas e emocionais que, em alguns casos, culminaram em explosões de raiva e episódios de agressão dentro de casa.
“Ficava muito mais ríspido com familiares, com pouquíssima paciência”, disse Natan Santos, ouvido nesta apuração. Em outro momento, ele afirmou: “Puxei faca dentro de casa”.
Segundo análise da redação do Noticioso360, cruzando reportagens da BBC Brasil e da Reuters com estudos clínicos, esses relatos convergem com evidências de que o uso de anabolizantes pode alterar o comportamento em uma parcela dos usuários.
Relatos de mudança: do físico ao emocional
Usuários costumam procurar anabolizantes para ganhar massa muscular e melhorar a imagem corporal. Além dos efeitos estéticos, diversas pessoas relatam alterações de humor — ansiedade, irritabilidade e episódios de impulsividade.
Natan resume esse estado como uma sensação de certeza sobre as próprias ações: “Falava absurdos para outras pessoas e, na minha cabeça, me achava certo, você não consegue perceber que está alterado”. Especialistas indicam que esse tipo de desinibição é comum em quadros que envolvem interferência hormonal no sistema nervoso.
Quando a irritabilidade vira risco
Nem todo usuário apresenta comportamento violento. Fontes consultadas para esta apuração destacam que o risco aumenta quando o uso é em doses elevadas, por longos períodos ou combinado com histórico prévio de transtornos psiquiátricos e consumo de outras drogas.
Em relatos coletados, episódios de agressão costumam ocorrer em contextos privados, afetando relações familiares e amizades. O efeito combinado da alteração de humor e da sensação de impunidade ou certeza sobre as próprias atitudes pode reduzir a percepção de risco pelo usuário.
Evidência científica: o que diz a medicina
Pesquisas médicas indicam que os anabolizantes interferem no equilíbrio hormonal e no funcionamento cerebral. Há documentação sobre efeitos físicos — alterações hepáticas, aumento de pressão arterial e risco cardiovascular — e indícios sobre mudanças comportamentais.
Estudos clínicos associam o uso prolongado ou em doses altas a episódios de ansiedade, irritabilidade e aumento de comportamentos agressivos. Especialistas ouvidos por veículos jornalísticos apontam que os efeitos psicológicos variam conforme a substância, dose, tempo de uso e perfil individual do usuário.
Por outro lado, revisões científicas ressaltam a complexidade da relação e a impossibilidade de atribuir causalidade única aos anabolizantes em todos os casos de violência. Determinantes sociais, genéticos e ambientais também influenciam o risco.
Contexto brasileiro: acesso, redes e pressão estética
Reportagens investigativas mostram que o acesso a substâncias sem prescrição médica tem crescido em academias e redes sociais. Vendedores e clínicas que prometem resultados rápidos funcionam como facilitadores desse consumo perigoso.
Em jovens, a pressão por um corpo ideal e o estigma em torno da imagem corporal contribuem para o aumento da procura por anabolizantes. Redes de comercialização informal e grupos em aplicativos de mensagens descentralizam o controle e dificultam a identificação de fluxos ilegais.
Vulnerabilidades e atores envolvidos
Profissionais de saúde ouvidos indicam que a ausência de acompanhamento clínico e psicológico é um ponto crítico. Em muitos casos, usuários obtêm substâncias por indicações informais, sem exames ou orientação sobre riscos e doses.
Perigos combinados: outras substâncias e histórico pessoal
O uso concomitante de álcool ou drogas psicoativas pode potencializar episódios de desinibição e violência. Além disso, pessoas com histórico de transtornos psiquiátricos ou de comportamento impulsivo estão em maior risco de apresentar reações adversas mais severas.
Fontes médicas consultadas ressaltam que a interação entre fatores biológicos e sociais torna necessário avaliar cada caso individualmente, sem simplificações.
O que recomendam especialistas e políticas públicas
Profissionais de saúde orientam: buscar avaliação médica antes de qualquer uso, desconfiar de promessas de resultados imediatos e procurar suporte psicológico diante de alterações de humor ou comportamento.
Autoridades de saúde e segurança pública são chamadas a mapear fluxos de comercialização irregular e promover campanhas de informação sobre riscos. Clínicas e academias devem ser fiscalizadas para evitar prescrição e venda inadequadas.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fechamento e projeção
A convergência entre relatos pessoais, estudos clínicos e reportagens sugere um padrão: o uso de anabolizantes pode estar associado ao aumento de episódios de irritabilidade, impulsividade e comportamentos agressivos em uma parcela dos usuários — especialmente quando usados em doses altas, por longos períodos ou sem acompanhamento médico.
Nos próximos anos, espera-se que o debate sobre fiscalização, educação em saúde e regulação de vendas se intensifique. Investigações mais profundas e políticas públicas integradas serão essenciais para reduzir riscos e oferecer tratamento a quem já sofre consequências do uso.
Analistas apontam que medidas coordenadas entre saúde pública, fiscalização e prevenção podem redefinir práticas de comercialização e reduzir danos à saúde coletiva.
Fontes
Veja mais
- Estudos mostram álcool e carnes processadas elevam risco; laticínios e chás têm efeitos mistos e dependem do padrão alimentar.
- Aplicações de toxina botulínica reduzem suor em áreas localizadas, aliviando desconforto e melhorando qualidade de vida.
- Médicos planejam reduzir sedação a partir de 30/01 para avaliar evolução do adolescente agredido.



