Jovem de 17 anos foi atendida três vezes em UPA; família questiona diagnóstico e investigação está em curso.

Adolescente morre após três atendimentos em UPA

Adolescente de 17 anos morreu de pneumonia após três atendimentos em UPA; Polícia Civil do Paraná investiga o caso.

Adolescente de 17 anos morre depois de múltiplos atendimentos em UPA

Uma adolescente identificada como Brenda Cristina Rodrigues, de 17 anos, morreu em decorrência de pneumonia após procurar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em União da Vitória (PR) por três vezes, segundo o material apurado e documentos preliminares obtidos pela reportagem.

O quadro clínico da jovem evoluiu rapidamente para insuficiência respiratória. Familiares relatam que, nas idas à UPA, a queixa inicial foi tratada como transtorno ansioso em pelo menos uma oportunidade, sem registro de internação ou encaminhamento imediato para avaliação hospitalar especializada.

Segundo levantamento da redação do Noticioso360, cruzamos informações fornecidas por fontes próximas à família e registros oficiais preliminares que apontam para a necessidade de checagens formais sobre a cronologia dos atendimentos e os documentos médicos emitidos pela unidade.

O que se sabe até agora

Conforme as informações em posse da reportagem, Brenda apresentou sintomas respiratórios e retornou à UPA em três datas distintas. Em nenhuma das anotações disponíveis nos materiais encaminhados à redação houve, à primeira vista, um encaminhamento para internação imediata por suspeita de infecção respiratória grave.

Fontes ouvidas sob condição de anonimato dizem que houve uma interpretação dos sintomas associando-os a quadro de ansiedade. A família afirma que a piora foi rápida, com agravamento das dificuldades de respiração nas horas seguintes ao último atendimento, culminando no óbito por pneumonia.

Investigação policial e documentos-chave

A Polícia Civil do Paraná abriu inquérito para apurar a conduta dos atendimentos realizados na UPA, verificar prontuários médicos e determinar se houve falha no diagnóstico ou no encaminhamento do caso. Entre os documentos a serem solicitados constam:

  • Registros de triagem e fichas de atendimento das três idas à UPA (datas e horários);
  • Prontuário médico e anotações de profissionais que atenderam a paciente;
  • Laudo necroscópico e exames complementares que comprovem pneumonia como causa imediata do óbito;
  • Relatórios internos da UPA e comunicações da Secretaria Municipal de Saúde.

Esses elementos são fundamentais para estabelecer a sequência cronológica dos fatos e para identificar se houve omissão ou erro clínico. Até a conclusão das perícias e do inquérito, no entanto, não há elementos oficiais que apontem responsabilidade definida.

Reações da família e da comunidade

Familiares da vítima manifestaram preocupação com a interpretação dos sintomas durante os atendimentos. Segundo relatos, a família buscou explicações e solicitações para reavaliação, mas não houve encaminhamento formal para internação em hospital de maior complexidade.

Em comunidades locais, o caso reacendeu dúvidas sobre protocolos de triagem em unidades de pronto atendimento, sobretudo quando pacientes, mesmo jovens, apresentam sinais de comprometimento respiratório associados a queixas subjetivas como ansiedade.

Especialistas consultados

Médicos especializados em emergência e triagem ouvidos pela reportagem explicam que quadros iniciais de doenças respiratórias podem se manifestar de forma atípica e progredir de maneira rápida, especialmente em casos de pneumonia bacteriana severa.

“A presença de sintomas como taquipneia, queixa de dor torácica, confusão ou dessaturação deve levar à reavaliação imediata e, muitas vezes, à realização de exames complementares como raio-X de tórax e gasometria arterial”, diz um clínico de emergência que analisou o caso com base nos relatos disponíveis.

O que a apuração do Noticioso360 recomenda

Com base no material levantado, o Noticioso360 recomenda cautela na interpretação final dos fatos até que haja divulgação dos laudos periciais e o acesso integral aos prontuários. Ao mesmo tempo, há quesitos legítimos que a investigação precisa responder, tais como a sequência exata dos atendimentos, as avaliações clínicas realizadas e os critérios usados para não encaminhar a jovem a hospital com suporte respiratório avançado.

Protocolos de triagem e reavaliação, quando seguidos de forma padronizada, reduzem o risco de subestimação de sinais clínicos graves. Famílias e profissionais também ressaltam a importância de comunicação clara entre os serviços de saúde primária e as UPAs para rápida transferência quando necessário.

Próximos passos e impacto local

As principais frentes que deverão ser acompanhadas nos próximos dias incluem o resultado do laudo necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML), a análise dos prontuários e a posição oficial da Secretaria Municipal de Saúde de União da Vitória.

Além disso, a investigação interna da UPA poderá apontar por que não houve, em caráter emergencial, encaminhamento para unidade hospitalar com suporte de terapia intensiva ou realização imediata de exames que confirmassem infecção respiratória grave.

Contexto mais amplo

Casos em que sintomas de ansiedade coexistem com sinais de infecção respiratória são tema recorrente de debates entre gestores e clínicos. Há preocupação crescentemente documentada sobre a potencial subestimação de sinais objetivos em pacientes com queixas psicossomáticas, o que reforça a necessidade de protocolos de reavaliação claros.

Em termos de política pública, episódios assim frequentemente geram pedidos por treinamentos adicionais para profissionais em triagem e pela revisão de fluxos de encaminhamento entre UPAs e hospitais de referência.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que casos como este podem reforçar a demanda por revisão de protocolos de triagem e provocar mudanças nas rotinas de atendimento de UPAs nos próximos meses.

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