A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo orienta que pessoas que receberam a dose fracionada da vacina contra a febre amarela em 2018 procurem uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para verificação do cartão vacinal e avaliação da necessidade de aplicar uma dose adicional.
A recomendação vale sobretudo para quem participou das campanhas de emergência de 2018, quando, diante de surtos e de estoque limitado de imunizantes, autoridades autorizaram o uso da dose fracionada — equivalente a 1/5 da dose padrão — para ampliar a cobertura vacinal em curto prazo.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em comunicados oficiais e reportagem sobre estudos de imunogenicidade, a medida busca reduzir incertezas sobre a duração da proteção em segmentos da população que podem ter resposta imune variável.
Por que buscar o reforço?
Estudos observacionais e alguns ensaios clínicos publicados nos anos seguintes a 2018 indicaram que a resposta imune induzida pela dose fracionada se mantém por vários anos em grande parte dos vacinados. Entretanto, evidências mostram que, cerca de oito anos após a aplicação, a proteção pode ser menor ou mais variável em determinados grupos.
Por isso, a orientação da Secretaria paulista é preventiva: quem tomou dose fracionada em 2018 deve apresentar o cartão de vacina na UBS para que o serviço de saúde confirme o esquema e, quando indicado, aplique uma dose complementar.
Quem tem prioridade?
A avaliação considera fatores individuais e epidemiológicos. Entre os que podem ter prioridade estão:
- pessoas em áreas com maior risco de transmissão;
- indivíduos com idades extremas (crianças muito pequenas ou idosos);
- pacientes imunossuprimidos ou com condições que reduzam a resposta vacinal;
- profissionais com maior exposição, como trabalhadores de saúde ou de campo em áreas de risco.
Como proceder na UBS
O procedimento é simples: leve o cartão de vacinação e um documento de identificação. A equipe da UBS verificará o registro de 2018 e informará se há indicação de reforço.
Se a pessoa não tiver o cartão, a recomendação é procurar a UBS mesmo assim. As equipes poderão consultar bases de dados de vacinação para confirmar o histórico e registrar a dose adicional quando cabível.
Contexto técnico e divergências
O uso de dose fracionada é uma estratégia reconhecida para ampliar rapidamente a cobertura em cenários emergenciais — por exemplo, quando há surtos e estoque limitado da vacina. Ela confere resposta imune imediata e permitiu vacinar mais pessoas em 2018.
No entanto, a literatura científica aponta diferenças entre a dose integral e a fracionada no acompanhamento de longo prazo. Organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), já consideraram que uma dose plena frequentemente confere proteção duradoura. Em contraste, orientações locais e alguns estudos recomendam monitoramento e, em casos específicos, doses adicionais após avaliação epidemiológica.
O Ministério da Saúde também revisou orientações sobre seguimento vacinal em situações excepcionais de fracionamento, recomendando que secretarias estaduais adotem ações locais conforme o cenário epidemiológico.
Impacto na vigilância e na campanha de imunização
A vigilância epidemiológica e os serviços de imunização têm papel central neste processo. Além de aplicar as doses quando indicadas, as secretarias estaduais devem atualizar as bases de dados, informar a população sobre locais e horários de atendimento e definir critérios locais para a aplicação do reforço.
Em São Paulo, a secretaria informou que a busca pode ser feita em qualquer UBS mediante apresentação do cartão de vacina ou documento de identificação. A medida pretende reduzir incertezas e prevenir eventuais surtos em populações com imunidade subótima.
Pontos que a população deve saber
- Verifique o cartão de vacinação e procure a UBS mais próxima;
- Informe que recebeu dose fracionada em 2018 para facilitar a checagem;
- Leve documento de identidade caso não tenha o cartão;
- Discuta com o profissional de saúde eventuais condições que possam afetar a resposta vacinal.
Especialistas consultados por veículos de imprensa ressaltam que a decisão pelo reforço precisa considerar fatores individuais — como idade e comorbidades — e o cenário epidemiológico local. Em áreas com transmissão ou maior risco de exposição, a recomendação tende a ser mais proativa.
O que dizem os estudos
Pesquisas sobre imunogenicidade mostraram que, embora a maioria das pessoas apresente anticorpos após a vacinação fracionada, a magnitude e a persistência dessas respostas podem variar. Parte da literatura sugere vigilância mais rigorosa após intervalos prolongados, especialmente a partir do limite temporal de oito anos observado em alguns trabalhos.
Por isso, a orientação atual privilegia a precaução: completar o esquema vacinal quando indicado pelas autoridades sanitárias locais, com prioridade para pessoas em áreas de risco e grupos com fatores que possam reduzir a resposta vacinal.
Fechamento e projeção
A recomendação da Secretaria de Saúde de São Paulo reflete uma postura preventiva frente a incertezas sobre a duração da proteção conferida pela dose fracionada. A expectativa é que, com a atualização de registros e a aplicação de reforços quando necessários, seja possível reduzir riscos de reemergência de surtos.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
- Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo — 2026-01-25
- Ministério da Saúde — 2024-10-01
- Organização Mundial da Saúde — 2013-05-10
- Estudo sobre imunogenicidade de dose fracionada — 2024-06-15
Especialistas afirmam que a estratégia de reforço pode redefinir prioridades de imunização e vigilância nos próximos anos.
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