Ministro do STF pede explicações à Alesc e ao governo de Santa Catarina em 48 horas.

Gilmar Mendes dá 48h para SC explicar lei que proíbe cotas

Pedido de explicações acompanha pedidos de suspensão feitos por partidos, OAB e entidades; STF avaliará constitucionalidade da norma estadual.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes deu prazo de 48 horas para que a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) e o governo estadual expliquem a lei aprovada que proíbe a reserva de vagas por critérios raciais nas universidades mantidas pelo Estado.

Segundo a notificação, a solicitação segue o rito de uma medida cautelar: ao receber representação sobre possível ofensa a preceitos constitucionais, o relator pede informações às autoridades envolvidas antes de decidir sobre medidas de urgência.

De acordo com análise da redação do Noticioso360, que cruzou informações do G1 e da Agência Brasil, a norma gerou reação imediata de partidos políticos, entidades da sociedade civil e do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que já solicitaram ao STF a suspensão da vigência da lei enquanto se discute sua constitucionalidade.

O que diz a notificação do ministro

No despacho, o ministro Mendes pede que a Alesc e o Executivo estadual detalhem, em 48 horas, os motivos, o alcance e os fundamentos jurídicos que embasaram a aprovação da norma.

Segundo a prática processual do STF, o prazo curto busca obter a versão oficial dos entes interessados para que o relator possa mapear argumentos formais e materiais antes de analisar eventual pedido liminar.

Reações políticas e jurídicas

Partidos de oposição, movimentos sociais e o Conselho Federal da OAB encaminharam pedidos ao STF pedindo que a aplicação da lei seja suspensa até o julgamento do mérito. Alegam risco ao direito à educação e possível colisão com normas federais e princípios constitucionais que amparam políticas de ação afirmativa.

Por outro lado, defensores da norma em Santa Catarina dizem que a medida busca estabelecer critérios iguais de acesso às vagas nas universidades estaduais, sem especificar tratamento por raça. Autoridades locais sustentam que a lei visa garantir neutralidade na seleção.

Argumentos de especialistas

Juristas consultados por veículos jornalísticos lembram que a questão envolve princípios constitucionais como igualdade formal e material, dignidade da pessoa humana e, dependendo do caso, a função reparatória das ações afirmativas.

A jurisprudência do STF tem considerado, em ocasiões anteriores, que políticas de cotas podem ser compatíveis com a Constituição quando demonstram finalidade compensatória e são temporais e proporcionais. A análise técnica do relator deverá avaliar se a nova norma estadual contraria entendimentos e precedentes firmados pelo tribunal.

Contexto local e implicações práticas

A discussão em Santa Catarina ganhou intensidade após recentes mudanças em políticas públicas estaduais e pressão de atores políticos locais. Em manifestações públicas, representantes partidários e líderes civis intensificaram o debate sobre o modelo de acesso ao ensino superior no estado.

Na prática, a suspensão solicitada por partidos e pela OAB pede que a norma não produza efeitos enquanto o STF não julgar o mérito. Se o relator conceder liminar, universidades estaduais deverão manter, por enquanto, seus regimes de ingresso anteriores ou seguir determinações judiciais específicas.

Possíveis desdobramentos no STF

Após a resposta da Alesc e do governo, o relator pode decidir por conceder ou negar a medida cautelar. Uma liminar favorável aos que pedem suspensão poderá travar a aplicação imediata da norma até que o plenário do STF ou a corte competente analise o mérito.

Especialistas indicam que, além do mérito constitucional, a Corte poderá avaliar aspectos processuais, como competência legislativa estadual versus normas federais, e o impacto prático da lei sobre estudantes e políticas públicas de inclusão.

O que está em jogo

Em debate estão não só diretrizes de acesso às universidades, mas também entendimentos mais amplos sobre reparação histórica, equilíbrio federativo e o papel do Judiciário na proteção de direitos fundamentais. A controvérsia pode influenciar decisões futuras sobre políticas afirmativas em outros estados.

Além disso, organizações que defendem ações afirmativas alertam para o risco de retrocessos em políticas que visam reduzir desigualdades raciais e socioeconômicas no ensino superior.

Próximos passos e acompanhamento

A Alesc e o governo estadual têm agora 48 horas para enviar as justificativas técnicas e jurídicas ao gabinete do ministro Gilmar Mendes. O Noticioso360 acompanhará o envio das respostas oficiais e eventuais decisões liminares no STF.

Nos próximos dias, espera-se que o relator decida sobre a necessidade de conceder medida cautelar. Caso haja liminar, a aplicação da lei poderá ser suspensa até a análise do mérito pelo Supremo.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.

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