Apneia e posturas que prejudicam a respiração podem elevar risco de declínio cognitivo; avaliação e exercícios são recomendados.

Respiração, postura e risco aumentado de demência

Especialistas associam apneia do sono e posturas que limitam a respiração a maior risco de demência; prevenção passa por diagnóstico e intervenção multidisciplinar.

A presença de distúrbios respiratórios durante o sono e hábitos posturais crônicos têm ganhado atenção como possíveis fatores que aumentam o risco de declínio cognitivo e demência.

Apneia obstrutiva do sono (AOS) — caracterizada por roncos intensos e pausas respiratórias — é a condição mais frequentemente associada a perda de memória e processos neurodegenerativos em estudos recentes.

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters e da BBC Brasil, há evidências suficientes para que médicos e pacientes fiquem atentos a sinais clínicos e busquem avaliação especializada.

Como a respiração afeta o cérebro

A AOS provoca episódios repetidos de redução do fluxo de ar nas vias respiratórias durante o sono, com queda na oxigenação sanguínea e fragmentação do sono.

Esses mecanismos podem acelerar processos inflamatórios e metabólicos no cérebro, além de prejudicar a consolidação da memória. Pesquisadores também citam o comprometimento do que chamam de “limpeza” metabólica cerebral, o sistema que remove proteínas potencialmente tóxicas associadas ao Alzheimer.

Postura e padrão respiratório

Por outro lado, o papel da postura está menos presente na cobertura popular, embora estudos fisiológicos indiquem efeitos relevantes.

Posturas prolongadas com cabeça projetada à frente e ombros curvados restringem a expansão torácica e alteram o padrão respiratório. A consequência pode ser um menor aporte de oxigênio durante atividades e pior qualidade do sono em algumas pessoas.

Impacto indireto na cognição

Quando esses desvios posturais e respiratórios são persistentes, surge maior sensação de fadiga, sonolência diurna e redução da capacidade de concentração — fatores que, ao longo do tempo, podem contribuir para declínios cognitivos.

Especialistas consultados nas apurações enfatizam que a relação não é necessariamente direta: muitas pesquisas apontam associações, não causalidade inequívoca.

Sinais que exigem investigação

Profissionais recomendam avaliação clínica quando aparecem sintomas como ronco muito alto, pausas respiratórias percebidas pelo parceiro, sonolência diurna excessiva e queixas de memória.

Exames como a polissonografia (estudo do sono) e testes de função respiratória ajudam a diagnosticar AOS e outros problemas que afetam a oxigenação noturna.

Opções de tratamento e medidas preventivas

Para apneia do sono, intervenções com comprovação de benefício incluem perda de peso, ajuste da posição ao dormir e, em casos moderados a graves, o uso de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP).

No campo da postura e da respiração, estratégias como fisioterapia postural, pilates, alongamentos e exercícios que fortalecem a musculatura respiratória aparecem como complementos úteis.

Além disso, medidas gerais de redução de risco — atividade física regular, controle de hipertensão e diabetes, e cessação do tabagismo — são reforçadas como fundamentais para preservar a saúde cerebral.

Limitações das evidências

É importante destacar que nem todos os estudos chegam à mesma conclusão. Há variabilidade em desenho de pesquisa, tamanhos de amostra, idade dos participantes e tempo de acompanhamento.

Algumas investigações observam associação apenas em subgrupos ou quando a apneia é moderada a grave. Por isso, pesquisadores pedem cautela antes de afirmar que tratar apenas a apneia ou corrigir postura será suficiente para prevenir demência em larga escala.

Recomendação prática

Para quem apresenta sinais de risco — ronco intenso, pausas respiratórias, fadiga diurna ou postura encurvada persistente — a recomendação é procurar avaliação em serviços de saúde.

Um caminho prudente é a abordagem multidisciplinar: avaliação do sono, acompanhamento por fisioterapeuta e mudanças no estilo de vida, que juntas reduzem sintomas e podem proteger a cognição ao longo do tempo.

Projeção futura

Pesquisas futuras com acompanhamento prolongado e ensaios controlados serão decisivas para esclarecer até que ponto intervenções respiratórias e posturais influenciam o risco de demência.

Enquanto os dados definitivos não chegam, a aposta clínica em identificar e tratar problemas respiratórios e posturais é de baixo risco e potencial benefício.

Fontes

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Analistas apontam que a atenção precoce a distúrbios do sono e a promoção de hábitos posturais podem reduzir impactos cognitivos ao longo das próximas décadas.

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