Corpo de Bombeiros de MG encerra operações; duas vítimas seguem não localizadas, familiares pedem transparência.

Brumadinho: fim das buscas após sete anos

Bombeiros de Minas encerram buscas em Brumadinho após 7 anos; dois corpos seguem desaparecidos e famílias exigem acesso a laudos.

O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais anunciou o encerramento das operações de busca relacionadas ao rompimento da barragem de Brumadinho, nesta data que marca sete anos do desastre. Segundo a corporação, todas as áreas mapeadas como prioritárias foram inspecionadas e não houve localização dos dois desaparecidos: o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo.

Nos primeiros meses após o rompimento, as ações envolveram buscas intensas, com varreduras manuais e mecanizadas. Em anos posteriores, as intervenções passaram a se concentrar em análises periciais, triagem de rejeitos e escavações pontuais, conforme informado oficialmente.

Segundo análise da redação do Noticioso360, compilando informações públicas e reportagens da G1 e da Agência Brasil, os trabalhos técnicos concluíram que não há indícios adicionais que justifiquem a continuidade das buscas no atual estágio.

O que os bombeiros disseram

Em nota técnica, a corporação afirmou que 100% dos rejeitos foram examinados nas áreas prioritárias e que foram utilizadas tecnologias de remoção, triagem e exames laboratoriais para tentar identificar vestígios humanos em diferentes camadas do solo contaminado.

O Corpo de Bombeiros também informou que os trabalhos se basearam em mapeamentos anteriores e em análises forenses conduzidas por equipes especializadas. A corporação manteve que o encerramento operacional não impede a continuidade de investigações judiciais ou de perícias complementares solicitadas por autoridades competentes.

Dúvidas de familiares e apoio técnico

Por outro lado, familiares das vítimas e grupos de apoio têm manifestado dúvidas sobre a abrangência e a metodologia aplicada nas últimas etapas das buscas. Em entrevistas públicas, parentes afirmaram querer acesso aos laudos técnicos e ao registro detalhado das áreas vistoriadas para avaliar possíveis lacunas no procedimento.

Especialistas em engenharia geotécnica consultados por veículos de imprensa ressaltam que, em zonas de rejeitos, a identificação de vestígios pode ser dificultada pela degradação biológica, compactação do material e movimentação sedimentar ao longo do tempo. Ainda assim, avaliaram que exames laboratoriais avançados e revisões periódicas do mapeamento podem, em casos específicos, indicar a necessidade de reabertura de buscas.

Perícia, técnica e limitação física

As práticas forenses aplicadas em ambientes contaminados combinam triagem física dos rejeitos com análises de DNA e outros exames laboratoriais. Mesmo assim, as condições ambientais aceleram a degradação e reduzem as chances de identificação passados vários anos.

Além disso, a movimentação natural das camadas de rejeito e eventuais intervenções humanas anteriores ao encerramento podem alterar o cenário original, dificultando ainda mais a localização de vestígios.

Implicações judiciais e acompanhamento institucional

O fechamento das operações de busca não encerra os processos judiciais e as investigações criminais que se sucedem desde 2019. Autoridades estaduais e federais, bem como órgãos de fiscalização, mantêm procedimentos de acompanhamento, incluindo perícias forenses, ações civis públicas e processos penais.

Compromissos de reparação firmados desde então seguem em andamento, e parte das medidas de mitigação e monitoramento da área foi implementada. Ainda assim, familiares e órgãos de controle continuam a cobrar responsabilidade e transparência sobre medidas futuras e sobre o acesso a documentos técnicos.

Mapeamento, transparência e demanda por documentos

Reivindicações centrais das famílias referem-se à transparência: o pedido é por acesso claro e completo aos relatórios periciais, às planilhas de áreas vistoriadas e aos registros de amostragem laboratorial. Segundo representantes das famílias, a disponibilização desses documentos permitiria avaliações independentes e a identificação de eventuais lacunas técnicas.

Da perspectiva institucional, a corporação e órgãos públicos afirmam que fornecerão informações de acordo com os procedimentos legais e a proteção de cadeias de custódia de vestígios e de dados sensíveis relacionados às investigações.

Contexto técnico e possibilidade de reabertura

Especialistas consultados destacam que, embora o encerramento operacional represente um marco técnico, ele não impede que novas evidências — quando detectadas por perícias independentes ou por revisões técnicas — motivem pedidos formais de reabertura das buscas.

Em ambientes complexos como depósitos de rejeitos, a ciência forense e a engenharia geotécnica avançam continuamente. Novas técnicas laboratoriais ou a identificação de elementos antes não considerados podem, em tese, ser levadas em conta por autoridades judiciais para decisões futuras.

Impacto social e memória

O desastre de Brumadinho deixou marcas profundas na comunidade local e no país. Além das perdas humanas, as consequências ambientais e socioeconômicas exigiram programas de reparação, monitoramento contínuo e iniciativas de apoio às famílias.

Organizações de vítimas e movimentos sociais mantêm vigília sobre as medidas compensatórias e sobre a responsabilização das empresas e gestores envolvidos, argumentando que o encerramento das buscas não resolverá a demanda por justiça e esclarecimento.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que a decisão operacional pode reacender debates sobre protocolos de busca e políticas de reparação nos próximos meses.

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