A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) apura mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Imagens de segurança e depoimentos de funcionários motivaram uma investigação que ainda está em andamento.
Segundo relatos obtidos pela apuração, técnicos de enfermagem ouvidos pela autoridade policial apresentaram versões conflituosas: houve registro de confissão parcial, negações formais e sinais de remorso em momentos distintos do processo. Noticioso360 cruzou informações de veículos oficiais e fontes da investigação para compor o quadro inicial.
O que as imagens mostram e o limite das evidências visuais
As imagens de circuito interno revelam movimentações em corredores e acessos às áreas da UTI, mas, segundo peritos e investigadores, elas não estabelecem, isoladamente, a causalidade das mortes. Em alguns trechos, é possível identificar entrada e saída de profissionais em horários que coincidem com as ocorrências, o que motivou confronto direto com depoimentos tomados pela PCDF.
Especialistas consultados pela apuração destacam que câmeras podem indicar presença e deslocamento, mas não registram procedimentos clínicos nem intervenções farmacológicas. Por isso, a investigação soma análise técnica a relatos para chegar a conclusões rigorosas.
Depoimentos contraditórios e o papel do confronto de provas
De acordo com fontes do processo ouvidas sob condição de anonimato, um dos técnicos admitiu ter participado de procedimentos que coincidem com o horário dos óbitos. Outro profissional, no entanto, negou atuação direta e afirmou que apenas cumpria rotinas autorizadas pela equipe médica.
A curadoria do Noticioso360, ao compilar informações do G1 e da Agência Brasil, aponta que o confronto entre imagens e depoimentos foi determinante para a reconfiguração de versões iniciais. Em várias situações investigativas, esse tipo de confronto revela contradições que precisam ser explicadas com perícia técnica.
Confissão parcial, remorso e negação
Fontes indicam que uma das pessoas envolvidas demonstrou arrependimento e afirmou não imaginar o desfecho; outra manteve postura de negação e alegou ter seguido ordens ou rotinas administrativas. Essas diferenças são centrais para a definição de eventual tipificação penal.
Advogados ouvidos pela reportagem lembram que confissão parcial pode influenciar a investigação, mas não substitui provas técnicas — a defesa ainda poderá alegar erro de interpretação ou que procedimentos estavam amparados por protocolos.
Perícia, prontuários e laudos: como se estabelece a causa
Peritos criminais e médicos legistas trabalham na correlação entre laudos toxicológicos, registros de administração de medicamentos no prontuário eletrônico e imagens das câmeras. A análise busca identificar sinais de administração indevida de agentes farmacológicos ou condutas que possam ter acelerado o óbito dos pacientes.
Além disso, a cadeia de custódia das provas digitais — desde a extração dos arquivos de vídeo até sua guarda — será verificada para evitar contestações processuais. Peritos ressaltam que, sem correlação entre exames laboratoriais e registros clínicos, fica difícil apontar com segurança a existência de ação externa que cause óbito.
Posicionamento do hospital e medidas internas
Em respostas oficiais, a direção do Hospital Anchieta informou que coopera com as autoridades e que revisou protocolos internos de segurança e acesso às áreas críticas. Segundo nota institucional, auditorias administrativas foram acionadas e períodos de treinamento foram reavaliados para reforçar controles.
Fontes hospitalares ouvidas indicam que medidas emergenciais foram adotadas para resguardar o atendimento e evitar novos episódios, incluindo revisão de checklists, logs de medicação e controle de acesso de pessoas às UTIs.
Enquadramento jurídico e possíveis desdobramentos
Do ponto de vista jurídico, a PCDF trabalha para qualificar os atos que podem variar entre homicídio doloso ou culposo e crime contra a saúde pública, dependendo do resultado das perícias. Investigações que envolvem profissionais de saúde costumam exigir prova técnica robusta para imputação penal.
Se os laudos indicarem administração irregular de medicamentos ou condutas que aceleraram o óbito, a polícia pode requerer prisão preventiva e ampliar o inquérito. Caso as perícias descartem intervenção externa, a apuração pode se resumir a procedimentos administrativos e responsabilização civil.
Presunção de inocência e apuração responsável
A redação optou por não divulgar nomes completos de funcionários ainda não indiciados, preservando a presunção de inocência. O princípio do contraditório e da ampla defesa será observado ao longo de toda a investigação, conforme destacam especialistas consultados.
Confrontos de versões, por si só, não bastam para uma condenação: é preciso a convergência entre evidências técnicas, documentos e depoimentos para formar um conjunto probatório sólido.
Próximos passos da investigação
As perícias complementares prosseguem, com análise de amostras toxicológicas, revisão de prontuários e reconstituição de rotinas. A PCDF também deve aprofundar a checagem de logs eletrônicos e entrevistas com outros profissionais presentes na UTI.
Se confirmadas irregularidades, o caso pode desencadear ações penais e administrativas. Em paralelo, o episódio tende a provocar revisão de protocolos hospitalares em outras unidades para reforçar a segurança dos pacientes.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o desfecho das perícias poderá influenciar demandas por maior fiscalização em UTIs e por novos protocolos de segurança hospitalar nos próximos meses.



