Vídeos mostram redes e iscas que imitam entulho para confundir drones ucranianos em áreas de frente.

Russos usam 'lixo ambulante' para driblar drones

Imagens e análises indicam uso de camuflagem improvisada — “entulho” sobre veículos e posições — para reduzir visibilidade aérea.

Vídeos publicados em redes sociais e replicados por canais próximos às Forças Armadas russas mostram estruturas de camuflagem concebidas para parecerem entulho de construção.

As imagens destacam mantas e redes sobre veículos ou pontos de observação, com pedaços rígidos colados por cima para simular tijolos, blocos de concreto e detritos. O objetivo declarado nas postagens é dificultar a detecção por drones ucranianos usados tanto para reconhecimento quanto para ataques de precisão.

Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou registros e reportagens da Reuters e da BBC Brasil, há confirmação visual de uso dessas camuflagens em material enviado por militares russos e por contas associadas às forças no terreno.

O que mostram os vídeos

Em vários registros, as chamadas “mantas” cobrem blindados leves e postos de observação. Sobre elas, elementos rígidos são fixados em padrões que imitam amontoados de entulho urbano.

As cenas não trazem, na maioria dos casos, metadados públicos que permitam confirmar data e local de gravação. Contas que disseminam o material costumam associá‑lo a unidades diferentes, o que complica atribuições de responsabilidade.

Como funciona a camuflagem

Especialistas consultados por veículos internacionais explicam que a eficácia desses disfarces depende do tipo de sensor empregado pelo drone.

  • Câmera óptica: a quebra de silhueta e a mimetização visual podem confundir operadores ou algoritmos de detecção.
  • Infravermelho: é necessário reduzir assinaturas térmicas; materiais isolantes ou camadas adicionais são exigidos.
  • Radar: a forma e o material determinam reflexões; iscas simples têm eficácia limitada contra radares mais avançados.

Na prática, o uso de entulho falso age principalmente sobre observação ótica e em cenários urbanos onde a presença de destroços é plausível.

Contexto tático: drones e contramedidas

O aumento do emprego de microdrones e veículos aéreos não tripulados por Kyiv tem forçado adaptações no terreno. Drones ucranianos são usados tanto para vigilância quanto para transportar cargas explosivas.

Como resposta, tropas têm adotado rotinas de camuflagem mais detalhadas, além de empregar iscas e disfarces para proteger equipamentos valiosos. Há, assim, uma dinâmica de ação e reação: táticas de detecção e contramedidas evoluem de forma contínua entre as partes.

Adaptação mútua

Relatos indicam que grupos de voluntários e círculos de apoio na Ucrânia também compartilharam instruções sobre como construir dispositivos e iscas para confundir sensores. Isso sugere um fenômeno simétrico — ou pelo menos paralelo — de improvisação e difusão de técnicas.

Segundo reportagens consultadas, tanto unidades militares quanto apoiadores civis têm experimentado soluções de baixo custo para enfrentar a vigilância aérea constante.

Limites da verificação

A reportagem adotou critérios de verificação. Muitos vídeos carecem de metadados que permitam confirmar hora e local. Em alguns casos, imagens são antigas ou circulam fora de contexto.

A atribuição de um vídeo a uma unidade específica exige rastreamento adicional, checagem de fontes primárias e, idealmente, confirmação por interlocutores locais. Até a publicação desta matéria, não há documentação oficial russa reconhecendo a adoção generalizada dessa tática.

Também não há evidência pública de que instruções oficiais ucranianas ordenem a reprodução das mesmas soluções vistas nos vídeos, embora existam indícios de que voluntários ucranianos tenham sido orientados a criar iscas e disfarces semelhantes.

Avaliação da efetividade

A análise feita pela redação do Noticioso360 aponta três conclusões principais a partir do material checado:

  • O material divulgado é consistente com tentativas práticas de camuflagem improvisada.
  • Não há comprovação pública de que esses disfarces tenham alterado decisivamente resultados táticos em confrontos específicos.
  • Tanto russos quanto ucranianos têm adaptado técnicas de ocultação e de engano à medida que as capacidades de drones evoluem.

Analistas ouvidos por meios internacionais ressaltam que soluções de baixa tecnologia podem ser úteis em cenários locais e temporários, mas não substituem medidas técnicas mais sofisticadas quando enfrentam sensores variados e operadores treinados.

Implicações práticas

Em termos operacionais, o recurso a camuflagens tipo “entulho” evidencia três aspectos: economia de recursos, rapidez de implementação e dependência da imaginação do pessoal em campo.

Além disso, a circulação online desse tipo de conteúdo alimenta uma espécie de manual prático que pode ser adotado por outros grupos, acelerando a difusão de contramedidas de baixo custo.

O que monitorar a seguir

Recomendações para apuração contínua incluem busca por metadados originais, entrevistas com especialistas em sensores e camuflagem e monitoramento de relatórios de inteligência abertos que possam confirmar mudanças táticas verificáveis.

Também é importante acompanhar se autoridades militares reconhecem o uso sistemático dessas técnicas e se há registro documentado de impacto em operações reais.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

Analistas apontam que o movimento pode redefinir práticas táticas no campo nos próximos meses.

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