Circula nas redes sociais a afirmação de que a Terra perderia a gravidade por alguns segundos em agosto de 2026, um cenário apresentado como causa de eventos catastróficos imediatos. A mensagem viral mistura linguagem alarmista e imagens fora de contexto para sugerir uma anulação temporária do campo gravitacional do planeta.
Segundo análise da redação do Noticioso360, compilada a partir de relatórios públicos e explicações de órgãos como a NASA e reportagens da Reuters, não há qualquer base científica para a alegação. Especialistas consultados descartam a hipótese e explicam por que o fenômeno descrito é fisicamente inviável.
Por que a ideia não se sustenta
A gravidade é uma interação fundamental determinada pela massa e pela curvatura do espaço-tempo ao redor de um corpo. No cotidiano e nas escalas do Sistema Solar, ela é bem descrita pela lei da gravitação universal de Newton e, em termos mais amplos, pela relatividade geral de Einstein.
Para que a gravidade da Terra “desaparecesse” seria necessário remover ou alterar dramaticamente a massa do planeta, ou provocar uma mudança abrupta na estrutura do espaço-tempo. Não existe mecanismo físico conhecido que produza essa anulação temporária sem, de modo simultâneo, destruir a própria Terra ou desencadear sinais detectáveis por observatórios geofísicos muito antes do efeito macroscópico.
Energia, massa e sinais detectáveis
Alterações bruscas no campo gravitacional implicariam liberação ou absorção de quantidades enormes de energia. Tais eventos gerariam ondas de choque, terremotos e alterações na órbita de satélites que seriam imediatamente observáveis por redes sísmicas, estações geodésicas e instrumentos de monitoramento orbital.
“Fenômenos que mudem a gravidade de forma abrupta não passam despercebidos”, dizem pesquisadores ouvidos por veículos de checagem. Mesmo variações pequenas no peso aparente, como as causadas por marés ou mudanças de altitude, têm explicação e escala bem compreendidas e não equivalem à ausência de gravidade.
O que familiares com microgravidade explicam
É comum que imagens de astronautas “flutuando” em estações orbitais alimentem confusão: a sensação de microgravidade em órbita ocorre porque os objetos estão em queda livre contínua ao redor da Terra — não porque a gravidade tenha cessado.
Além disso, experimentos que registram microgravidade por curtos períodos são feitos em ambientes controlados, como aviões de gravidade reduzida (parabolic flights) ou laboratórios específicos. Esses casos não representam uma mudança global do campo gravitacional terrestre, e sim condições locais e temporárias cuidadosamente medidas.
Histórico de boatos com datas específicas
Rumores que apontam datas para catástrofes planetárias são recorrentes e costumam reaparecer com leves variações. Em geral, formam-se a partir de interpretações errôneas de resultados científicos, imagens manipuladas, ou simplesmente por exploração da sensação de urgência.
Reportagens e checagens anteriores mostram que, ao serem confrontados com a necessidade de apresentar evidências, os promotores desses boatos raramente fornecem artigos revisados por pares, alertas de agências oficiais ou dados provenientes de redes de observação científicas.
O papel das agências científicas
A NASA e outros institutos de pesquisa mantêm materiais educativos que explicam claramente o funcionamento da gravidade e o porquê de variações perceptíveis terem causas específicas e conhecidas. Em comunicações públicas, agências espaciais lembram que não há previsão ou mecanismo plausível para que a Terra “perca” sua gravidade por alguns segundos.
Redes de monitoramento sísmico e geodésico acompanham em tempo real alterações na dinâmica da Terra. Qualquer evento de escala capaz de alterar globalmente o campo gravitacional produziria sinais inequívocos nesses sistemas.
Como identificar e reagir a boatos
Verifique fontes: mensagens alarmistas sem referência a estudos ou a agências científicas devem ser tratadas com cautela. Procure por comunicados oficiais de organismos reconhecidos, reportagens de veículos confiáveis e checagens independentes antes de compartilhar.
Desconfie de imagens fora de contexto e de previsões que não citam métodos, autores ou dados verificáveis. A repetição de um rumor nas redes sociais não o transforma em evidência.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Esta apuração cruzou explicações técnicas de órgãos científicos, reportagens de agências de notícia e materiais de divulgação sobre gravidade. A redação optou por linguagem acessível e preservou a originalidade do texto para evitar reprodução direta de trechos do boato.
Analistas ouvidos pela redação destacam que, embora boatos como este se espalhem com rapidez, a resposta da comunidade científica e de veículos de checagem tende a ser eficiente na contenção de desinformação técnica. É provável que, à medida que se aproximem datas lembradas por boatos, circulações semelhantes ressurgirão — e a demanda por verificação independentemente confiável deve aumentar.
Analistas apontam que o movimento de desinformação em torno de datas alarmistas pode reforçar a necessidade de alfabetização científica e fortalecer protocolos de checagem nos próximos meses.
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