Arte rupestre em Sulawesi
Pesquisadores que estudam cavernas na ilha de Sulawesi, na Indonésia, identificaram uma silhueta de mão pintada em uma parede rochosa que foi datada em pelo menos 40 mil anos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em levantamentos da Reuters e da BBC Brasil, a descoberta reforça a ideia de que manifestações artísticas complexas foram produzidas fora da Europa já no Pleistoceno superior.
O achado
A imagem, localizada no sul de Sulawesi, consiste em um estêncil negativo de mão sobreposto por depósitos de calcita. A equipe internacional que conduziu a pesquisa, com destaque para o arqueólogo Maxime Aubert, empregou técnicas de datação por séries de urânio para estimar a idade mínima do pigmento.
Além do traço de mão, o repertório local inclui figuras animais e marcas abstratas, muitas delas já conhecidas em estudos publicados ao longo da última década. Reportagens iniciais, publicadas em outubro de 2014, apresentaram as primeiras idades que colocaram as pinturas de Sulawesi entre as mais antigas do planeta.
Como foi datado
Os pesquisadores aplicaram a chamada datação por séries de urânio em finas camadas de calcita que se formaram sobre as pinturas. Como essas camadas são deposições minerais posteriores à pintura, sua idade fornece um limite mínimo para a realização da arte.
Em termos práticos, quando a calcita sobre uma pintura é datada em 40 mil anos, isso significa que a pintura havia sido feita antes desse depósito se formar. Esse tipo de evidência é considerado robusto, mas depende da presença e preservação adequada de depósitos carbonáticos.
Comparação com a Europa
Os resultados colocam pinturas de Sulawesi na mesma escala temporal de cavidades europeias famosas, como Chauvet e Lascaux. Em alguns casos, as imagens indonésias podem ser contemporâneas ou ainda mais antigas que as pinturas clássicas da Europa ocidental.
Por outro lado, pesquisadores lembram que a comparação entre sítios de diferentes regiões exige cautela: métodos de amostragem, contexto estratigráfico e conservação diferem entre cavernas e, portanto, as idades absolutas precisam ser interpretadas com rigidez metodológica.
Significado arqueológico
A presença de imagens figurativas e de silhuetas de mão em Sulawesi sugere práticas simbólicas consolidadas entre populações humanas anatômica e comportamentalmente modernas que viviam na região no Pleistoceno superior.
Isso tem implicações para modelos de migração humana e de difusão cultural, pois aponta para um cenário multifocal em que a expressão gráfica aparece em diferentes pontos do planeta de forma praticamente simultânea, ou com pequenas defasagens temporais.
Limites e debates
A interpretação cronológica da arte rupestre depende diretamente dos métodos empregados. Alguns especialistas questionam a representatividade das amostras e a extrapolação de resultados de poucos sítios para uma narrativa regional ampla.
Há também discussão sobre quantas pinturas na região podem ser confirmadas com o mesmo nível de robustez metodológica. Pesquisas futuras devem ampliar o número de amostras e integrar estudos de pigmentos, técnicas de pintura e contextos estratigráficos.
Métodos complementares
Além da datação por urânio, as equipes aplicaram análises químicas e técnicas de imagem para identificar traços de pigmento e para distinguir superposições de pintura e depósito mineral. Essas abordagens ajudam a contextualizar a obra no repertório regional e a reduzir incertezas interpretativas.
O cruzamento de dados arqueológicos, geoquímicos e paleoambientais foi destacado como caminho para tornar as idades e interpretações mais robustas.
Impacto regional e global
Para o público e a comunidade científica, a descoberta reafirma a necessidade de entender a pré-história como um fenômeno global. A ênfase exclusiva na Europa como berço das primeiras expressões gráficas encontra limites diante de evidências crescentes do Sudeste Asiático.
No plano prático, a importância do achado está em dois níveis: demonstra que práticas simbólicas complexas circulavam amplamente entre populações que migraram pela Ásia meridional e Sudeste Asiático; e força a reavaliação de modelos de difusão cultural que priorizam um único centro geográfico.
Próximos passos
Especialistas consultados nas coberturas recomendam campanhas maiores de datação, estudo comparativo de pigmentos e programas de pesquisa que integrem arqueologia, geoquímica e paleoecologia.
Projetos futuros também devem ampliar a documentação das cavernas, treinar equipes locais e desenvolver protocolos de conservação das pinturas frente a ameaças ambientais e ao turismo.
Conteúdo verificado
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas e em artigos científicos que embasam a cobertura.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Pesquisadores apontam que a continuidade das investigações pode redefinir modelos de dispersão humana e a história da arte nos próximos anos.
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