Sócios de empresas investigadas na Operação Carbono Oculto estiveram envolvidos na compra de carteiras de crédito consignado do Banco Master, em operações que somariam cerca de R$ 700 milhões, segundo relatos publicados por veículos nacionais e documentos públicos consultados pela reportagem.
De acordo com registros de cessão de crédito e documentos empresariais datados entre 2021 e 2023, as aquisições ocorreram em parcelas e por meio de veículos jurídicos distintos. A fragmentação das operações dificulta o rastreio imediato da origem dos recursos e do destino final dos montantes.
Segundo análise da redação do Noticioso360, cruzando dados públicos, reportagens e registros cartoriais, há indícios de movimentações financeiras atípicas que coincidem no calendário com a compra dessas carteiras.
Quem são os envolvidos
As empresas citadas nas apurações são a Áster e a Copape. Ambas foram mencionadas nas investigações que deram origem à Operação Carbono Oculto, por suspeitas que vão de sonegação fiscal até organização criminosa, conforme peças judiciais e notícias de maio e junho de 2024.
Fontes abertas consultadas pela reportagem indicam que os sócios dessas empresas também mantiveram participação em veículos jurídicos usados para operacionalizar aquisições de ativos financeiros. Em alguns casos, contratos públicos mostram que as empresas prestavam serviços a órgãos estatais antes das transações no mercado financeiro.
Como foi a compra das carteiras
Documentos e registros de cartórios apontam que as carteiras de consignado foram adquiridas em lotes, por meio de cessões de crédito formais. Parte das operações foi intermediada por bancos e fundos especializados em aquisição de carteiras, segundo notas de mercado e comunicados internos obtidos por veículos de imprensa.
Relatos do mercado indicam que parte do volume negociado acabou vinculada a títulos de menor qualidade — frequentemente chamados de “títulos podres” — que circulam no mercado secundário entre instituições financeiras e fundos. Essas operações costumam ter menos transparência pública, o que eleva o risco de uso indevido para mascarar origem de recursos.
Intermediação do Banco Master
Há divergência sobre o papel exato do Banco Master na operação. Algumas reportagens apresentam o banco como cedente das carteiras; outras, como mero intermediador em negócios entre vendedores e compradores no mercado secundário.
Em resposta formal solicitada pela reportagem, o Banco Master afirmou que todas as operações seguem normas de compliance e que fornecerá documentos às autoridades se requisitado. A instituição disse ainda que atua conforme as regras do mercado e que eventuais esclarecimentos serão prestados às autoridades competentes.
O destino dos recursos
A apuração tentou seguir três pontos centrais: a identidade dos sócios, a dinâmica da compra das carteiras e o destino dos recursos após as transações. Registros públicos confirmam a aquisição das carteiras no período indicado, mas não há prova pública de que recursos ilícitos tenham sido transformados em títulos emitidos pelo Banco Master.
Fontes de mercado ouvidas indicam que parte dos ativos foi reempacotada e negociada entre instituições financeiras. A ausência de extratos bancários e de contratos integrais — que só podem ser obtidos mediante ordem judicial — impede, por ora, comprovar lavagem ou reaplicação direta em títulos do banco.
Posicionamentos oficiais
Advogados que representam as empresas consultadas disseram que as aquisições foram comerciais e respaldadas por contratos, sem ligação direta com irregularidades apontadas em investigações distintas.
Por sua vez, o Banco Master disse, em nota oficial, que cumpre rotinas de compliance e que não compactua com operações suspeitas. A instituição afirmou também que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos e entregar documentos quando solicitado.
O que falta para comprovar irregularidades
Para avançar na apuração, são necessários cheques cruzados com extratos bancários via ordem judicial, acesso a contratos integrais entre as partes e perícia financeira independente. Só com esses elementos será possível estabelecer a cadeia de origem e destino dos recursos com grau de certeza aceitável para um processo judicial ou administrativo.
Possíveis desdobramentos incluem investigação complementar pelo Ministério Público, pedidos de perícia contábil e inclusão do caso em inquéritos já abertos na Operação Carbono Oculto. A investigação também pode demandar cooperação internacional caso haja indícios de remessa de valores ao exterior.
Impactos no mercado e na esfera pública
Operações de grande volume envolvendo carteiras de consignado e títulos de baixa qualidade podem afetar a percepção de risco no mercado. Analistas ouvidos por veículos especializados alertam que a circulação de ativos duvidosos entre instituições financeiras reduz a liquidez e pode elevar o custo de crédito.
No âmbito político, qualquer comprovação de ligação entre recursos ilícitos e títulos negociados entre bancos poderia alimentar investigações sobre corrupção e irregularidades em contratos públicos, especialmente quando os vendedores dos ativos tiveram contratos com órgãos estatais.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Fontes
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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