Empresa de parentes de Daniel Vorcaro é apontada como sócia majoritária em projeto com certificados contestados.

Família Vorcaro vinculada a projeto de carbono

Apuração sobre participação de empresa de parentes de Daniel Vorcaro em projeto que originou certificados de carbono contestados.

Documentos e relatos iniciais consultados pela reportagem indicam que uma empresa ligada a parentes do banqueiro Daniel Vorcaro detém participação majoritária — apontada em 80% — em um projeto de créditos de carbono cujo lastro e regularidade estão sendo questionados.

O material em poder da reportagem aponta para divergências sobre a natureza jurídica do empreendimento, a origem das terras e a forma como os créditos foram quantificados e comercializados. Há indicações de sobreposição parcial com imóveis ou áreas que constam em registros públicos como pertencentes ao Estado.

O que a apuração identificou

A apuração da reportagem reuniu contratos, ofícios e mapas que mostram a relação societária da empresa citada com a família Vorcaro, incluindo documentos que atribuem 80% de participação no projeto a essa pessoa jurídica.

Segundo análise da redação do Noticioso360, o principal risco apontado nos documentos é a emissão de certificados de remoção ou conservação de carbono sobre áreas com indefinição na titularidade. Se os títulos de terra não estiverem regularizados ou se houver uso de áreas públicas sem autorização, os certificados perdem lastro técnico e jurídico.

Transações e validação técnica

Fontes ouvidas afirmam que não foram localizadas, em bases públicas acessíveis, auditorias independentes que atestem a metodologia adotada para quantificar estoques e fluxos de carbono do projeto. Também não foram apresentadas evidências de registros em padrões internacionais específicos, como Verra (VCS) ou Gold Standard.

Sem validações e laudos de referência, o mercado pode aceitar certificados cuja comprovação de redução ou remoção de emissões é fraca. Isso representa risco ambiental e financeiro para compradores e para políticas públicas que eventualmente considerem esses títulos.

Documentos e lacunas

A documentação inicial obtida pela reportagem aponta uso de parcelas territoriais com alguma sobreposição a áreas públicas, segundo mapas e descrições. Porém, sem acesso direto a cartórios e bases atualizadas do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), não foi possível confirmar se houve autorização formal para ocupação ou uso dessas áreas.

Também faltam, entre os papéis apresentados, contratos societários completos, termos de cessão de direitos sobre imóveis e relatórios técnicos assinados por validadores reconhecidos. A ausência dessas peças impede concluir que houve fraude ou irregularidade formalmente comprovada.

Implicações públicas

Há duas frentes de interesse público que se sobrepõem no caso: primeiro, o risco de conflito de interesse pela participação de parentes de um banqueiro em projetos que podem envolver recursos ou benefícios com relação a terras que têm vínculo com o setor público; segundo, a qualidade técnica dos créditos de carbono emitidos, que é matéria de integridade climática e de confiança no mercado.

Em termos práticos, a presença de um grupo familiar ligado a um ator com poder econômico pode demandar transparência sobre a origem do capital e eventual relação com políticas públicas ou incentivos fiscais. Separadamente, a qualidade ambiental dos títulos precisa ser aferida por auditoria técnica.

O que falta checar

  • Consultar matrículas e registros do imóvel em cartórios e no INCRA para confirmar titularidade;
  • Verificar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e bases do Serviço Florestal Brasileiro para identificar sobreposições;
  • Obter contratos societários e documentos de cessão de direitos da empresa proprietária;
  • Solicitar relatórios técnicos, laudos de quantificação de carbono e auditorias de validadores reconhecidos (por exemplo, Verra ou auditorias independentes);
  • Mapear transações de comercialização dos créditos em plataformas de mercado, notas fiscais ou contratos de compra e venda.

Perguntas feitas e direito de resposta

A reportagem procurou formalmente representantes da empresa citada e do próprio Daniel Vorcaro para obter esclarecimentos sobre a participação societária e a origem dos investimentos. Até a publicação, não recebemos documentos públicos ou respostas que comprovem autorização formal para projetos nas áreas citadas.

É prática jornalística reservar a possibilidade de resposta e incorporar esclarecimentos que possam confirmar ou refutar as informações iniciais. A obtenção dos contratos societários e de laudos técnicos é etapa central para essa verificação.

Recomendações para apuração

Para avançar, a redação recomenda ação coordenada entre investigação jurídica e validação técnica: levantamento registral em cartórios, checagem em bases como INCRA e CAR, requisição dos contratos societários e pedidos formais de auditorias emitidas por padrões reconhecidos.

Sem esses elementos, qualquer afirmação categórica sobre ausência de lastro ou crime seria precipitada. No entanto, os indícios presentes nos documentos que chegaram à reportagem justificam investigação aprofundada.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fontes

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