Infusão estética levou a quadro grave de baixa de sódio
Uma empresária de São Paulo foi internada com hiponatremia grave após receber cinco aplicações seriadas de soroterapia indicadas no contexto da menopausa. A paciente relatou queda súbita do estado geral, confusão mental e sintomas neurológicos que motivaram atendimento em hospital privado, onde permaneceu cerca de sete dias em unidade semi-intensiva para monitoramento e correção do sódio plasmático.
Segundo o relato fornecido ao veículo, a sequência de infusões — popularmente conhecida como “soro da beleza” — tinha por objetivo aliviar sintomas da menopausa e promover “revigoramento” imediato. Exames laboratoriais apontaram sódio plasmático em níveis compatíveis com hiponatremia severa, condição que pode provocar edema cerebral, convulsões, coma e risco de lesão neurológica permanente.
De acordo com a apuração e cruzamento de documentos e diretrizes, a redação do Noticioso360 analisou o caso e compilou evidências que ajudam a entender as causas prováveis, responsabilidades profissionais e panorama regulatório sobre infusões intravenosas com vitaminas e outros compostos.
O que é hiponatremia e por que é perigosa
Hiponatremia é a diminuição da concentração de sódio no sangue. Quando instalada de forma aguda e intensa, leva à entrada de água nas células cerebrais, causando inchaço (edema) e sintomas neurológicos. A apresentação clínica varia de náuseas e cefaleia a confusão, crises convulsivas e perda de consciência.
A conduta médica requer diagnóstico rápido e correção controlada do sódio para evitar a síndrome da desmielinização osmótica, uma complicação grave associada a uma reposição muito rápida. Por isso, pacientes com hiponatremia severa são geralmente monitorados em unidades com suporte intensivo e monitorização neurológica.
Possíveis mecanismos relacionados à soroterapia
Especialistas consultados e diretrizes médicas apontam três mecanismos plausíveis para a hiponatremia neste contexto: administração de soluções hipotônicas em volume elevado; presença de solventes ou excipientes que favoreçam retenção hídrica; ou interação com medicamentos de uso contínuo que alterem a excreção renal de água.
Além disso, alterações hormonais da menopausa ou disfunções do eixo que regulam o hormônio antidiurético (ADH) podem predispor a variações no balanço hidroeletrolítico. Sem documentação completa — notas de prescrição, composição das soluções e volumes exatos — é impossível afirmar com certeza a causa única do episódio.
O que a apuração encontrou e o que falta
A investigação do Noticioso360 teve acesso ao relato direto da paciente e a documentos parciais entregues à redação. Esses registros mostram uma sequência temporal entre as aplicações e a instalação dos sintomas, fator que fortalece a hipótese de reação iatrogênica.
No entanto, não foi possível confirmar por falta de documentação: a formulação exata das soluções administradas, a origem e condições de conservação dos insumos, notas fiscais que comprovem lotes, nem laudos toxicológicos ou exames laboratoriais anteriores às aplicações. Também faltam registros clínicos que detalhem se houve reconhecimento e manejo precoce dos sinais antes da internação.
Essas lacunas são centrais para avaliar responsabilidades e padrões de prática. Procedimentos invasivos com medicamentos ou suplementos exigem avaliação prévia, prescrição justificável e ambiente adequado para resposta a emergências. A ausência desses elementos pode caracterizar falha técnica, negligência ou descumprimento de normas sanitárias.
Regulação, práticas e riscos
No Brasil, órgãos reguladores e sociedades médicas têm emitido alertas sobre o crescimento das chamadas “infusões estéticas”. A oferta comercial em clínicas e espaços de bem-estar muitas vezes ocorre fora de protocolos clínicos robustos, com dependência de formulações não padronizadas.
Profissionais de saúde ou estabelecimentos que realizam terapias com infusões devem garantir: prescrição médica fundamentada, informação clara ao paciente sobre conteúdo e riscos, registro documental das substâncias e volumes administrados, e ambiente com equipamentos e pessoal treinado para manejo de complicações.
Responsabilidade profissional
Do ponto de vista ético e legal, apenas profissionais habilitados podem prescrever e administrar medicamentos injetáveis. Erros no preparo, diluição inadequada, falhas de técnica ou uso de soluções impróprias aumentam o risco de eventos adversos. Em casos de dano, a investigação deve apurar atos do prescritor, do executor da aplicação e do estabelecimento onde o procedimento ocorreu.
Hipóteses alternativas avaliadas
A apuração considerou também hipóteses que poderiam ter contribuído para o quadro: uso de medicação de rotina que favoreça retenção de água, doenças crônicas não informadas, ou distúrbios endócrinos que modulam a secreção de ADH. Essas condições, isoladas ou combinadas com infusões, podem precipitar hiponatremia.
Sem exames complementares antes do início do ciclo de aplicações, a distinção entre causa primária e fator contribuidor permanece em aberto.
Recomendações para pacientes e clínicos
Com base nas diretrizes consultadas e na análise do caso, o Noticioso360 recomenda que pacientes:
- Peçam lista completa dos insumos, doses e volumes a serem administrados;
- Solicitem avaliação clínica e exames laboratoriais base antes de qualquer infusão eletiva;
- Verifiquem registro profissional e qualificação do responsável técnico;
- Prefiram procedimentos realizados em ambiente com suporte para emergências.
Profissionais de saúde devem documentar prescrições, conservar registros de lotes e adotar protocolos de monitoramento durante e após infusões, especialmente quando o objetivo é estético ou sintomático e não terapêutico comprovado.
Próximos passos da apuração
O veículo continuará a solicitar documentos hospitalares, notas fiscais dos insumos e posicionamento do estabelecimento e do profissional que aplicou as infusões. Caso novos laudos ou registros sejam obtidos, a apuração será atualizada para esclarecer responsabilidades e método de preparo das soluções.
Fontes
- Noticioso360 — Relato da paciente e documentos entregues à redação — 2026-01-20
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia — Diretrizes sobre hiponatremia — 2019-05-10
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — Orientações sobre medicamentos injetáveis — 2020-08-12
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas e especialistas consultados apontam que o crescimento da oferta de infusões estéticas pode levar a discussões regulatórias mais rígidas e à necessidade de campanhas de informação pública sobre riscos em curto prazo.
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