Comissão cita eficácia clínica, mas descarta inclusão no SUS por custo e impacto orçamentário.

Conitec não incorpora vacina contra herpes-zóster

Conitec reconhece eficácia do imunizante contra herpes-zóster, mas rejeita incorporação ao SUS diante do alto custo e do impacto fiscal.

Conitec opta por não incorporar vacina contra herpes-zóster ao SUS

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias em Saúde (Conitec) decidiu, em decisão recente, não recomendar a inclusão da vacina contra o herpes-zóster no Programa Nacional de Imunizações do SUS. A deliberação destacou a eficácia clínica do imunizante, mas considerou que o preço praticado e o impacto orçamentário tornam a incorporação insustentável no momento.

Segundo análise da redação do Noticioso360, a avaliação levou em conta estudos de custo-efetividade, a estimativa do gasto para vacinar populações-alvo amplas e a duração da proteção conferida pelo imunizante. A apuração cruzou documentos públicos da Conitec e reportagens da imprensa, incluindo levantamentos do G1 e da Agência Brasil.

O que motivou a decisão

A avaliação técnica reconheceu que o imunizante de vírus recombinante — comercialmente conhecido como Shingrix e aplicado em esquema de duas doses — apresenta eficácia consistente na prevenção do zóster e da neuralgia pós-herpética em adultos mais velhos e em grupos de risco.

No entanto, a análise econômica foi o ponto determinante. A Conitec considerou o preço atual no mercado privado, que pode chegar a aproximadamente R$ 2.000 por esquema completo, e projetou o impacto financeiro para o SUS caso a vacina fosse oferecida a grupos amplos, como idosos e pessoas com comorbidades.

Critérios de custo-efetividade

Os especialistas da comissão aplicaram métricas como custo por ano de vida ajustado por qualidade (QALY) e estimativas de impacto orçamentário extrapoladas para o universo da população elegível. Concluíram que, com os valores apresentados, a intervenção não atendia aos limites de custo-efetividade e colocaria pressão significativa nas finanças públicas de saúde.

Além do preço, a Conitec apontou incertezas relacionadas à magnitude do benefício populacional, à taxa de incidência em diferentes faixas etárias e à duração da proteção oferecida pela vacina. Lacunas de dados sobre efetividade em populações específicas também pesaram na avaliação.

Possíveis cenários e argumentos contrários

Por outro lado, veículos da imprensa e especialistas ouvidos ressaltaram que negociações em escala, compras centralizadas e acordos com fabricantes podem reduzir substancialmente o preço unitário. Há precedentes em que inclusão em programas públicos e compras em blocos internacionais geraram queda de custos considerável.

A Conitec, nesse sentido, deixou margem para reavaliação. A comissão afirmou que poderá revisar a decisão caso sejam apresentadas propostas de preço mais vantajosas ou novos estudos econômicos que alterem a razão custo-benefício da tecnologia.

Impacto prático para pacientes e médicos

A decisão administrativa não impede que médicos prescrevam a vacina na rede privada, nem barra a administração do imunizante por meios alternativos. Na prática, a oferta continuará majoritariamente no mercado privado, com custos que podem inviabilizar o acesso amplo por usuários do SUS.

Especialistas ouvidos em reportagens afirmam que a ausência da vacina na lista do SUS pode ampliar desigualdades de acesso, sobretudo entre idosos de baixa renda. Por outro lado, gestores públicos defendem priorização de tecnologias com maior retorno de saúde por real investido, sobretudo em contexto de restrição fiscal.

Transparência e processos futuros

Os documentos técnicos e o parecer final da Conitec foram publicados e serviram de base para a decisão. A comissão recomendou que o Ministério da Saúde mantenha diálogo com fabricantes e monitore evolução de preços e evidências científicas.

O Ministério tem alternativas: negociar compra centralizada, solicitar complementação de dados dos fabricantes ou aguardar redução de preço para submeter novo pedido de incorporação. A possibilidade de revisão dá um horizonte de reabertura da discussão caso mudem os parâmetros econômicos.

O que os estudos mostram

Estudos clínicos e revisões sistemáticas indicam redução significativa do risco de zoster e da dor pós-herpética com o imunizante de vírus recombinante, especialmente em adultos acima de 50 anos. Esses achados sustentam o mérito clínico do produto, mesmo que o retorno econômico dependa de preço e alcance da campanha vacinal.

Na análise de custo-efetividade, a relação entre o preço por esquema e eventos evitados (internações, complicações e tratamento da dor crônica) foi decisiva. Com valores de mercado atuais, os ganhos em saúde não foram suficientes para justificar a alocação de recursos públicos no cenário avaliado.

Curadoria e verificação

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em documentos públicos da Conitec e reportagens do G1 e da Agência Brasil. A redação compilou e analisou o material técnico para apresentar os elementos que pesaram na decisão e as principais implicações para a saúde pública.

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Fechamento e projeção

Até o momento, a posição oficial é contrária à incorporação. O desfecho poderá mudar se houver redução significativa do preço negociado, apresentação de novos dados econômicos ou alteração da política orçamentária do Ministério da Saúde.

Analistas recomendam acompanhamento de novas publicações da Conitec, negociações do Ministério da Saúde e estudos de efetividade em populações locais. Caso as condições econômicas se alterem, a reavaliação técnica pode tornar viável a inclusão da vacina no calendário público.

Fontes

Autoria e tendência: analistas apontam que a movimentação pode redefinir debates sobre prioridades de financiamento em saúde pública nos próximos meses.

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