O Irã aparece entre as 20 principais potências militares globais, ocupando a 16ª posição em rankings que medem capacidade geral. Números de bases abertas apontam para cerca de 610 mil militares em serviço ativo, 350 mil na reserva e aproximadamente 220 mil em forças paramilitares, como o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e unidades afiliadas.
Esses números oferecem uma fotografia quantitativa do aparente poder de ataque iraniano, mas não esgotam a análise sobre suas capacidades reais de ofensiva e projeção. Segundo análise da redação do Noticioso360, que cruzou dados do GlobalFirepower, Reuters e BBC Brasil, o componente principal do potencial agressivo de Teerã está menos em aviões e mais em mísseis, drones e estratégias assimétricas.
Forças e efetivo
Em termos de pessoal, o Irã mantém um contingente numeroso. A soma entre militares ativos, reservistas e paramilitares cria uma base humana ampla que pode ser mobilizada para defesa territorial e operações regionais. Além disso, o IRGC opera de forma semi-autônoma e concentra unidades especializadas, incluindo as forças Quds, envolvidas em ações externas e suporte a grupos aliados.
Contudo, o número de soldados não traduz automaticamente superioridade tecnológica. A força aérea iraniana inclui muitos aviões antigos, herdados de épocas anteriores e difíceis de manter sob o peso de sanções internacionais. Isso limita o alcance operacional em confrontos convencionais com potências dotadas de superioridade aérea e de guerra eletrônica.
Arsenal de mísseis e drones
O arsenal balístico do Irã é apontado por analistas como a espinha dorsal do seu poder de ataque. Teerã desenvolveu uma família de mísseis de curto, médio e alcance intermediário, alguns com capacidade para carregar ogivas convencionais. Esses sistemas permitem ameaças a infraestruturas regionais e apresentam uma ferramenta efetiva de dissuasão.
Além dos mísseis, os drones (veículos aéreos não tripulados) vêm sendo integrados a campanhas ofensivas e de vigilância. Drones armados oferecem baixo custo operacional e permitem alcançar alvos sem expor tripulação aérea, sendo hoje uma peça-chave na capacidade de projeção iraniana e no apoio a grupos parceiros em várias frentes do Oriente Médio.
Sistemas de lançamento e logística
O Irã também investiu em sistemas de lançamento múltiplo e infraestrutura para dispersar e proteger seus meios, tornando mais difícil a neutralização prévia do arsenal. Entretanto, limitações logísticas e de produção — agravadas por embargos — ainda afetam a manutenção e a modernização contínua desses vetores.
Capacidades navais e ações assimétricas
No mar, a estratégia iraniana combina unidades convencionais e assimétricas. Pequenas embarcações rápidas, minas, e unidades de mísseis costeiros representam uma ameaça capaz de perturbar rotas marítimas estratégicas, especialmente no Estreito de Ormuz, por onde passa parcela significativa do petróleo global.
Há também esforços de modernização naval, com relatos sobre submarinos e novos navios de patrulha. Paralelamente, o Irã expande redes de proxies e grupos aliados em países como Líbano, Síria, Iraque e Iêmen — aumentando seu alcance por meio de atores não estatais e reduzindo a necessidade de projeção direta por forças convencionais.
Limitações e fragilidades
Apesar de ameaças concretas, o Irã não dispõe hoje de todos os elementos necessários para sustentar uma guerra convencional prolongada contra potências de topo. A falta de aviões modernos em número suficiente, dificuldades de manutenção e integração tecnológica prejudicam a capacidade de controle do espaço aéreo e de sustentação logística em longas operações.
Adicionalmente, sistemas de comando e controle e fragilidades em suprimentos avançados (sensores, motores e componentes eletrônicos) limitam o salto qualitativo que transformaria força quantitativa em domínio tecnológico.
O que isso significa para a região e para o mundo
Para países do Oriente Médio e para rotas comerciais, o poder de ataque iraniano representa um fator de instabilidade. Ataques com mísseis e drones, além de ações navais assimétricas, podem afetar o mercado de energia e aumentar o custo de seguros e escoltas em alto-mar.
De forma estratégica, o Irã prefere combinar capacidade militar direta com influência por meio de proxies. Essa abordagem permite-lhe ampliar impacto geopolítico sem expor excessivamente suas forças convencionais a confrontos diretos com potências mais avançadas.
Conclusão e projeção futura
A convergência entre um efetivo numeroso, um arsenal balístico expressivo e a integração de drones e proxies confere ao Irã um poder de ataque regional substancial. Porém, limitações tecnológicas e logísticas restringem sua capacidade de projetar força de maneira sustentada em conflitos convencionais de grande escala.
No curto e médio prazo, a tendência é de manutenção ou incremento gradual dessas capacidades por meio de aprimoramento de mísseis, expansão da frota de drones e fortalecimento de redes aliadas. Analistas alertam para o potencial de escalada localizada, com impacto direto em segurança e preços de energia.
Fontes
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
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