Comunicação do BC levou Ministério Público a apurar o caso
O Banco Central identificou um conjunto de 36 empresas que, segundo comunicação enviada ao Ministério Público, teriam participado de operações relacionadas a um desvio estimado em R$ 11,5 bilhões dos ativos do Banco Master.
De acordo com documentos a que o Noticioso360 teve acesso, a apuração regulatória mapeou fluxos entre o banco, fundos de investimento geridos pela Reag e entidades interpostas. Essas movimentações teriam motivado a decisão de liquidação extrajudicial do Banco Master, tomada em caráter de urgência pelo BC.
Segundo análise da redação do Noticioso360, o conjunto indicado na comunicação concentra, em sua maioria, empresas de pequeno porte que funcionaram como veículos em cadeias de repasses, o que dificultou o rastreamento direto do destino final dos recursos.
Como o esquema teria funcionado
Fontes consultadas pelo Noticioso360 informam que a estratégia investigada envolvia aportes e resgates por meio dos fundos geridos pela Reag, além de transferências entre pessoas jurídicas com vínculos societários ou contratuais. Em muitos casos, registros em juntas comerciais e alterações recentes em contratos sociais coincidem com picos de movimentação nesses fundos.
Relatórios de auditoria e análises de fluxo financeiro citados pelo BC, segundo a comunicação enviada ao Ministério Público em 17 de novembro, apontam indícios de que recursos originalmente vinculados a clientes do Banco Master migraram para fundos e, dali, para empresas vinculadas a estruturas de interposição.
Empresas listadas e perfil societário
Na lista mencionada pelo BC predominam empresas regionais e de pequeno porte. Em algumas delas, o levantamento do Noticioso360 localizou mudanças de controle e movimentações patrimoniais que coincidem com períodos de maior entrada e saída de recursos nos fundos administrados pela Reag.
Advogados de algumas empresas consultadas disseram ao Noticioso360 que a presença em uma lista não constitui, por si só, prova de fraude. Eles afirmaram que será necessária a instrução processual para aferir eventual dolo ou participação consciente em operações ilícitas.
Posição das partes envolvidas
Procuradas, a Reag e a administração do Banco Master negaram a existência de um desvio sistemático dos ativos dos clientes, segundo registros de entrevistas anteriores. Representantes alegaram divergências técnicas na interpretação das operações e ressaltaram que muitas transações integravam estratégias de gestão legítimas.
O Banco Central, por sua vez, fundamentou a medida de liquidação em auditorias e em análises que, conforme a própria comunicação, indicaram irregularidades suficientes para justificar a intervenção. A remessa de informações ao Ministério Público desencadeia agora a possibilidade de investigações penais e cíveis.
Impacto imediato e medidas regulatórias
A liquidação extrajudicial do Banco Master permanece em curso, com o Banco Central atuando como liquidante. Entre as medidas adotadas estão bloqueios cautelares, reavaliação de saldos e tentativas de recomposição de ativos para atender credores.
Além disso, fontes oficiais indicam que o Ministério Público avalia a abertura de inquéritos para apurar possíveis crimes financeiros, e que diligências podem incluir pedidos de bloqueio de bens, quebras de sigilo bancário e perícias contábeis aprofundadas.
O que a apuração do Noticioso360 encontrou
A apuração do Noticioso360 cruzou a lista referida pelo BC com registros públicos — juntas comerciais, CNPJs e declarações societárias — e mapeou ligações societárias com os fundos da Reag. Esse cruzamento permitiu identificar padrões repetidos de transferência e mudança de controle próximas a eventos-chave na administração dos fundos.
Segundo a redação, em vários casos houve sobreposição de endereços, sócios e administradores entre empresas listadas e veículos relacionados aos fundos, indícios que demandam aprofundamento técnico para serem convertidos em provas jurídicas.
Limitações da reportagem
Esta reportagem baseia-se na comunicação do Banco Central, em documentos públicos cruzados e em entrevistas com representantes das partes. O Noticioso360 não teve acesso integral a arquivos internos do BC nem a processos sob sigilo que possam complementar o panorama.
Por isso, a matéria registra que investigações e decisões judiciais futuras podem ampliar ou rever as conclusões apresentadas até aqui. A presença de uma empresa na lista não foi tratada pela apuração como prova automática de ilicitude.
Próximos passos esperados
Analistas e fontes envolvidas apontam quatro desdobramentos prováveis: (1) tramitação de investigações no âmbito do Ministério Público; (2) medidas judiciais e pedidos de bloqueio de ativos; (3) possíveis ações de ressarcimento por credores e investidores; e (4) perícias contábeis e financeiras para quantificar com precisão os valores desviados e a participação de cada entidade listada.
Nas próximas semanas, decisões sobre pedidos de bloqueio e quebras de sigilo tendem a revelar com maior detalhe as rotas dos recursos e a eventual participação de sócios e operadores nas estruturas investigadas.
Consequências para o mercado e para investidores
Especialistas em regulação financeira consultados pelo Noticioso360 afirmam que o caso pode reforçar a fiscalização sobre fundos de investimento e intermediários. “A hipótese de utilização de empresas interpostas para escamotear origem e destino de recursos é um risco que exige respostas regulatórias mais firmes”, disse um auditor consultado que pediu anonimato.
Além disso, investidores e credores devem acompanhar as decisões da liquidação e as ações judiciais, já que eventuais ressarcimentos dependem da identificação e recuperação de ativos vinculados às operações investigadas.



