Contrato de R$ 6,8 milhões com empresa ligada a aliado de Bastos gera dúvidas sobre conflito de interesse.

São Paulo gasta R$ 6,8 mi/ano com empresa ligada a aliado

São Paulo mantém contrato anual de R$ 6,8 mi com Milclean; clube diz ter escolhido menor preço; verificação documental pendente.

Contratação e questionamentos

O São Paulo Futebol Clube mantém, segundo material encaminhado à redação, um contrato anual de prestação de serviços de limpeza no valor de R$ 6,8 milhões com a empresa Milclean.

O documento recebido afirma que a Milclean foi fundada por um aliado e ex-sócio de longa data de Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF). A relação, se comprovada por documentos societários ou contratuais, pode levantar questões sobre conflito de interesses envolvendo dirigentes do futebol e fornecedores do clube.

O que o clube e as partes dizem

Segundo o material, o São Paulo justifica a contratação pela seleção da proposta de menor custo entre concorrentes. Em nota anexa ao arquivo, Bastos teria negado vínculo atual com a Milclean.

Até o fechamento desta reportagem, não havia nos arquivos recebidos comprovação documental pública anexada — como contratos, editais, notas fiscais ou registros na Junta Comercial — que permitisse a confirmação independente da natureza exata da relação societária ou da forma de pagamento dos valores citados.

Curadoria e verificação feita pela redação

De acordo com análise da redação do Noticioso360, a operação financeira entre o clube e a empresa indicada é de grande monta e reúne indícios que justificam investigação jornalística aprofundada.

A checagem preliminar da equipe identificou lacunas importantes: ausência de cópias do contrato no material recebido, inexistência de comprovantes públicos que detalhem vigência e reajustes, e falta de informação sobre o procedimento de seleção — se houve licitação, concorrência formal ou contratação por dispensa.

Documentos-chave que faltam

  • Contrato integral entre São Paulo e Milclean, com cláusulas de vigência e aditivos;
  • Comprovação de concor­rência (editais, propostas, atas de julgamento ou pareceres técnicos);
  • Registros societários da Milclean junto à Junta Comercial e alterações contratuais que indiquem sócios, ex-sócios ou procurações;
  • Notas fiscais, recibos ou extratos que demonstrem cronograma e forma de pagamentos.

Implicações e o risco de conflito de interesse

Contratos de valores elevados entre clubes e fornecedores próximos a dirigentes suscitam dúvidas sobre transparência e governança. Mesmo quando um clube alega ter escolhido a proposta mais vantajosa, como afirma o material recebido, a ausência de documentação pública impede avaliação completa da regularidade.

Além disso, se confirmada a existência de vínculo societário ou instrumental entre dirigentes — no caso, associado a Reinaldo Bastos — e a empresa fornecedora, haveria necessidade de apurar eventuais impactos reputacionais e legais, especialmente se o dirigente tiver influência em decisões que beneficiem o fornecedor.

Comparação com práticas de mercado

Clubes profissionais costumam adotar processos formais de contratação para serviços recorrentes, com editais, concorrências ou contratos com prazo definido e cláusulas de reajuste. A transparência desses processos é um dos mecanismos que reduz risco de favorecimento indevido.

Segundo a apuração preliminar da equipe, não há indicação clara no material se o processo seguido pelo São Paulo seguiu essas práticas. Por isso, a recomendação é obter os documentos mencionados para avaliar se houve conformidade com regras internas e eventuais normativas da FPF e de instâncias superiores.

Próximos passos na apuração

A redação do Noticioso360 recomenda verificação imediata em pelo menos três frentes:

  1. Consulta ao CNPJ da Milclean e às alterações societárias registradas na Junta Comercial do estado para confirmar a composição societária e eventuais vínculos com Bastos;
  2. Solicitação ao São Paulo de cópias do contrato, dos orçamentos concorrentes e dos documentos que justificaram a escolha da empresa;
  3. Pedido de posicionamento formal à FPF sobre a existência de vínculo atual de Reinaldo Bastos com a Milclean, incluindo procuração, participação societária ou vínculo empregatício, se houver.

Esses passos são essenciais para transformar indícios em prova documental e para permitir que o público avalie a regularidade da contratação.

Limitações da apuração atual

É importante destacar que a versão divulgada nesta matéria se baseia no material encaminhado à nossa redação e em checagem preliminar. Não houve, até o momento, acesso público a contratos ou registros oficiais que confirmem integralmente as alegações apresentadas.

Por isso, mantemos as informações em regime de suspeita até a obtenção de documentos oficiais ou de posicionamentos acompanhados de provas que sustentem cada versão.

Impacto e possível desdobramento

Se comprovado vínculo societário ou instrumental entre fornecedores e dirigentes, o caso pode desencadear investigações internas por parte do clube, apurações administrativas na FPF e até movimentações em instâncias de controle. Há precedentes em que irregularidades contratuais resultaram em processos e mudanças na governança de entidades esportivas.

Analistas ouvidos em casos similares costumam apontar que, mesmo sem ilegalidade comprovada, a percepção de conflito de interesse pode levar a medidas de fiscalização mais rigorosas por patrocinadores, torcedores e órgãos reguladores.

Conclusão provisória

Há indícios factuais relevantes que justificam investigação aprofundada, mas a falta de prova documental pública no material recebido impede confirmação plena das alegações.

Para leitoras e leitores, a recomendação é acompanhar as atualizações: nossa equipe já requereu os documentos mencionados ao São Paulo, à Milclean e à FPF e publicará novas informações assim que obtiver respostas e comprovações.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

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