Balanço estadual mostra 59% de oferta interna bruta renovável; etanol supera gasolina na prestação energética.

SP registra 59% de oferta bruta renovável em 2025

Balanço de 2025 aponta 59% da oferta interna bruta de São Paulo proveniente de fontes renováveis; etanol lidera prestação energética.

São Paulo e o balanço de 2025

O balanço energético do Estado de São Paulo de 2025 aponta que 59% da oferta interna bruta de energia no estado teve origem em fontes renováveis, segundo o documento divulgado nesta terça-feira (30).

O relatório estadual também destaca que o etanol respondeu por parcela maior da prestação energética do que a gasolina no território paulista — reflexo tanto da forte produção de cana-de-açúcar quanto do uso do etanol em misturas e em veículos bicombustíveis.

Em apuração própria, a redação do Noticioso360 cruzou os dados do relatório com matérias publicadas por veículos nacionais e com as bases divulgadas pelo governo estadual, para contextualizar metodologia e impactos práticos.

O que diz o relatório

O termo técnico usado pelo documento é “oferta interna bruta”, que reúne todas as formas de energia disponibilizadas na economia: produção local, importações, variações de estoque e perdas internas. Por isso, a métrica difere de indicadores como consumo final ou da matriz elétrica isolada.

Segundo o balanço, as fontes renováveis — que incluem biomassa (bagaço de cana e outros subprodutos), hídrica, solar e eólica — somaram 59% da oferta. A biomassa ligada ao setor sucroenergético aparece como componente relevante dessa participação.

Por que o etanol aparece à frente

O etanol surge como item de destaque por duas razões. Primeiro, o estado concentra grande parte da produção nacional de cana-de-açúcar, matéria-prima do álcool. Segundo, o etanol cumpre dupla função: é combustível direto (hidratado e anidro) e insumo de processos industriais nas usinas.

Além disso, a contabilização da biomassa utilizada nas próprias instalações industriais pode elevar a participação das renováveis na oferta interna bruta. Ou seja, parte do peso do etanol na conta energética paulista decorre tanto do consumo veicular quanto da energia gerada no parque sucroenergético.

Comparação com os números nacionais

O dado de 59% coloca São Paulo acima da média nacional citada em levantamentos recentes, que apontam cerca de 50% de oferta energética brasileira proveniente de fontes renováveis. Essa comparação aparece em reportagens de cobertura federal e no material consultado pela imprensa.

No entanto, é importante observar que metodologias e recortes temporais variam entre o balanço estadual e levantamentos federais, como o Balanço Energético Nacional. A unidade de medida, o período analisado e os critérios de contabilização de subprodutos influenciam diretamente os percentuais apresentados.

Limitações e interpretações

Segundo especialistas consultados por veículos de imprensa, a diferença entre oferta interna bruta e consumo final merece atenção. A oferta pode incluir fluxos que não refletem diretamente o consumo residencial ou o uso nos transportes.

Por exemplo, quando a biomassa é consumida nas próprias usinas para geração de vapor e energia elétrica, esse uso é contabilizado na oferta, mas não necessariamente significa que a eletricidade final entregue aos lares ou às indústrias tenha a mesma participação relativa de fontes renováveis.

Repercussão e leitura da apuração

A apuração do Noticioso360 revisou o relatório estadual, cruzou informações com matérias do G1 e da Agência Brasil e detalhou como a contabilização da biomassa e do etanol impacta o resultado. Constatou-se que o número de 59% é consistente dentro da metodologia adotada pelo Estado, mas não equivale diretamente a 59% do consumo final em setores específicos.

Alguns textos enfatizam o avanço das renováveis paulista como efeito de investimentos e do parque sucroenergético; outros chamam atenção para o efeito técnico da métrica escolhida. Ambos os pontos são válidos e complementares para entender o quadro.

O que muda na prática

Na prática, a predominância do etanol na prestação energética tem implicações para políticas públicas e para o mercado automobilístico. A presença de uma oferta abundante de álcool favorece o uso de misturas obrigatórias e a operação de veículos flex, reduzindo a dependência relativa de gasolina.

No entanto, para avaliar impactos sobre emissões, preços e segurança energética, são necessárias séries históricas e dados setoriais detalhados — por exemplo, a participação do etanol no consumo final do transporte versus seu papel como insumo nas indústrias sucroalcooleiras.

Próximos passos e o que observar

O relatório de 2025 está disponível publicamente, mas a divulgação das bases de dados detalhadas pelo governo estadual permitirá análises mais finas por setor (transporte, indústria, residencial) e por fonte (biomassa, hídrica, solar, eólica).

Nos próximos meses, será importante comparar o balanço paulista com o Balanço Energético Nacional e eventuais revisões metodológicas, para harmonizar recortes e evitar interpretações equivocadas sobre consumo final.

Projeção

Analistas consultados indicam que, se o parque sucroenergético mantiver investimentos em tecnologia e expansão controlada, a participação das renováveis na oferta poderá se consolidar ou crescer moderadamente nos próximos anos. Por outro lado, avanços em elétrica renovável (solar e eólica) e políticas de eficiência energética também podem alterar a composição da oferta estadual.

Fontes

Veja mais

Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima