Doença inflamatória ligada ao ácido úrico cresce com envelhecimento, obesidade e mudanças no estilo de vida.

Gota: por que a doença está se tornando mais comum

Gota é artrite causada por cristais de ácido úrico; casos sobem com envelhecimento, obesidade e melhor diagnóstico.

O que é gota e como ela se manifesta

A gota é uma forma de artrite inflamatória causada pelo depósito de cristais de urato nas articulações, decorrente de níveis elevados de ácido úrico no sangue (hiperuricemia). As crises costumam surgir de forma aguda, com dor intensa, calor e inchaço — o dedão do pé é o local mais clássico, mas tornozelos, joelhos e punhos também são afetados.

As crises podem ocorrer de madrugada e ser tão intensas que impedem a marcha e prejudicam atividades cotidianas. O diagnóstico é clínico, apoiado por exames que detectam ácido úrico elevado ou, quando possível, pela identificação dos cristais no líquido articular.

Por que os casos têm aumentado?

Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters e da BBC Brasil, observa-se um aumento consistente na prevalência de gota nas últimas décadas. Esse crescimento é explicado por fatores demográficos, mudanças no estilo de vida e, em parte, por melhora no diagnóstico.

Do ponto de vista biológico, a gota aparece quando há desequilíbrio entre a produção e a eliminação de ácido úrico. Alimentação rica em purinas (carnes vermelhas, frutos do mar), consumo abusivo de álcool — com destaque para a cerveja — uso de alguns diuréticos e insuficiência renal contribuem para a elevação dos níveis. Além disso, condições como obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão aumentam o risco.

Envelhecimento e obesidade: os motores da tendência

O envelhecimento populacional eleva a prevalência porque a tendência natural é de piora da função renal e maior exposição a fatores de risco ao longo da vida. Paralelamente, o aumento das taxas de sobrepeso e obesidade modifica o perfil metabólico da população, elevando a incidência de hiperuricemia.

Por outro lado, parte do aumento observado nas estatísticas se deve ao maior acesso a serviços de saúde e ao reconhecimento clínico aprimorado. Exames mais frequentes e melhor capacitação de profissionais tornam visíveis casos que antes eram subdiagnosticados.

Diagnóstico e tratamento

O manejo da gota tem duas frentes: controle da crise aguda e terapia para reduzir o ácido úrico a longo prazo. Na crise, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), colchicina e, quando necessário, corticosteroides são utilizados para aliviar a dor e reduzir a inflamação.

Para prevenir recorrências e complicações, são indicadas terapias uricosuricas ou inibidoras da produção de ácido úrico, como alopurinol ou febuxostate. Essas medicações visam manter níveis de ácido úrico abaixo de metas terapêuticas e, assim, dissolver depósitos cristalinos com o tempo.

Entretanto, a adesão ao tratamento de manutenção é frequentemente baixa. Custos, efeitos colaterais percebidos, desinformação e falta de seguimento contribuem para interrupções que aumentam o risco de crises recorrentes e de lesões articulares crônicas, como formações de tofos e perda funcional.

Impacto para o sistema de saúde e desigualdades

Embora dados nacionais brasileiros sobre prevalência e tendência sejam limitados, a conjugação de envelhecimento populacional e epidemia de excesso de peso indica maior demanda por serviços de reumatologia e atenção primária. A necessidade de diagnóstico precoce, orientação sobre mudanças no estilo de vida e oferta de tratamentos de manutenção torna-se mais urgente.

Relatos jornalísticos e estudos apontam ainda para desigualdades no acesso: pacientes de baixa renda, com menos acesso a consultas de rotina, são menos propensos a receber terapias de redução sustentada do ácido úrico. Isso potencializa o risco de hospitalizações por crises agudas e de incapacidade a longo prazo.

Prevenção e cuidados práticos

As medidas preventivas são multifacetadas. Entre recomendações práticas estão:

  • Controle do peso por meio de alimentação equilibrada e atividade física regular;
  • Redução do consumo de bebidas alcoólicas, especialmente cerveja, e de refrigerantes adoçados;
  • Moderação no consumo de carnes vermelhas e frutos do mar ricos em purinas;
  • Tratamento adequado de hipertensão e diabetes, quando presentes;
  • Avaliação do uso de medicamentos que podem elevar ácido úrico, com revisão quando possível.

A educação de pacientes e profissionais é crucial para melhorar a adesão à terapia de manutenção e reduzir complicações. Programas integrados na atenção primária podem identificar hiperuricemia e orientar mudanças de comportamento e tratamento farmacológico quando indicado.

O que diferem as fontes consultadas

Na comparação entre as fontes analisadas, a Reuters tende a enfatizar dados e tendências populacionais, com foco em estatísticas e fatores demográficos. A BBC Brasil privilegia relatos de pacientes e discute barreiras práticas ao tratamento, além de contextualizar a doença no cotidiano.

Ambas as abordagens convergem nos mecanismos biológicos essenciais e no papel do envelhecimento e da obesidade. As divergências são principalmente de ênfase: números e tendências versus experiências individuais e lacunas no acesso à saúde.

Recomendações para o Brasil

Para reduzir o impacto crescente da gota, a apuração do Noticioso360 recomenda:

  • Incentivar estudos epidemiológicos nacionais para mapear prevalência e tendência;
  • Integrar a detecção de hiperuricemia em programas de atenção primária e controle de doenças crônicas;
  • Desenvolver protocolos clínicos claros sobre quando iniciar terapia de redução de ácido úrico;
  • Promover campanhas educativas dirigidas a profissionais de saúde e ao público para melhorar a adesão ao tratamento de manutenção.

Projeção

Se as tendências atuais se mantiverem — envelhecimento demográfico e altos índices de sobrepeso —, especialistas e gestores alertam que a demanda por cuidados contra a gota deve crescer nos próximos anos, pressionando serviços ambulatoriais e elevando custos associados a complicações crônicas.

Fontes

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