Trocas de presentes: o que a lei garante e o que depende da loja
O primeiro dia útil após o Natal costuma virar o chamado dia das trocas: consumidores voltam às lojas para substituir presentes que não agradaram ou que vieram com defeito. Em muitos casos a solução é simples; em outros, envolve direitos legais menos conhecidos.
Para orientar quem precisa trocar ou devolver um produto, reunimos as principais regras que valem no país, com recomendações práticas para minimizar problemas.
Como funciona o direito de arrependimento
Quando a compra é feita fora do estabelecimento comercial — pela internet, telefone ou porta a porta — o consumidor tem direito ao arrependimento. O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor prevê que o comprador pode desistir da compra em até sete dias corridos a partir da entrega do produto ou do início da prestação do serviço.
Na prática, isso significa devolução integral dos valores pagos, sem necessidade de justificar o motivo. O fornecedor também é obrigado a informar, de forma clara, como o consumidor deve proceder para exercer esse direito, indicando endereço para devolução ou contato eletrônico.
Quando o destinatário do presente não é o comprador
Se o presente foi comprado por outra pessoa, o exercício do direito de arrependimento cabe a quem contratou a compra. No entanto, muitos lojistas adotam políticas comerciais que facilitam a troca pelo destinatário, mediante apresentação do produto em condição de novo e, às vezes, da nota fiscal.
Segundo análise da redação do Noticioso360, alguns varejistas aceitam a troca apenas com a embalagem e o produto intacto quando não há nota, oferecendo crédito em loja ou cartão-presente como alternativa. Ainda assim, isso depende da política de cada estabelecimento.
Defeito do produto: garantias e prazos
Quando o produto apresentar defeito, as regras são mais protetivas. O artigo 18 do Código de Defesa do Consumidor determina que o fornecedor tem até 30 dias para reparar o vício.
Se o problema não for solucionado nesse prazo, o consumidor pode escolher entre três alternativas: substituição por outro produto da mesma espécie, restituição imediata do valor pago (com atualização monetária) ou abatimento proporcional do preço.
Garantia legal, contratual e estendida
Importante distinguir os tipos de garantia. A garantia legal decorre do próprio Código de Defesa do Consumidor e não depende de contrato. A garantia contratual é aquela oferecida pelo fabricante ou lojista além da legal. Já a garantia estendida é um serviço adicional, geralmente opcional e pago.
Em casos de defeito, o consumidor deve primeiro permitir que o fornecedor realize o conserto. Só depois dos 30 dias sem solução é que as alternativas previstas podem ser exigidas.
Trocas em lojas físicas: política comercial x obrigação legal
Nas lojas físicas, a aceitação de troca por simples insatisfação costuma ser uma liberalidade do comerciante, não uma obrigação legal. Por essa razão, muitas redes publicam suas políticas de troca para o período do Natal, com prazos e condições específicas.
É recomendável verificar essas regras no momento da compra. A política pode prever troca por crédito em loja, emissão de nota de crédito ou troca por outro produto do estoque.
Exceções que limitam a devolução
Alguns itens têm regras próprias e podem ficar fora do direito de arrependimento: produtos personalizados, itens lacrados por questões de higiene (como fones ou cosméticos selados) e bens perecíveis. Nesses casos, a devolução pode ser recusada com amparo legal.
Provas e documentação: como se preparar para a troca
Conservar a nota fiscal, o comprovante de pagamento e as embalagens originais aumenta a chance de sucesso numa troca. Fotografias do produto e das falhas ajudam a comprovar defeitos quando houver disputa.
Registre toda a comunicação com o fornecedor por escrito, preferencialmente por e-mail, e guarde protocolos de atendimento. Se a loja exigir a nota, é comum que o comprador original possa autorizar formalmente a troca em nome do recebedor do presente.
O que fazer em caso de recusa do fornecedor
Se a loja se recusar a cumprir um direito previsto em lei, o primeiro passo é reclamar junto ao Procon estadual ou municipal. Ferramentas de resolução de conflitos e reclamações online também podem ser utilizadas.
Para valores mais baixos, o Juizado Especial Cível (pequenas causas) é alternativa prática e gratuita. Em compras feitas por cartão de crédito, contestar a cobrança junto à administradora pode ser outro caminho quando o fornecedor descumpre acordos de devolução.
Dicas práticas para consumidores e quem compra presentes
- Verifique se a compra foi feita dentro ou fora do estabelecimento antes de acionar o direito de arrependimento.
- Documente todas as comunicações com o vendedor e guarde protocolos.
- Preserve embalagens, manuais e componentes do produto.
- Ao perceber defeito, informe o fornecedor por escrito e aguarde o prazo legal de 30 dias para conserto.
- Se a troca depender da apresentação da nota fiscal, combine com quem presenteou para ter acesso ao comprovante.
Consequências e orientações finais
Conhecer a origem da compra e os prazos legais é a melhor defesa do consumidor no pós-Natal. Embora haja respaldo claro para devoluções em compras realizadas fora do estabelecimento e para reparos por defeito, as trocas em lojas físicas continuam regidas por políticas comerciais.
Seja prevenido: leia políticas de troca antes de comprar, exija informações claras sobre procedimentos e guarde todas as evidências em caso de disputa.
Fontes
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Perspectiva: Analistas apontam que a maior atenção do consumidor a prazos e políticas comerciais pode pressionar varejistas a padronizarem regras de troca nos próximos anos.



