Consumo de queijos com mais gordura é associado a risco reduzido de demência, diz estudo
Um estudo epidemiológico publicado em 17 de junho de 2025 aponta uma associação entre o consumo regular de queijos gordurosos ou creme de leite e um risco ligeiramente menor de desenvolver demência ao longo de anos de acompanhamento.
A análise acompanhou dezenas de milhares de participantes, avaliando padrões alimentares por questionários e registros dietéticos e cruzando-os com diagnósticos clínicos de demência. Os autores relatam que consumidores de laticínios com maior teor de gordura apresentaram taxas mais baixas de incidência comparados a aqueles que consomem menos desses produtos.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters e da BBC Brasil, a relação observada é estatística e não comprova que o alimento previna a doença. As informações disponíveis indicam que o desenho do estudo é observacional, o que limita a inferência de causa e efeito.
Como foi feita a pesquisa
Os pesquisadores utilizaram coortes de grande porte, com acompanhamento longitudinal variando entre décadas, e aplicaram questionários alimentares para estimar o consumo de diferentes categorias de laticínios — queijos integrais, queijos magros, iogurtes, leite integral e desnatado, além de creme de leite.
Foram realizadas análises ajustadas por variáveis demográficas básicas (idade, sexo) e por fatores de risco clínicos conhecidos para demência, como hipertensão, diabetes e histórico familiar. Mesmo com esses ajustes, os autores reconhecem que o viés de confusão residual pode persistir.
Subanálises e perfil do efeito
Em subanálises, o efeito protetor aparente foi mais pronunciado em certas categorias de laticínios com maior teor de gordura. Leite desnatado e alguns tipos de iogurte mostraram associações menos consistentes ou inexistentes.
Os tamanhos de efeito descritos foram modestos: trata-se, em muitos casos, de diferenças relativas pequenas e de variações reduzidas no risco absoluto ao longo de décadas. O estudo teve, porém, poder estatístico para detectar diferenças pequenas devido ao grande número de participantes.
Limitações e possíveis explicações
Especialistas consultados por veículos de referência apontam que fatores como nível socioeconômico, padrão alimentar global, atividade física e acesso a serviços de saúde podem confundir a associação.
Por exemplo, pessoas que consomem mais queijos podem ter, em média, dieta mais variada, maior acesso a cuidados médicos ou outros hábitos protetores que explicam parte da redução observada no risco. Tais diferenças nem sempre são completamente controladas em estudos observacionais.
Além disso, não há consenso sobre um mecanismo biológico claro pelo qual as gorduras lácteas protegeriam especificamente contra processos neurodegenerativos. Algumas hipóteses citadas incluem efeitos anti-inflamatórios de componentes do leite ou papel de nutrientes micronutricionais presentes em queijos, mas essas vias permanecem especulativas.
O que dizem os autores e especialistas
Os autores do estudo, segundo as reportagens consultadas, reconhecem as limitações do desenho observacional e pedem cautela na interpretação. Eles recomendam mais pesquisas, incluindo estudos mecanísticos e, quando possível, ensaios controlados que possam testar hipóteses específicas.
Fontes jornalísticas e cientistas convidados destacam que uma associação significativa do ponto de vista estatístico não equivale a relevância clínica automática. “Os sinais são interessantes, mas não há base para mudanças de recomendação alimentar populacional com esse tipo de evidência”, afirmou um especialista ouvido em reportagem.
Implicações para saúde pública
Autoridades em nutrição consultadas nas matérias reforçam que recomendações dietéticas devem considerar o conjunto da dieta e o risco cardiometabólico do indivíduo. Para pessoas com alto risco cardiovascular, o aumento do consumo de gorduras saturadas pode ser prejudicial.
Assim, interpretar os resultados exige contextualização: para quem tem histórico de doenças cardíacas, a simples adoção de mais queijos integrais com base em um único estudo observacional não é aconselhável.
Contrastes na cobertura e tom editorial
Noticioso360 identificou variações na ênfase editorial entre veículos: reportagens de caráter mais generalista tenderam a destacar a potencial “boa notícia” do impacto do queijo, enquanto análises científicas e colunas de especialistas enfatizaram limitações metodológicas e cautela.
Manchetes sensacionalistas podem dar a impressão de conclusão definitiva, o que não condiz com a natureza dos dados apresentados pelos próprios autores do trabalho.
O que fazer por ora
Especialistas consultados e a própria literatura recomendam manter uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras, cereais integrais, proteínas magras e com atenção individualizada em relação a gorduras saturadas. Decisões sobre inclusão de alimentos específicos devem ser tomadas com acompanhamento profissional.
Fontes
Veja mais
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Perspectiva: Analistas apontam que novos estudos replicando os achados podem mudar o debate científico e influenciar recomendações nutricionais nos próximos anos.



