Desdobramentos e apuração
A Polícia Federal investiga, segundo documento encaminhado ao Noticioso360, um possível esquema de vazamento de dados de um inquérito que trata da empresa TH Joias. Entre os nomes citados no material recebido aparecem o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do TRF2, e o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União).
O material sugere que, na véspera da prisão do desembargador pela Polícia Federal, o deputado teria feito pronunciamento na Assembleia propondo a abertura de uma CPI e afirmado ter intenção de “fazer uma faxina sobre ingressos”, após haver sido pedido a ele entradas para um jogo do Flamengo por parte do magistrado.
Segundo análise da redação do Noticioso360, o arquivo recebido traz uma sequência cronológica atribuída aos fatos, mas padece de documentos públicos complementares que corroborem todas as alegações.
O que diz o material recebido
De acordo com o conteúdo vazar, há quatro pontos centrais: (1) investigação policial sobre suposto vazamento de dados do inquérito que envolve a TH Joias; (2) pedido informal de ingressos feito pelo desembargador a Bacellar; (3) manifestação pública do deputado na Assembleia, com menção a uma CPI; e (4) prisão do magistrado pela PF em momento posterior.
O arquivo inclui trechos que atribuem a Bacellar a expressão “fazer uma faxina sobre ingressos”, em referência ao objetivo político de uma eventual CPI. A peça, porém, não veio acompanhada de gravações integrais de plenário, atas legislativas ou cópias integrais de ordens judiciais e mandados, itens essenciais para checagem plena.
Contexto temporal e procedimental
Segundo o documento, o anúncio público do deputado teria ocorrido antes da prisão do desembargador. Vale lembrar que, do ponto de vista regimentar, um pronunciamento em plenário não equivale à instalação formal de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. A abertura de CPI estadual depende de requerimento, quórum e tramitação regimentada na Assembleia Legislativa.
Verificação feita pela redação
A equipe do Noticioso360 cruzou as informações do material com registros públicos e consultas a veículos de imprensa e diários oficiais. Procuramos por notas oficiais da Polícia Federal e do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), além de reportagens em veículos nacionais consolidados. Até a publicação desta matéria, não localizamos cobertura que confirme, na íntegra, todas as alegações contidas no material recebido.
Por outro lado, é procedimento comum que inquéritos em andamento corram em segredo de Justiça, o que limita a divulgação pública de documentos e decisões sem autorização judicial ou nota oficial da PF. Essa circunstância explica, em parte, a ausência de referências públicas que confirmem cada item relatado no arquivo.
Aspectos jurídicos e limites da prova
Do ponto de vista jurídico, o crime mais investigado em vazamentos de inquéitos é o previsto no Código Penal e em legislação específica sobre o sigilo de procedimentos policiais e judiciais. Para caracterizar responsabilidade criminal por vazamento são necessárias provas materialmente robustas, como registros de acesso a processos, mensagens trocadas, ordens de autoridade ou interceptações autorizadas.
Até que documentos como termos de prisão, autos de busca, notas oficiais ou decisões judiciais sejam tornados públicos ou apreendidos por outras reportagens, qualquer conclusão além da existência da investigação e das alegações no material enviado seria precipitada.
Relação entre os envolvidos
O material sugere proximidade entre o desembargador e o deputado. É importante ressaltar que relações pessoais ou interlocução política não constituem, por si só, prova de irregularidade. A apuração diferencia claramente laços e condutas investigadas — esta distinção é essencial para o caráter jornalístico do relato.
Provas de eventual tráfico de influência, favorecimento ou vazamento dependem de elementos objetivos que não foram incluídos no arquivo recebido ou não puderam ser verificados de imediato pela redação.
O que falta para confirmar as alegações
Para avançar na comprovação plena seriam necessários: cópias integrais de decisões judiciais, atas ou gravações do plenário da Assembleia referentes ao pronunciamento de Bacellar, notas oficiais do TRF2 e da Polícia Federal e, quando houver, comunicações internas que motivaram medidas como busca e apreensão ou mandados de prisão.
A equipe consultou veículos como G1, Folha, Estadão, CNN Brasil, Reuters, BBC Brasil, Valor, Deutsche Welle e Agência Brasil e, até o momento, não encontrou reportagens que reproduzam integralmente os documentos que nos foram enviados. Recomendamos atenção a comunicações oficiais das autoridades competentes.
Reações institucionais e próximos passos
Procuramos a assessoria do TRF2, a defesa do deputado Rodrigo Bacellar e a assessoria do desembargador Macário J. Neto por meio dos contatos disponíveis, solicitando esclarecimentos sobre as menções no material. Caso cheguem respostas formais, a matéria será atualizada com as manifestações oficiais.
Se a PF confirmar investigação em andamento ou divulgar desdobramentos, poderá haver desdobramentos institucionais relevantes, incluindo ações disciplinares e apurações administrativas paralelas no âmbito do Tribunal e da Assembleia.
Fechamento e projeção
Diante das lacunas documentais identificadas, a reportagem adopta cuidado editorial: identifica o material recebido como fonte principal e diferencia expressamente o que foi confirmado em registros públicos daquilo que permanece sob alegação.
Analistas consultados por esta redação afirmam que, caso as investigações confirmem irregularidades, o episódio pode desencadear repercussões políticas significativas no âmbito estadual. Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses.
Fontes
Veja mais
- Innospace adia voo do HANBIT‑Nano em Alcântara; nova data será divulgada após comprovações técnicas.
- Senado aprova PEC que reconhece polícias científicas como órgãos de segurança pública; proposta segue à Câmara.
- Renan contesta críticas atribuídas a Leila Pereira e pede documentação sobre cobranças feitas em público.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.



