Belo Horizonte vista por quem chegou de fora
Belo Horizonte completa 128 anos nesta sexta-feira, 12 de dezembro de 2025. Para muitos estrangeiros que escolheram a capital mineira como destino, a cidade é ao mesmo tempo lar e desafio.
Decisões de recomeço, redes de solidariedade e obstáculos institucionais aparecem em relatos que misturam carinho pela rotina local e queixas sobre emprego, moradia e acesso a serviços públicos.
Apuração e curadoria
Segundo levantamento e curadoria da redação do Noticioso360, que cruzou informações de reportagens da imprensa nacional e entrevistas locais, cinco relatos — de imigrantes da Argentina, Haiti, Senegal, Colômbia e Portugal — sintetizam tensões recorrentes: vínculos afetivos, gastronomia, trabalho informal e dificuldades burocráticas.
Vínculos afetivos e cotidianos
“Senti que podia ficar”, diz Maria, argentina que chegou a BH há três anos e trabalha em serviços domésticos e comércio no centro. Para ela, a vida cultural e a proximidade com vizinhos deram suporte ao sentimento de pertença.
Um músico senegalês, que preferiu não se identificar, descreve a cidade como “uma cidade de ritmo e acolhimento para quem busca palco e público”. A cena musical e os mercados de rua aparecem como espaços de trocas que fortalecem laços entre migrantes e moradores.
Trabalho e precariedade
Além disso, a inserção no mercado de trabalho costuma ocorrer via empregos informais. Muitos relatam portas de entrada em serviços domésticos, comércio e atividades autônomas.
“Encontrei emprego em serviços domésticos e em comércios do centro”, relata a argentina. Já um haitiano entrevistado afirmou que a falta de documentos e dificuldades no acesso a serviços de saúde restringiram suas oportunidades de trabalho formal.
Pesquisas sobre migrações urbanas apontam que a precarização ocupacional é recorrente entre estrangeiros nas capitais brasileiras, com impacto direto na segurança econômica e no acesso a direitos trabalhistas.
Moradia e mobilidade
Moradia é outra dimensão sensível. A busca por aluguel com contrato formal esbarra na falta de comprovantes e registros. Muitos imigrantes recorrem a arranjos informais: casas compartilhadas, mudança para bairros periféricos e jornadas mais longas de transporte público.
Essa realidade agrava a sensação de insegurança e limita o acesso a oportunidades culturais e de emprego, dependendo do bairro e da qualidade do transporte.
Documentação e serviços públicos
Por outro lado, a regularização migratória e o acesso a serviços seguem como pontos críticos. Entidades locais e ONGs atuam como mediadoras para encaminhamento a cursos de português, orientação jurídica e inserção no mercado.
“Sem orientação, fica praticamente impossível navegar pelo sistema de saúde e pelos órgãos que emitem documentos”, conta uma representante de coletivo de apoio a imigrantes em Belo Horizonte.
Cultura, gastronomia e economia afetiva
A comida e as práticas culturais se destacam como motores de integração. Barracas, pequenos restaurantes e feiras trazem sabores de outras regiões e ajudam a criar visibilidade para comunidades estrangeiras.
Festas comunitárias e vizinhança reforçam a economia afetiva: laços sociais que, mesmo diante da informalidade, geram sentimento de pertencimento e rede de apoio.
Discriminação e limites do acolhimento
Apesar das conexões, episódios de discriminação e xenofobia foram relatados, tanto em ambientes de trabalho quanto em interações com órgãos públicos. Essas experiências mostram que o acolhimento é parcial e desigual.
Autoridades municipais, em reportagens sobre as comemorações do aniversário da cidade, destacaram programas culturais e políticas de inclusão. Ainda assim, entrevistados sublinham a necessidade de medidas mais articuladas entre esferas governamentais para transformar iniciativas em acesso efetivo a direitos.
Políticas locais e articulação
Segundo a apuração do Noticioso360, ações locais de cultura e inclusão podem ampliar redes de convivência e visibilidade das comunidades imigrantes, mas a efetividade depende de maior coordenação com organizações da sociedade civil.
Iniciativas bem-sucedidas citadas por coletivos envolvem oficinas de capacitação, mutirões de regularização e feiras que valorizam empreendedores estrangeiros. Essas práticas, quando replicadas, tendem a fortalecer integração econômica e social.
O que muda para frente
Na perspectiva dos entrevistados e das organizações, é necessário monitoramento contínuo das políticas públicas, ampliação de canais de orientação e maior divulgação dos serviços de regularização.
Para que o afeto se traduza em inclusão plena, apontam especialistas consultados pela redação, é preciso transformar experiências informais em oportunidades estáveis de trabalho e moradia.
Fontes
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento de migração e integração pode redefinir a composição cultural das cidades brasileiras nos próximos anos.



