Zelensky admite referendo sobre cessão de territórios
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou nesta quinta-feira, 11 de julho de 2024, que a realização de um referendo para decidir sobre a cessão de territórios a favor da Rússia é uma possibilidade a ser avaliada num eventual acordo de paz.
Zelensky declarou, em coletiva após reuniões com diplomatas e representantes de aliados, que enviou aos Estados Unidos uma nova versão de um plano de paz com cerca de 20 pontos, que inclui temas de segurança, reconstrução e garantias internacionais.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em reportagens da Reuters e da BBC Brasil, a menção ao plebiscito amplia as opções diplomáticas de Kyiv, mas também expõe o governo a forte contestação interna e a dificuldades jurídicas e logísticas.
O que disse Zelensky e o alcance da proposta
Na fala pública, Zelensky apresentou a ideia como um princípio democrático: a opinião dos cidadãos deve ser considerada caso seja necessário decidir o futuro de territórios disputados. Ele ressaltou que qualquer procedimento dependeria de um quadro robusto de garantias de segurança e de supervisão internacional para minimizar riscos de vulnerabilidade militar.
Fontes diplomáticas indicaram que o plano entregue aos EUA prevê desmilitarização coordenada, um cronograma para reconstrução e mecanismos multilaterais de garantias — pontos que, segundo relatos, buscam oferecer segurança suficiente para que decisões políticas sejam tomadas sem pôr em risco a soberania ucraniana.
Reações internas e externas
No cenário doméstico, a proposta tornou-se motivo de debate acalorado. Parlamentares e opositores demonstraram preocupação e, em muitos casos, rejeição frontal a qualquer hipótese de renúncia territorial, principalmente perante perdas territoriais desde 2022.
Analistas ouvidos por veículos estrangeiros observam que a menção a referendos não equivale, automaticamente, a uma entrega de solo nacional, mas pode funcionar como um mecanismo político para legitimar acordos em situações excepcionais.
No plano internacional, aliados ocidentais veem a iniciativa como indicativa de que Kyiv busca alternativas negociadas que preservem sua soberania e obtenham garantias multilaterais. Já Moscou pode explorar a declaração em sua narrativa política, usando-a para ganhos propagandísticos.
Impasses legais e práticos
Realizar um plebiscito sobre territórios atualmente controlados por forças russas enfrenta entraves consideráveis. É preciso definir quem votaria, onde ocorreria a votação e se haveria condições mínimas de segurança e transparência.
Especialistas em direito internacional alertam que referendos realizados sob ocupação ou em áreas disputadas levantam dúvidas sobre legitimidade. Procedimentos eleitorais precisam de supervisão imparcial — potencialmente da OSCE, da ONU ou de outras missões — para assegurar que o resultado reflita a vontade livre dos eleitores.
Logística e legitimidade
A logística de um plebiscito incluiria segurança para eleitores, registro eleitoral confiável e garantias de que a apuração não seria manipulada por forças de ocupação. Sem essas condições, qualquer resultado poderia ser contestado pela comunidade internacional e pela própria sociedade ucraniana.
Além disso, há questões constitucionais internas: alterações territoriais exigiriam tramitação legal no Parlamento ucraniano e possivelmente emendas à legislação vigente, o que torna o processo longo e politicamente sensível.
Implicações diplomáticas
Diplomaticamente, a inclusão do referendo no debate pode ter efeitos múltiplos. Para parceiros europeus e para os Estados Unidos, a proposta pode sinalizar disposição de Kyiv para negociar sob estruturas que incluam garantias de longo prazo.
Por outro lado, a iniciativa poderá ser usada por Moscou para sugerir que a Ucrânia estaria disposta a ceder território, potencialmente diminuindo a pressão sobre o Kremlin ou sendo instrumentalizada em campanhas de desinformação.
O jogo político interno
Internamente, Zelensky terá de negociar o tema com o Parlamento e com lideranças regionais, além de preparar a opinião pública para debates que podem ser traumáticos. A menção ao plebiscito tende a reforçar fraturas entre grupos que defendem a não negociação de qualquer território e correntes pragmáticas que aceitam avaliar alternativas em circunstâncias excepcionais.
Contexto e leitura jornalística
A apuração do Noticioso360 cruzou informações de agências internacionais e especialistas para contextualizar a declaração do presidente ucraniano. Reportagens da Reuters destacam o caráter técnico do documento enviado aos EUA, enquanto a cobertura da BBC Brasil enfatiza o impacto político interno da menção ao referendo.
Em síntese, a admissão de Zelensky representa um movimento calculado: amplia o leque de alternativas diplomáticas, mas enfrenta resistências políticas internas, obstáculos legais e sérias dúvidas de legitimidade caso a votação ocorra em territórios disputados.
Projeção
Na ausência de um anúncio formal de plebiscito ou de textos legais enviados ao Legislativo, o foco imediato do governo ucraniano permanece em fortalecer defesas e negociar apoios internacionais que tornem uma eventual negociação sustentável.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir o cenário político nos próximos meses, dependendo de como allies ocidentais e a opinião pública ucraniana reagirem às propostas de garantias e supervisão.
Fontes
Veja mais
- Lucas Borbas diz ter recebido notícias preocupantes sobre Isabel Veloso e voltou a Curitiba para acompanhá‑la.
- Empresa ligada ao grupo que controlava a CCR ofertou 17,05% de desconto no leilão da B3, superando a atual operadora.
- Ministra diz que faltas repetidas do governador impactam coordenação entre União e Minas Gerais.
Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.



