O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve aprovar a fusão entre as redes de pet shops Petz e Cobasi, desde que as empresas aceitem medidas de remediação que incluam a alienação de unidades comerciais em áreas onde a presença combinada das duas redes gere risco de concentração.
Segundo análise da redação do Noticioso360, com base em dados da Reuters e do G1, a proposta técnica em discussão poderá exigir a venda de até 28 lojas como forma de manter níveis aceitáveis de competição em mercados locais.
Avaliação do Cade
O foco do Cade na análise não é apenas o porte agregado das empresas — cuja receita combinada foi estimada pelas empresas em cerca de R$ 7 bilhões anuais — mas sobretudo os efeitos em micromercados, como bairros ou municípios onde a dupla presença poderia reduzir opções para consumidores e pressionar preços.
Fontes que acompanharam as negociações afirmam que a recomendação técnica privilegia soluções estruturais: desinvestimentos localizados, restrições contratuais e cláusulas que impeçam a recomposição rápida de concentração após a venda.
Proposta de remediação
De acordo com a apuração, a equipe técnica apresentou aos conselheiros um pacote que prevê a oferta de lojas em localidades específicas, mapeadas por impacto concorrencial. O número de até 28 unidades aparece nas conversas como o teto máximo considerado por técnicos, embora possa ser ajustado durante a tramitação.
Além da alienação de pontos físicos, as medidas propostas incluem garantias sobre contratos de franquia, revisão de acordos de exclusividade com fornecedores e compromissos de manutenção de serviços pós-venda em regiões afetadas.
Quem poderá comprar
Especialistas ouvidos lembram que a efetividade do remédio depende da identidade dos compradores. Vender para rivais que preservem a mesma dinâmica de mercado ou para empresas ligadas a investidores das próprias redes poderia neutralizar o objetivo da medida.
O Cade tende a submeter potenciais adquirentes a avaliação prévia, impondo vetos ou condições para aprovar transações que não recomponham o poder de mercado das empresas originais.
Reações das empresas e do mercado
Até o momento, Petz e Cobasi mantêm discurso favorável à operação. Em comunicados anteriores, as empresas destacaram que a união permitirá ganhos de escala, investimentos em tecnologia e melhorias logísticas capazes de reduzir custos e ampliar a oferta de produtos.
Representantes das redes argumentam ainda que a operação vai ajudar a competir com plataformas digitais e redes multissetoriais que atuam no segmento pet, e que a intenção é manter cobertura nacional e programas para fidelização de clientes.
Do outro lado, economistas e especialistas em concorrência alertam para a necessidade de desenhar remediações robustas. “Desinvestir lojas sem critérios claros pode levar à simples realocação de mercado”, diz um consultor antitruste que acompanhou o caso. A eficácia, segundo a fonte, passa por cláusulas que limitem recompras e definam perfis e condições dos compradores.
Como seria a venda das lojas
O procedimento esperado, conforme a apuração, envolve a publicação de editais de venda, avaliação de propostas e monitoramento por parte do Cade ou de um comprador fiduciário designado. Os editais indicariam quais unidades estão disponíveis e quais restrições contratuais e operacionais serão impostas.
Também há negociações internas sobre cláusulas trabalhistas: fontes judiciais e empresariais afirmam que se discutiu a preservação de empregos e a continuidade de programas de fidelidade, itens que podem constar nas condições de venda para minimizar impactos às comunidades locais.
Riscos e mitigação
Entre os mecanismos de prevenção citados estão períodos mínimos sem recomposição da concentração (cláusulas de não recompra), restrições geográficas para compradores e requisitos de investimento em operação das lojas adquiridas.
As autoridades podem ainda acompanhar indicadores de preço e oferta em mercados relevantes após as medidas, para avaliar se a competição foi efetivamente preservada.
Calendário e decisões
As sessões decisórias do Cade estão programadas para o próximo julgamento, quando os conselheiros deverão votar a proposta com as remediações. Fontes consultadas indicam que o parecer técnico recomenda aprovação condicionada.
Se a venda de unidades for aprovada, o Cade deverá estabelecer prazos para cumprimento e mecanismos de fiscalização. A decisão final será publicada após a votação dos conselheiros e poderá ser alvo de recursos ou requerer ajustes na fase de implementação.
Impactos esperados no setor
Analistas do varejo pet avaliam que, no curto prazo, o principal efeito será a reorganização da rede de pontos físicos e possível aumento da presença de players regionais ou investidores interessados em expandir no segmento.
No médio prazo, a consolidação pode estimular investimentos em logística, tecnologia e canais digitais, mas também reduzir a disputa local — razão pela qual o Cade busca condicionamentos precisos.
Além disso, a efetiva transferência de lojas e a qualidade dos compradores serão decisivas para mensurar impactos sobre preços, oferta de serviços e competitividade frente a marketplaces e redes multissetoriais.
O que vem pela frente
Os próximos passos incluem a publicação oficial das condições pelo Cade, a definição das lojas a serem ofertadas e a avaliação dos interessados nos processos de venda. Mercados e consumidores acompanharão as medidas para avaliar efeitos sobre variedade e preço.
Se as remediações forem bem desenhadas e fiscalizadas, o resultado poderá conciliar ganhos de escala com proteção da concorrência local. Caso contrário, existe o risco de que a operação apenas reconfigure o mercado sem aumentar efetivamente as escolhas do consumidor.
Fontes
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Conteúdo verificado e editado pela Redação do Noticioso360, com base em fontes jornalísticas verificadas.
Analistas apontam que o movimento pode redefinir a dinâmica do varejo pet nos próximos meses.



