BR-381 lidera em registros de acidentes com caminhões
A BR-381, no trecho de Minas Gerais, concentra o maior número de ocorrências graves envolvendo caminhões e carretas desde 2022, segundo levantamento compilado por órgãos de fiscalização e reportagens locais.
De acordo com dados compilados pelo Noticioso360, que cruzou informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e reportagens do G1, a análise considerou apenas ocorrências registradas oficialmente a partir de 2022, filtradas por tipo de veículo e gravidade (óbito e lesionados).
Como foi feita a apuração
A metodologia adotada na checagem priorizou bases oficiais, boletins de ocorrência e reportagens que citaram documentos policiais. Quando houve divergência entre números divulgados por diferentes veículos, a redação do Noticioso360 optou por priorizar a base da PRF e matérias que apontaram notas técnicas ou boletins de ocorrência.
Foram incluídas apenas ocorrências envolvendo caminhões e carretas, com registro de feridos graves ou mortes. O recorte temporal cobre 2022 até o presente, o que permitiu identificar trechos com concentração histórica de acidentes e padrões recorrentes — especialmente em áreas serranas e pontos com obras ou recuperação de pista.
Trechos de maior risco
Motoristas e reportagens locais apontam trechos serranos da BR-381 como os mais críticos. Curvas fechadas, declives longos e acostamentos inexistentes tornam manobras de emergência mais perigosas e aumentam a chance de tombamento.
Além da BR-381, outros pontos críticos foram identificados em redes rodoviárias de São Paulo, Paraná e Goiás. Nesses estados, o perfil muda: há mais colisões em áreas urbanas e menos tombamentos em serra, mas a frequência de acidentes e a gravidade em trechos específicos continuam altas.
Fatores geográficos e de infraestrutura
Trechos com obras, pavimento irregular e sinalização deficiente aparecem com frequência nas ocorrências. Fiscalizações e denúncias de transportadoras apontam locais com sinalização insuficiente e trevos de pouca visibilidade — situações que, quando combinadas com tráfego intenso, resultam em acidentes graves.
Causas apontadas por caminhoneiros e especialistas
Em entrevistas realizadas na apuração, caminhoneiros relataram “tensão constante” em trechos serranos. A combinação entre excesso de peso, frenagens bruscas em descidas e falta de acostamento foi citada repetidamente como determinante para tombamentos e colisões.
Especialistas em trânsito ouvidos em reportagens consultadas destacam também fatores sistêmicos: planejamento insuficiente da malha, falta de manutenção preventiva e fiscalização intermitente de peso e velocidade. Segundo essas fontes, sem ação coordenada entre governos e setor privado, melhorias pontuais tendem a ter resultados limitados.
Medidas tomadas e limites observados
Autoridades públicas ouvidas em reportagens afirmam que ações foram reforçadas nos últimos anos. Entre as medidas citadas estão a instalação de radares, campanhas educativas e aumento da presença da PRF em pontos críticos.
No entanto, caminhoneiros e sindicatos dizem que a combinação entre infraestrutura deficiente e a pressão por prazos de entrega dificulta resultados rápidos. Fiscalizações pontuais e campanhas educativas precisam ser acompanhadas de obras de engenharia e revisão de trechos para produzir efeitos sustentáveis.
Fiscalização e tecnologia
Operações da PRF têm ampliado o uso de tecnologias para controle de velocidade e de peso, mas especialistas consultados pela reportagem afirmam que a cobertura ainda é desigual. Trechos longos e de difícil acesso dificultam manutenção contínua e fiscalização com presença física constante.
Impacto social e econômico
O levantamento encontrou relatos de impacto direto sobre famílias das vítimas e na rotina de motoristas autônomos. Alguns profissionais reduziram jornadas ou mudaram rotas para evitar trechos mais perigosos.
Empresas de transporte também relatam aumento de custos logísticos por desvios e tempos maiores de viagem, o que pode refletir no preço do frete e no custo final de mercadorias. Em curto prazo, a mudança de rotas tende a preservar vidas, mas impõe desafios operacionais e financeiros.
Responsabilidades e recomendações
A apuração ressalta múltiplos atores responsáveis: políticas públicas de infraestrutura, órgãos fiscalizadores, empresas de transporte e condutores. Para especialistas, medidas integradas são essenciais.
- Melhor sinalização e recuperação da malha viária;
- Fiscalização contínua e equipamentos de pesagem em pontos estratégicos;
- Campanhas educativas direcionadas a motoristas e empresas sobre limites de carga e manutenção preventiva;
- Mapeamento e priorização de trechos críticos com intervenções de engenharia.
O que vem a seguir
Autoridades afirmam que há projetos e operações previstas para reduzir riscos, mas a efetividade dependerá do tempo e da coordenação entre estados e União. O acompanhamento regular das intervenções e a transparência nos resultados serão centrais para medir avanços.
Analistas e representantes de classe afirmam que, sem investimentos contínuos e fiscalização efetiva, a tendência de risco em trechos críticos pode persistir, mantendo a vulnerabilidade de motoristas e remetendo custos adicionais ao setor logístico.
Fontes
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